“Cães recolhidos vivem em campos de CONCENTRAÇÃO”, diz protetora

Protetores dos animais realizarão, no próximo dia 21, um ato em frente à Prefeitura de Jundiaí. Eles entregarão um abaixo-assinado exigindo que o Poder Público assuma a responsabilidade pelos animais que vivem nas ruas. Segundo Sara Penteado (foto ao lado), do movimento Pracinha dos Dogs, os ativistas não têm mais condições de recolher tantos cães. “Costumo dizer que estes cachorros vivem um verdadeiro holocausto. Estão em campos de concentração. E as pessoas fingem que não há problema, assim como aconteceu na Alemanha nazista”, afirmou. A entrevista com Sara:

Por que farão esta manifestação?

Fizemos um abaixo-assinado que contará com mais de mil assinaturas. Vários defensores irão para a frente da Prefeitura no dia 21, 17 horas, para levar este documento. Nós estamos unidos e queremos mudar a vida dos animais abandonados. O prefeito verá que temos o apoio de todos os segmentos da sociedade. Todo mundo está cansado de ver tanta maldade e nada ser feito.

Quais problemas vocês estão enfrentando?

 

Todos que fazem o trabalho de resgate e abrigo de animais abandonados estão ‘trabalhando’ para Prefeitura há muitos anos. Eu, por exemplo, tenho o projeto ‘Quintal Comunitário’. Levo para a casa animais que estão na rua. Muitos outros defensores levam os bichos para suas próprias casas. Agindo assim, estamos tirando o problema da Prefeitura, que é a responsável por estes animais. E, fazendo isto, estamos assumindo uma competência que não é nossa. Um cão é como uma criança. E com eles temos gastos que não podemos mais arcar. Compramos ração, castramos, levamos ao veterinário, pagamos pela vacina. Há ainda a questão psicológica. Um cachorro abandonado é estressado. Enfim, toda essa carga explodiu agora…

Vocês já tiveram algum contato com a Prefeitura?

Tivemos uma ‘pré-conversa’ há seis meses e fomos ignorados. Disseram que a situação não era tão grave e que não havia tantos animais abandonados na cidade. Ou seja: estávamos fazendo um trabalho que não existe. Agora, o pessoal do Debea está visitando meus quintais e vendo que eu, sem nenhum apoio trato, sem nenhuma estrutura, o mesmo número de cães que eles cuidam. Precisamos de ajuda…

A Prefeitura anunciou que o Debea fará 2 mil castrações neste ano…

Não estamos felizes com este número. Depois de três reuniões com assessores do prefeito começamos a ser entendidos. Fizeram uma proposta 5 mil castrações mais eventos no Parque da Uva (veja resposta da Prefeitura abaixo). Isto é algo inédito no Poder Público em relação aos protetores dos animais. Estamos amadurecendo a ideia. Daremos crédito à Prefeitura…

Como você resume a questão animal em Jundiaí?

Infelizmente é complicado…quem não vive esta situação não sabe o que acontece. Jundiaí vive um caos. Costumo dizer que estamos em um holocausto já que há vários campos de concentração para bichos. Todo mundo vê, sabe que eles existem, mas fazem de conta que não estão ali. Confinamento de animais é uma coisa séria sem aparato físico, psicológico e financeiro. A Prefeitura transferiu o problema para nós. Por outro lado é a primeira vez que um prefeito aceitou nos ouvir. A partir de agora quem assumir o Executivo vai assumir também esta causa grave. Estamos ansiosos, mas criteriosos para ver o que acontecerá no dia 21. E convidamos toda a população para participar, levando seus animais também…


A RESPOSTA DA PREFEITURA

Representantes do Departamento de Bem Estar Animal (Debea), órgão ligado à Unidade de Gestão de Planejamento e Meio Ambiente (UGPUMA), se reuniram como prefeito Luiz Fernando Machado e com protetoras de animais, na última quinta-feira (15), para tratar do assunto castrações. Durante o encontro foi feita proposta de trabalho, de forma a unir forças para atender a demanda de castrações. A administração tem prezado pelo diálogo e entendimento com responsabilidade, para atendimento às solicitações. Ficou formalizado que o Debea, além das 2,2 mil castrações já previstas para este ano, se empenhará para o complemento até atingir 5 mil castrações. As outras 5 mil castrações que completam o pleito de 10 mil, ficam a cargo das protetoras, que terão disponível três datas para uso do Parque da Uva, para realização de eventos com o objetivo de angariar fundos para o custeio das cirurgias.

É importante ressaltar que a castração é um processo cirúrgico, que exige cuidados após a intervenção. Portanto, é necessário que haja um responsável pelos animais para que o processo seja realizado com sucesso. Neste sentido, não é possível realizar a operação em animais que não possuam um protetor ou que não sejam acolhidos pela comunidade do bairro, de forma a ter o cuidado adequado no pós-cirúrgico. Não há levantamento com relação aos números de animais abandonados na cidade. O registro via 156 no ano passado, de denúncia de abandono foi de 354. E em 2016, o registro foi de 379, ou seja, redução de 6,5%.

O Debea manterá seu fluxo de atendimento, com foco no atendimento de animais da população de baixa renda e em situação vulnerável, com oferta de castrações, consultas, exames, microchipagem e educação sobre guarda responsável, situação fundamental para reverter o quadro de abandono de animais. Somente no ano passado, o Debea ampliou o atendimento em 10% em relação ao que foi ofertado nos anos anteriores, tanto em castrações como nos demais atendimentos. O espaço está em reforma para melhoria na qualidade das instalações para atender cães e gatos, incluindo a adequação do centro cirúrgico do prédio.

O trabalho de educação sobre guarda responsável é desenvolvido multiplataforma, já que envolve, além da UGPUMA, a Unidade de Gestão de Educação (UGE). Realizado nas escolas municipais desde o ano passado, o projeto compreende três aulas educativas – promovidas por uma educadora concursada da administração pública, voluntário protetor de animais silvestres e uma veterinária –, com duração de 60 minutos cada. Somente no ano passado foram realizadas atividades em oito unidades escolares, com mais de 1,1 mil alunos atendidos. Neste ano, a equipe aguarda a definição do calendário de atividades das escolas para iniciar o trabalho de formação educacional infantil. 


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