21, novembro , 2018
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ARGOS do trabalho duro, sucesso, respeito aos funcionários e falência

VINHETA JUNDIAI ANTIGAMENTEA Argos foi uma das principais tecelagens do Brasil. Seus funcionários trabalhavam duram mas eram respeitados. A empresa mantinha cooperativa, loja, grupo escolar, escola de fiação e tecelagem, curso pré-vocacional para os filhos dos funcionários, refeitório, cinema, parque infantil, capela e uma pequena biblioteca. Mas, na década de 80, a empresa entrou em decadência e faliu.

Vamos recordar a história da Argos (na foto acima em 1920), segundo texto publicado no Portal da Prefeitura de Jundiaí:

ARGOS
Motivo de saudades para muitos moradores de Jundiaí: a Argos, em 1962

Localizada na Avenida Dr. Cavalcanti, a Argos Industrial foi fundada no dia 27 de fevereiro de 1913, sob a denominação de Sociedade Industrial Jundiaiense. No mesmo ano, o nome foi alterado para Sociedade Argos Industrial. Entre 1917 e 1927, foram realizadas novas alterações na razão social: 1917 – Manufatura Italiana de Tecidos S.A.; 1919 – Trevisoli Borin & Cia Ltda.; 1925 – Manufatura Italiana de Tecidos S.A.; 1927 -Argos Industrial S.A., denominação que permaneceu até 1984.

Durante muitos anos a tecelagem foi o carro-chefe da produção, e mesmo com a modernização da confecção não deixou de se mostrar inovadora. A Argos produziu gabardines (tipo de tecido) de primeira linha e o famoso verde-oliva para vestir o Exército.

ARGOS
Vila Argos em 1946: casas foram construídas para os trabalhadores, uma demonstração de respeito

Administrada por Estevão Kiss durante 17 anos, a Argos cresceu em direção ao futuro; além de usar produções próprias de algodão, a empresa ainda comprava das cidades vizinhas. A plantação de eucalipto, no antigo brejo ao lado da fábrica, tinha como objetivo secar o solo e, na idade adulta, alimentar as caldeiras.

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Contando com vendedores em todo Brasil, a Argos conquistou o mercado têxtil ano após ano. O maior destaque da empresa era o avanço em termos de benefícios sociais para seus funcionários. Além da associação de empregados, a empresa mantinha cooperativa, loja, grupo escolar, escola de fiação e tecelagem, curso pré-vocacional para os filhos dos funcionários, refeitório, cinema, parque infantil, capela e uma pequena biblioteca.

A creche, cujas obras foram iniciadas em 1943, mas só concluídas no dia 17 de novembro de 1945, deixa marcas até os dias de hoje. Inicialmente, atendia 40 crianças em período integral, que recebiam café da manhã, instruções primárias, moral, cível e religiosa, assistência médica e dentária, e ainda brincavam sob a orientação das professoras.

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A creche em foto de 1952: muitos jundiaienses passaram por ela e guardam boas lembranças desta época
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Brinquedoteca em 1950: o que parece ser moderno, a empresa já tinha no meio do século passado

Além de suas instalações, a creche contava com uma capela. Com pé direito de cerca de nove metros de altura, é dedicada a Stephanus (Santo Estevão) e tem genuflexórios (apoio para ajoelhar) de madeira maciça e bancos no mesmo modelo. O altar possui mármore carrara com detalhes coloridos. Na parte superior das paredes, há afrescos datados de 1945 e restaurados em julho de 1959 por Amadeu Accioly, e o piso é do tipo hidráulico pintado artesanalmente.

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Vista aérea da Argos em 1967: o viaduto da Sperandio Pelicciari (Duratex) começava a ser construído

No início da década de 80, a empresa foi decaindo em função de crises internas e má administração. Com a falência,  a Argos fechou as portas e demitiu os funcionários, pondo fim num império industrial que marcou seus anos de glória. A creche também sofreu o abandono após a falência. Os primeiros dias de portões fechados foram lamentáveis para seus funcionários e havia esperança de que tudo voltasse ao normal assim que o decreto fosse suspenso. O tempo passou e a Argos se transformou em ruína.

No entanto, em 1989 a Administração Municipal, ainda na gestão do prefeito Walmor Barbosa Martins, comprou o prédio com verba destinada à educação. Nesse mesmo período, foi decretado o tombamento provisório do imóvel pelo Condephaat. Hoje, o local abriga o Complexo Argos.

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