BIOGÊNESE ou abiogênese?

biogênese

Neste momento em que há muita expectativa na aprovação de vacinas contra o Covid-19 e os cientistas do mundo inteiro voltam sua atenção para isso, lembrei-me de escrever sobre uma dúvida muito antiga que envolveu estudiosos na área: biogênese ou abiogênese?

Esta crônica não tem a intenção de elucidar dúvidas sobre a origem das espécies, visto que, durante séculos, biólogos e cientistas levantaram várias hipóteses baseadas em investigações científicas, nunca comprovadas. Esta breve exposição, aproveitando o momento de muita atividade no campo científico, tem o objetivo de concatenar as teorias de vários autores, sem nenhuma conclusão. Vamos lá:

Há mais de dois mil anos, o “princípio ativo” era defendido por Aristóteles, que salientava a ideia de que uma substância “não viva” poderia se tornar “viva por si”. As concepções aristotélicas tiveram grande influência em toda a história posterior do problema e todas as escolas filosóficas, por muito tempo, compartilharam a ideia da geração espontânea dos seres vivos.

No século XVI, o famoso médico Paracelso desenvolveu experiências a respeito da geração espontânea em ratos, sapos e tartarugas , a partir da água, ar, palha e madeira podre. Não há registro sobre o resultado.

No século XVII, também o famoso médico belga Jean Baptiste Van Helmont realizou experiências em fisiologia vegetal e acreditava que podia produzir camundongos a partir de uma camisa suada, princípio ativo, colocada em contato com germe de trigo.

Porém, Francesco Redi, biólogo e médico florentino, contemporâneo de Helmont, fez suas experiências sobre geração espontânea e publicou um trabalho denominado “Experiências sobre Geração de Insetos” onde refutava a ideia de que a vida é gerada espontaneamente.

Escreveu: “Tenho observado que um número infinito de vermes é produzido em cadáveres e em vegetais em decomposição, eu me sinto tentado a acreditar que esses vermes são todos gerados por reprodução sexuada e que o material em putrefação não tem outra função senão servir de ninho onde depositam seus ovos.”

Essas experiências de Francesco Redi iniciaram a ideia de biogênese: a vida só pode se originar de outra vida pré-existente.

No século XVIII, no ano 1745, John Needham removeu a hipótese de Van Helmont, reforçando a ideia da vida por abiogênese.

Ainda nesse século, em 1770, o padre italiano Lazzaro Spallanzani, contestou e atacou as experiências de Needham e defendeu, após estudo cuidadoso, a ideia da biogênese. Apesar dessa contestação, a ideia da abiogênese continuou vigorando.

Já no século XIX, em 1860, o grande biólogo e químico francês Louis Pasteur, autor da profilaxia da raiva e do antraz (com semelhança à Covid-19 porque entra pelas vias respiratórias e se aloja nos pulmões)analisou e demonstrou que o ar é uma fonte de microorganismos e que a matéria bruta é facilmente contaminada pela matéria viva, devido a bactérias sempre presentes. Com esse estudo, enfraqueceu a ideia da abiogênese.

No século XX, em 1955, A. Oparin, membro da Academia de Ciências da Rússia, publicou um livro intitulado: “A Origem das Espécies” e, em síntese clara e de fácil entendimento, expôs sua opinião sobre o assunto.

Há trechos em que expressa bem sua posição: “Observamos, diariamente, que os seres vivos nascem de outros semelhantes; todavia, nem sempre ocorreu assim. A Terra teve um começo, surgiu em determinada época, de onde pois, provieram os antepassados mais remotos das plantas e dos animais? E ainda:

“Descendo, gradualmente, estudando a vida nas formas mais primitivas, chegamos aos microorganismos, que eram os únicos seres que povoavam a Terra”.

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Deixou bem expressa sua opinião sobre a passagem da massa bruta inanimada a uma espécie superior, determinando o surgimento dos seres vivos e sua consequente evolução. Todas as pesquisas desses grandes cientistas são consideradas teorias possíveis, não temos conhecimento da confirmação de alguma. Afinal, biogênese ou abiogênese?(Foto: concepto.de)

JÚLIA FERNANDES HEIMANN

É escritora e poetisa. Tem 10 livros publicados. Pertence á Academia Jundiaiense de Letras, á Academia Feminina de Letras e Artes, ao Grêmio Cultural Prof Pedro Fávaro e á Academia Louveirense de Letras. Professora de Literatura no CRIJU.

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