CASTRO SIQUEIRA

CASTRO SIQUEIRA

Não tenho dúvida de que, na Eternidade, os sinos tocaram na chegada do meu amigo Castro Siqueira e que Deus o aguardava para o abraço de Pai que embala e acalma todos os medos.

Ainda me custa a acreditar que ele não se encontra mais dentre nós. Quase todas as manhãs, ao passar pela rua Senador, de dentro da caminhonete, gritava o seu “bom dia” na direção da Magdala. Era também nosso parceiro em doações para a estrutura da entidade e para os bazares.

Conhecia Jundiaí como ninguém, as necessidades de cada local e os caminhos de transformação. Empenhou-se ao máximo e com honestidade em suas diferentes funções políticas. De sapatos cobertos de pó e barro, naquela época, do tanto que andava para escutar o povo e dizer com franqueza sobre as possibilidades ou não. Jamais o vi de “máscaras” para aplausos. Era ele mesmo, comprometido com a verdade.

Possuía inúmeras virtudes: orgulhava-se da família, dizia do amor para sempre à sua doce e decidida Beatriz e do orgulho dos filhos: Lívia Maria, Taís Helena, João Paulo;fiel aos amigos, do escutar que compreende, incentiva e fortalece. Como escreveu, em “A Escutatória”, Rubem Alves: “…É preciso silêncio dentro. (…) E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir as coisas que não ouvia”. Gostava de facilitar a formação educacional de alunos com dificuldades financeiras, mas não aparecia, na formatura, para as manifestações de gratidão. Humildade natural, um de seus atributos.

Tenho, dentre outras, duas lembranças de gratidão a ele que me marcaram. Em março de 1987, permaneceu ao meu lado no sepultamento de meu pai, que creio ter sido a dor maior que experimentei. No início da Casa da Fonte – CSJ, em 2005, visitava-nos pelo menos uma vez por semana, trazendo doações para a biblioteca e para trabalhos com as crianças. Ao nos mudarmos para o espaço novo, rarearam as passadas por lá. Compreendi que as vindas dele, nos primeiros anos, eram para colaborar, além de no projeto, em meu alicerce interior. Quando a Casa se fez de janelas ensolaradas, de beija-flores em meio aos jardins, do gorjear de gente miúda e graúda, se distanciou. O Castro era dessa forma: força no desamparo e ausência nas vitórias que também eram dele.

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Ainda de Rubem Alves no mesmo texto: “…Ouçamos o humano que habita em cada um de nós e clama pela nossa humanidade, pela nossa solidariedade, que teima em nos falar e nos fazer ver o outro que dá sentido e é a razão do nosso existir, sem o qual não somos e jamais seremos humanos na expressão da palavra”. O Castro era assim: de humanidade de acréscimo, generosidade e bem para as pessoas. Ausência sentida e perda para a cidade.(Foto: Câmara Municipal de Jundiaí)

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.

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