21, novembro , 2018
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Milton Domingos, o comendador que era o CARLITOS de Jundiaí

IMG-20170717-WA0040Jundiaienses mais novos, na faixa dos 20, 25 anos, que passam na avenida Nove de Julho, sob o viaduto da avenida Jundiaí, devem se perguntar: afinal, por que o artista que grafitou aquelas paredes com motivos que remetem à cidade decidiu colocar a figura do Carlitos? O que o personagem de Charles Chaplin tem a ver com a gente? Pois é. Por mais insólito que possa parecer, Carlitos faz parte da história de Jundiaí. Aqui, ele ganhou vida sob a pele de um comendador, Milton Domingos, que passou os anos animando inaugurações de lojas e desfiles. Foi homenageado diversas vezes, apareceu em programas de famosos.  Fez cinema. Teve tanta importância que a Folha de São Paulo publicou um texto sobre a morte dele. Virou documentário (produzido pela Rede Paulista/abaixo).

 

CARLITOS
Foto Alex Censi
CARLITOS
Foto Alex Censi

CARLITOS

Parece até que Milton Domingos escolheu o dia que iria morrer: 1º de abril de 2008, o Dia da Mentira. O texto de Willian Vieira, publicado pela Folha alguns dias após o falecimento, explica bem quem foi o Carlitos jundiaiense. A começar pelo título já que não se sabe onde acabava o comendador e tinha início o personagem: Milton Domingos ou Carlitos, Charles Chaplin de Jundiaí.

“A bengala, o chapéu, o bigode e os pés virados fizeram história na cidade onde nasceu Carlitos de Jundiaí. Seu enterro foi embalado pela própria banda, tocando “Luzes da Ribalta” – a primeira vez que fez alguém chorar.

CARLITOS

CARLITOS    CARLITO 5

CARLITOS

CARLITOS
Arquivo Miguel Melleiro Junior

Milton Domingos se mudou pequeno para São Paulo. Tinha 15 anos quando começou a ver filmes do ator Charles Chaplin passados na paróquia, após a missa. Virou assíduo. “Tinha flexibilidade nas pernas” e juntou a “veia de artista” com os pés virados para fora. Tornou-se atração na igreja, nas festinhas, e até na empresa onde consertava elevadores.

De volta a Jundiaí, lá pelos 20 anos, não parou de imitar. Tinha a roupa negra, o chapéu, a gravata e a bengala. Era só se caracterizar para agradar a uma cidade inteira. “Também trabalhou de verdade”, diz a viúva. Era bom vendedor na vinícola, onde se aposentou. Fez até propaganda na TV sobre vinagre.

Já em 1967 era celebridade local, ao vencer o concurso de Melhor Imitador do Brasil, feito por Silvio Santos(foto abaixo). Desde então passou a animar de festa a jogos de futebol. Como Carlitos, se apresentou no teatro e no cinema – encenou “O Ébrio” e gravou “Crepúsculo do Ódio”. E fez até ponta em novela, com a Banda do Carlitos, criada por ele para animar festas.

CARLITOS

CARLITOS
Foto Juliano Saad

CARLITOS

Tinha três filhos e dois netos. Quando fez 60 anos de carreira, em janeiro, ganhou uma mostra na biblioteca. Não foi ver. Morreu no dia 1º, aos 75, de câncer”, informou a Folha de São Paulo no dia 8 de abril de 2008.

Na sessão de entrega de título honoríficos pela Câmara, no final daquele mesmo ano, Milton recebeu uma homenagem póstuma. No ano anterior ele tinha recebido a Ordem do Mérito Municipal. Aliás, ele foi um dos cidadãos de Jundiaí que mais recebeu homenagens do Legislativo. Foi agraciado com a Ordem do Mérito Conde do Parnaíba, em 1981, e com a medalha Petronilha Antunes, em 2001.

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Agora, você que mora em Jundiaí e tem entre 20 e 30 anos, cada vez que passar sob o viaduto, na avenida Nove de Julho, e vir a figura gigantesca de Carlitos, já sabe que aqui, Milton Domingos foi a alegria de muitas festas e fez por merecer a homenagem.

CARLITOS

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IMG-20170717-WA0040

 

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