CACHORRO DE MADAME

CACHORRO DE MADAME

Quem tem mais de 50 anos com certeza ouviu muito essa expressão na infância: cachorro de madame. Era assim que  chamávamos os animais de estimação que eram tratados com toda a mordomia. Mas a mordomia daquela época nem se compara aos mimos e luxos dispensados aos bichos atualmente.  Hoje o tratamento é vip e a cachorrada não tem do que se queixar, pelo contrário, alguns pets têm vida melhor do que muita gente: alimentação balanceada, médico, banho com xampu especial, unhas aparadas, pelos escovados, massagem relaxante e até ofurô!  Os bichos ganharam status de majestade.

Acho muita graça ao me lembrar de como era a vida dos cães e gatos na minha infância. Eram todos bem tratados e queridos, mas sem afetações. Eram animais, na melhor concepção do termo: tinham liberdade para ficar dentro de casa ou no quintal, davam uma escapadela para a rua quando abríamos o portão, voltavam logo depois e esgotavam o pote de água de tão sedentos.  Tomavam banho de mangueira ou no tanque, mas sem dia marcado, e se fosse verão, a criançada aproveitava para se molhar também. Boas recordações, sem dúvida.

Nossos bichos comiam o mesmo que nós, e sempre foram saudáveis. Me lembro da nossa cadela Laika, uma doberman  que não se contentava com a comida do seu prato e sempre dava um jeitinho de roubar o pote de manteiga ou fatias de frios de cima da mesa quando tinha oportunidade, para variar o cardápio.  Como o quintal era grande, os cães e gatos (tivemos vários) corriam, se escondia, caçavam outros bichos, latiam no portão, enfim, viviam e aproveitavam a vida. Quando algum deles já velhinho ia para o andar de cima, era uma choradeira e a minha mãe sempre fazia a mesma promessa: “não quero mais animal de estimação, é muito triste quando morre”. Mas ela não conseguia cumprir, porque a gente sempre adotava um novo bichinho. Tivemos tantos cães e gatos que fica difícil lembrar o nome de todos: Chita, Cossinia, Nino, Ictirícia (era uma gata amarelinha), Tatá, Laika, Juju, Haysla e agora Dolly.

Hoje em dia vejo que os cães e gatos conquistaram um lugar de maior destaque em nossos corações, em nossas casas e também em nosso cotidiano. Com certeza os tratamos como “filhos” e até usamos um dialeto todo especial para falar com eles. Nossos bichinhos ganharam guarda-roupa diferenciado e super fashion, ração gourmet, banho e tosa com direito a motorista, caminhas super macias, cobertores quentinhos, petiscos, brinquedinhos e muito, muito mais. Alguns animais têm até Instagram e fazem o maior na internet. Estes sim são verdadeiros cachorros de madame.

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Mas confesso que fico perplexa com os excessos. Tratar animal como filho é uma coisa, mas querer tirar dele a sua essência, a sua natureza para transformá-lo num ser híbrido, meio bicho meio humano é outra coisa bem diferente. Conheço casos de pessoas que não deixam seus pets nem colocar as patinhas no chão, não permitem que corram pelos gramados ou persigam insetos ou outros bichinhos, seguindo seus próprios instintos. Acho isto triste.

Quem tem animal de estimação deve gostar dele do jeito que ele é, com seus defeitos, suas manias, suas rabugices, mau humor (por que não?) com seu cheirinho característico, com sua falta de cuidado ao esbarrar nas coisas, com o latido estridente na hora que a gente chega em casa, com o xixi fora de hora e fora de lugar (que dá uma raiva!), com o olhar “pidão” quando a gente está comendo um franguinho assado, com indiferença quando saímos e deixamos o coitado sozinho em casa e por aí vai. Quem tem animal em casa sabe bem o que é isso. Até podemos tentar transformá-los em cachorros de madame. Mas, respeitem a dignidade do bicho.(Foto: blog.sina.com.cn)

VÂNIA ROSÃO

Formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Trabalhou em jornal diário, revista, rádio e agora aventura-se na internet.

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