ANDAR EM CÍRCULO e ir a lugar nenhum

CÍRCULOS

Finalizamos mais uma semana de muitas expectativas; aliás, o que não tem faltado ao brasileiro é a expectativa, diante de tantas mudanças, reformas e dificuldades. Soluções e vantagens, ainda, nenhuma. Nada a favor da população ansiosa e carente por mudanças, o que temos visto e sentido é que, ainda, as mudanças sempre pendem sobre a cabeça dos menos favorecidos e os políticos e os trapaceiros ainda estão impunes e firmes em suas negociatas. O país anda em círculos e não vai a lugar nenhum…

Em conversas com amigos e conhecidos, o que mais preocupa é que as pessoas menos antenadas e menos entendidas da movimentação social não conseguem alcançar as dificuldades que se nos apresentam, tão pouco percebem o rumo que a situação está tomando, o que causa preocupação a qualquer pessoa lúcida e presente na elaboração de uma nova história.

Enfim…


As vezes tenho a total certeza que os repórteres nos fazem de idiotas. Ou não sabem o que falam e fazem ou acreditam que o povo acredita neles, 100% das vezes. Hoje, desde cedo, as TVs abertas estão fazendo chamadas para a chegada antecipada de Neymar, na Granja Comary. E todas mostram um grupo grande de repórteres “do lado de cá do lago” aguardando a chegada dele. E mostram o tal “grande grupo”, sendo sempre os seis mesmos presentes, nada além de seis.

Ou não sabem qualificar um grande número ou tentam glamorizar, mais uma vez, a chegada do filho rebelde do papai Felipão.  Este foi o filho que fugiu da programação, pois não se emenda; agora, com a questão do soco desferido em um torcedor na final da Copa da França. Incrível como o mundo do esporte vive na sombra da fama inconsequente, uma vez que os jogadores mais jovens têm nele a referência do sucesso.

Talvez o mais desavisado não entenda, mas exemplos de pouca civilidade e de uma sociopatia exacerbada sempre amplia o espectro da agressão e da desobediência. Desta forma, quando nossos ídolos são marcados por estas características, vale a pena rever a escolha feita e perceber que seguir ídolos deformados leva-nos a repetir as tais deformidades, por acreditar que elas sejam bonitas e saudáveis. Dizia Bandura, famoso psicólogo social, que a sociedade é modulada por alguns ídolos que segue; isso garante que a escolha é fundamental para o sucesso social e afetivo de todos.

Neste caso, em especial, com ou sem braçadeira de capitão, não se discute dois itens fundamentais e presentes no atleta: ele é líder e tem um excelente nível técnico. Entretanto, a relação social e a percepção de aceitação não são elementos de sua direção de vida. Neymar está sempre do outro lado da civilidade, sem que se questione o motivo e a forma de conter suas atitudes antissociais que tanto denigrem nosso país.

Hoje, ele estará sendo esperado pelo líder máximo da seleção, o técnico, para uma conversa que conduzirá o atleta á braçadeira de capitão ou não. Sou capaz de apostar que ele será capitão. Ninguém que discordar do pequeno mimado teimoso. E assim vamos alimentando nossos monstros.


E um detalhe: na formação de nossos repórteres, acredito haver um curso de “Gagueira Profissional”. Percebam, sem prestar a atenção, porque é desnecessário, quando se está diante de uma reportagem pela TV. A coisa beira o ridículo, o irritante e o patético; por exemplo: e o atleta vai descer, o atleta, ele vai descer de helicóptero. O atleta está sendo esperado desde as 11h30, o atleta. E quando o atleta chegar, o atleta será recebido pelo técnico com que terá uma D.R., o atleta e o técnico.

Estas frases mostram o quanto o profissional não tem habilidades para falar em improviso nem consegue se sair bem diante do inesperado. A repetição (ou gagueira profissional) acontece quando a articulação entre pensamento e fala se processa lentamente, o que expressa pequeno repertório linguístico e lentidão no processamento de informações.

O que interessa, de fato, é que fica um discurso cansativo e desagradável. Feio mesmo. Não serve de referência quando se tenta mostrar que fala bem; temível se pensarmos que grandes repórteres só funcionam com auxílio do “prompter”, quando executam uma leitura rápida sobre as frases que passam à sua frente e precisam apenas ser lidas sem expressão fisionômica. Trata-se de um problema de formação, mas vale a dica para que não imitemos o discurso insonso e insano que permeiam nossos programas de notícias.

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De repente a Reforma da Previdência passou a ser o ar que respiramos ou que respiraremos. Parece que sem esta abençoada decisão o Brasil acabará ou será removido do hemisfério sul. Muda aqui, remenda ali, aponta lá e retruca acolá, mas algumas perguntas que não se calam, pelos cantos da vida, são fortes, firmes e incisivas: todos terão a mesma lei? A aposentadoria será moldada com igualdade para o seo José e para o Senador José?

Muito mais: todos os segmentos estarão sujeitos aos mesmos critérios de corte? Juízes e promotores continuarão a ser agraciados e o povo comum será apontado como vilão? Políticos exercerão dois ou três mandatos e se aposentarão e dona Maria trabalhará 30 anos, daí soma idade, multiplica pelo número de filhos, subtrai do número de habitantes da cidade, soma o número de letras do nome e encontra-se o valor da aposentadoria, que nunca passará de R$1 mil reais?

Também é estranho que para alguns segmentos a coisa é bem simples: se fez isso aposenta com até tanto, sendo este tanto vários salários mínimos. Para o segmento popular, aquele que carrega o andar, que se mata de trabalhar, que sofre com tanta bandalheira, a questão é quase exotérica: vai chegar o momento em que a aposentadoria se passará pelo signo do zodíaco, logicamente que levando em conta os ancestrais, os descendentes e a posição do sol na hora do nascimento. Ficando impossível ao cidadão compreender porque pagou tanto, no decorrer da vida útil, para receber tão pouco no momento de retirada da produção.

Por que isso acontece dessa forma? Acredito que para demonstrar que alguns são mais alguns que outros; que alguns pensam e gritam, outros recebem e se calam; para apontar quem tem poder e quem é capacho; só não vale dizer que é assim porque é assim. Isso é senso comum demais e não ajuda a mudar o rumo das coisas. Diante de uma sala de aula, hoje, sinto muita dificuldade em explicar mobilidade social, porque a maioria está satisfeita com o que não tem.

E não se interessam pelo que poderiam ter. Triste fim dos sonhos.


Não consigo entender porque a politicalha busca parecer intelectual. O alvo agora é a Harvard. Mas já foi UNICAMP: dona Dilma, a ex-presidenta, se intitulava mestra pela Unicamp. Ter título acadêmico não isenta de deslizes nem de falcatruas, o que pode revelar esta sede pelos mestrados e doutorados de nossos valorosos políticos?

Dentro do cenário de total incompreensão, vemos mais este: os cursos não-cursados, os saberes não existentes e a desfaçatez presente em atitudes pouco plausíveis. Quanta pobreza de ação. E pensar que alguns demoram tempo para sere desmascarados. Que tenhamos velocidade na investigação e que aqueles que se utilizam de títulos inexistentes sejam incriminados por exercício impróprio de profissão. Por que não?


Afonso Antonio Machado é docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduado em Psicologia, editor chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology. Aluno da FATI.

 


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