21, novembro , 2018
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ANTENOR Soares Gandra, cidadão, médico e prefeito

Antenor Soares Gandra nasceu no dia 10 de fevereiro de 1891. O ex-prefeito – que hoje empresta nome para rua que liga a Ponte São João ao bairro da Colônia e também a uma escola, o antigo Industrial, no início da rua Barão – era filho do tenente-coronel Júlio Cezar Ferreira Gandra e de Maria Soares Ganda, agricultores e donos da Fazenda Santa Fé, no Distrito de Paz da Rocinha. Este local fez parte de Jundiaí até 1948 quando se emancipou e se transformou na cidade de Vinhedo. Ele se destaca na história da cidade por ter sido, além de prefeito, médico e cidadão de primeira ordem.

Gandra se formou médico aos 23 anos no Rio de Janeiro e fez questão de clinicar em Jundiaí. Em 1916 já tinha um consultório na cidade e nesse mesmo ano voltou ao Rio de Janeiro para se casar com Maria Celeste Ribeiro Gandra que foi sua companheira e apoiadora de todas empreitadas de sua vida.Tiveram quatro filhos, todos jundiaienses.

Era um médico e cidadão e consciente. Por esse motivo muitas vezes clinicava apenas por amor à profissão e ao ser humano. Trabalhou no Hospital de Caridade São Vicente de Paula, foi chefe do Serviço Sanitário Municipal e enfrentou bravamente a epidemia de gripe espanhola em Jundiaí em 1919, doença que matou mais de 35 mil pessoas no Brasil, inclusive o recém-eleito Presidente da República, Rodrigues Alves.

Dr. Gandra era também médico-auxiliar do Departamento de Profilaxia da Lepra, na Secretaria da Educação e Saúde Pública do Estado de São Paulo. Era um apaixonado pela medicina e foi um brilhante prefeito de 1933 a 1936. É só conferir o jornal “O Popular” de 1935 : “Quem conhece nossa gente, nossas coisas, nossos recursos e nossos problemas , não pode deixar de acreditar e confiar num futuro promissor para Jundiaí”.

Como prefeito teve as mesmas atitudes que teve na medicina, se aproximou do povo e com parcos recursos construiu o Paço Municipal que infelizmente foi demolido há 30 anos. No local funciona hoje uma agência do Santander(rua Barão de Jundiaí). Organizou 1ª Exposição Vitivinícola do Estado de São Paulo, realizada em 20 de janeiro de 1934. Seria o embrião da Festa da Uva que conhecemos hoje.

Construiu a ponte de concreto ligando o Bairro da Ponte São João ao centro, inaugurada em 1937, por Tomaz Pivetta (acima). Fez 312 quilômetros de estradas de rodagem , dedicou-se ativamente para estudar o abastecimento de água e afastamento de esgoto para combater as moléstias mortais e mais comuns na época causadas por falta de saneamento.

Criou a Escola Profissional Mista e Núcleo de Ensino Profissional que na sua concepção deveria formar técnicos no cultivo de uva e produção de vinho. Criou do Grupo Escolar de Vila Arens, inaugurado em 28 de setembro de 1934 cujo terreno fez doação ao Governo de Estado. Criou também a Cooperativa dos Vitivinicultores do Bairro de Caxambu que foi inaugurada em 1935.

Aumentou de 12 para 20 do número das escolas municipais que se juntaram às 14 escolas do Governo Estadual e quatro particulares. Destas, apenas o Colégio Professor Luiz Rosa continua funcionando até hoje.

Criou a Repartição de Estatística anexa à Prefeitura Municipal, a primeira a ser instalada no interior do Estado, assim como a Estação Experimental Viticultura de Currupira, cujo terreno, com área de 95 alqueires, doou ao Governo do Estado. Foi também Gandra quem conseguiu que o Congresso votasse a lei de criação do Ginásio de Esportes em Jundiaí.

Foi o líder do Movimento Constitucionalista de 1932, participou bravamente de muitos combates ao lado de bravos jundiaienses para proteger nossa Constituição e nosso Estado.

Em 1937 mudou-se para a Capital e nunca ficou sem voltar ao seu torrão natal. Em São Paulo exerceu o cargo de Assistente Médico Superintendente do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina, do qual foi um dos organizadores, até o ano de 1946.

Com inteligência e visão de um cidadão (e não de um político) afirmou: “Tenho fé em nossa gente, creio na minha, na nossa Jundiahy!  Para que se engrandeça e brilhe, bastará que os governos sejam honestos e não a estorvem quando não puderem ajudar e guiar a nossa cidade”.

Antenor Soares Gandra morreu em 18 de maio de 1946 com apenas 55 anos, em São Paulo.

 


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