23, janeiro , 2019
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O retrato de Jundiaí de 1910 num ALMANACH raríssimo

Em 1910, os jornalistas jundiaienses Tibúrcio Estevam de Siqueira e João Baptista Figueiredo escreveram e organizaram o Almanach de Jundiahy que tinha 215 páginas. O lançamento ocorreu em janeiro do ano seguinte pela Folha Typografia e Pautação, estabelecimento que era também livraria e papelaria. Este exemplar faz parte do acervo do Sebo Jundiaí, resgatado pelo professor Maurício Ferreira de um depósito de reciclagem. O acaso ajudou a preservar a história da cidade já que o almanach (almanaque) é raríssimo.

Com poesias, pequenas efemérides (registro de datas importantes) de nossa cidade, lista dos povoadores, passatempos e variedades. Esse impresso é quase uma fotografia de 107 anos atrás tamanha a riqueza de detalhes que traz Jundiaí era uma pacata cidade com 11 mil habitantes e o almanaque enaltecia as águas cristalinas da Serra do Japi, os médicos, a Banda Musical dos Empregados da Cia. Paulista, a Matriz e seu belo jardim (foto principal, acima). Também tratava do folclore. Havia a Dança dos Caiapós na Festa do Divino organizada pelo João Pratudo, um tipo popular muito querido pela sociedade da época. Nessa festa, os lavradores faziam ofertas ao Divino: carroças de lenha, flores e fruta. Os carros saíam da zona rural em desfile e quando chegavam ao centro da cidade eram precedidos pela banda e as ofertas eram entregues ao povo que se aglomerava esperando sua chegada.


O ALMANACH DE JUNDIAHY

Os autores: Tibúrcio Estevan de Siqueira e João Baptista Figueiredo

Numa época em que fumar era socialmente aceito e seus malefícios desconhecidos, uma reportagem elogiava os cigarros caipira fabricados pelo “Chico Terra Nova” e era consumido em todo Estado. O Hospital de Caridade São Vicente de Paulo novinho (abaixo), com apenas quatro anos de existência, já contava com vários feitos importantes numa época em que expectativa de vida dos brasileiros era de 41 anos (quase 72 anos em 2017, segundo o IBGE).

 

Naquele ano, o São Vicente atendeu 338 doentes, sendo 336 indigentes e dois pensionistas. Vinte operações foram feitas e 281 curativos realizado. Vinte e seis pessoas morreram. Cada paciente custava 20 mil réis. O custo de cada cirurgia era de 100 mil réis. Um curativo, 10 mil réis. Ao contrário de hoje em dia, o Hospital São Vicente de 1910 deu lucro: arrecadou 14 mil réis e gastou 12 mil.

Na página 203 já quase no final, o almanach enaltece a modernidade da cidade, o extraordinário progresso e a importância da Educação para um país melhor. Jundiaí tinha dois Grupos Escolares recém-construídos: o Siqueira de Moraes e o Conde de Parnaíba Tinha também o Ginásio Hydecroft que era dirigido pelo professor Luiz Rosa (fotos acima) e o Colégio Florence para meninas, fundado em 1865. Naquela época, Vinhedo, Louveira , Itupeva, Campo Limpo , Várzea Paulista e Cajamar faziam parte do território de Jundiaí. A região toda contava com mais 26 escolas espalhadas pelos bairros rurais.

O Grêmio CP, na rua Rangel Pestana
Rua Barão: a Paulicéia
Cassino Jundiaiense: a jogatina era liberada no Brasil há 107 anos
Matadouro Municipal: prédio ficava onde hoje é o Centro Esportivo Pedro Raimundo, na Vila Rio Branco

A cidade contava com importantes estabelecimentos industriais: Oficinas da Cia Paulista, Arens, Fábrica de Tecidos São Bento, Fábricas de Cadeiras, Serraria São João, Cortumes São Luiz e Mojola. Era ponto de cruzamentos das linhas férreas Paulista, Inglesa e Sorocabana. Seus prédios mais importantes eram o primeiro Grupo Escolar Siqueira de Moraes, o Hospital São Vicente, a Cadeia Pública, a Igreja da Matriz, o Matadouro na Barreira (hoje vila Rio Branco) que havia sido construído dois anos antes. Tinha associações bem ativas como a Umberto I, Fratellanza Italiana e Garibaldi de auxílios mútuos, Clube 2 de Abril, Cassino Jundiaiense, Grêmio CP, Paulista Foot-Ball Club com apenas cinco anos de existência, entre outros.

1910: Jundiahy tinha apenas 11 mil habitantes
Rua do Rosário: tranquilidade absoluta
Bem no centro da cidade: a Matriz Nossa Senhora do Desterro

Na praça Marechal Floriano Peixoto, nos fundos da igreja Matriz, grupo conversava sobre a eleição do Presidente Hermes da Fonseca que derrotou Ruy Barbosa. Meses antes, Ruy estivera em Jundiaí e reclamara do prefeito Francisco de Paula Penteado que não limpava adequadamente os estrumes deixados pelos cavalos. Foto Ideal.

Transporte coletivo: Agostinho Mietto com seu coche
“João Pratudo”: organizador das festas do Divino. O tipo mais popular da cidade na década de 1910

Nota do professor Maurício Ferreira: Os jornalistas que escreveram o almanaque mostraram uma cidade populosa para a época e disseram que ela teria um belo futuro! Eles acertaram! Jundiaí está prestes a comemorar 362 anos no dia 14 de dezembro e caminha em paz e crescimento. É uma das melhores cidades brasileiras para se viver.

Tenho a mesma crença de meus conterrâneos Tibúrcio Estevam de Siqueira e João Baptista Figueiredo. Acreditando no futuro de nossa Terra Querida que com o trabalho e amor busca além do crescimento a paz e a qualidade de vida que conseguiremos com uma educação de qualidade, preservação absoluta da Serra do Japi e de nosso patrimônio histórico . Quem sabe daqui há 107 anos alguém estará lendo esse texto como fiz com o Almanach de 1910 e dizendo: ‘Esse cara estava certo!’

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