AMOR NÃO TEM FORMA

AMOR NÃO TEM

Queridos leitores, o texto dessa semana é tão verdadeiro que é possível confirmar no meu Instagram. Ou simplesmente veja com atenção a foto publicada neste artigo. E suscitou a pergunta: que forma tem o amor? Acho que o amor não tem forma.

Estava sentada na cadeira de praia (praia da Baleia, litoral norte de São Paulo) olhando aquela maravilhosa paisagem. Amo este lugar. Cresci observando o balanço das águas calmas, daquele mar verde azulado translúcido como os olhos da minha mãe.

Desde pequena sinto o quanto o mar, a maresia, a areia e a energia que emana dessa particularidade da mãe natureza me faz bem. Para mim é melhor do que abraçar uma árvore, por isso, todos os anos, desde que me tornei adulta, faço questão de passar alguns dias à beira mar.

Atualmente é fato conhecido que precisamos de lazer e de momentos que nos ajudem a renovar nossas energias. Para mim é na praia, mesmo que por poucos dias ao ano.

Continuando minha observação marítima, olhei mais longe e notei dois pontinhos no mar, brincando e jogando água para cima. Meus filhos!

Essa é a forma do meu amor: em alguns momentos, dois pontinhos, em outros, contornos perfeitos de meninos-homens bonitos e gentis. No escuro, mãos e braços aconchegantes com cheiro de amor. No claro, imagens iluminadas de anjos queridos. Assim é o nosso amor. Não tem forma definida.

Pensando nisso lembrei-me que o maior amor de nossas vidas como mães um dia irá embora. Sim! Ele deve ir e semear mais amor e assim continuar a longa história da humanidade. Racionalmente, tudo ok. O coração que está doendo. Ver o cordão esticando levando nossos queridos para longe, dói.

No meio de toda essa meditação maternal decidi tirar uma foto dos pontinhos e fazer uma linda declaração de amor. Caprichei na foto, enfeitei com um monte de coraçõezinhos coloridos e postei no Instaram toda satisfeita e orgulhosa de mim mesma.

Quando o Daniel e o Vinícius saíram da água eu mostrei toda orgulhosa a foto que havia postado. O Daniel, todo educado, sorriu e elogiou. O Vinícius, astuto e muito sincero, mandou: “Mãe não somos nós…”

Dei um pulo da cadeira. Como assim? Não são vocês, perguntei. Depois de alguns minutos me mostrando a foto, ampliando, arrastando daqui pra ali, e de lá pra cá, Vinícius provou a tese dele.

Acredita que tirei foto de pontinhos no horizonte que eu não conhecia e me declarei para eles? Pois é…o amor não tem forma. Ele é tudo o que imaginamos ser, mas não por isso, é menor do que o que sentimos.

De fato, nada disso importou de verdade. Rimos muito, tiramos sarro no Instagram e agora virou uma história para contar porque amor de verdade é aquele que ama a ideia, a lembrança, a passagem, o abraço, a forma (ou a falta dela), o cheiro e tudo o que pertence à pessoa.

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Tudo bem se me declarei para pontinhos que não me pertenciam. Essa é a licença poética de uma jovem de (quase) 49 anos que já não enxerga direito, mas que ama acima de tudo e qualquer coisa dois jovens que estão a construir sua própria história, deixando para trás um ninho feito com carinho e que sabia, desde sempre, que estaria vazio em poucos anos.

Primeiro Daniel, depois Vinícius. Ambos seguindo o ritmo da vida. Não tenho do que me queixar. Trarei meu ninho para mergulhar no mar.

ELAINE FRANCESCONI

Bacharel em Zootecnia (UNESP Botucatu). Licenciatura em Biologia (Claretiano Campinas). Mestrado (USP Piracicaba) e doutorado (UNICAMP Campinas) em Fisiologia Humana. Professora Universitária e escritora. 

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