CORPOS: juventude, beleza e comércio. Vidas descartadas

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Chega um tempo em que a criança, vista com indiferença ou desprezo pelas ruas de sua aldeia, se transforma em adolescente de pernas bambas pela falta de discernimento sobre o caminho melhor. São crianças que não foram fortalecidas pelos mais próximos e mais distantes. Na juventude, descobrem que o frescor dos próprios corpos se tornam motivo de destaque, aplausos e algum valor em dinheiro. Acabam ouvindo opiniões diversas, mas a maior parte diz sobre sua silhueta e nunca a respeito de seu olhar, seus sentimentos, o que passa em sua alma.

Empurrados(as) para o comércio dos corpos, permanecem anônimos (as) sociais, contudo, no grupo que circulam, atraem olhares de desejo que os(as) fazem sentir modelo em passarela de elite. São roupas e sapatos de destaque, perfume que deixa rastro, celular adequado… Quando as carnes, contudo, deixam de ser novidade, caem do palco de suas ilusões primeiras e aceitam o convite para uma casa qualquer em que homens ébrios buscarão seu corpo. Deixam de dar lucro e seguem para as avenidas e becos, onde se posicionam ao lado de um poste. Se sobrou algum valor do arrecadado, hospedam-se em pensão. Nas ruas e nos atalhos, no entanto, seguem com os mesmos tombos dos tablados das carcaças desvalorizadas.

Quando a angústia suplanta qualquer esperança, vem a droga, seja lícita ou ilícita e a demência. Desfeito(a) de pudores, o(a) humano(a) rasgado(a) senta em um canto qualquer, grita impropérios, mostra parte da nudez dos corpos e clama, clama, clama sem saber por quem.

Surgem três grupos: os que passam – não se importaram com tantos deles(delas) na infância – e se escandalizam; os que comercializam vidas em decomposição e não lucram com ele(ela) e os que convivem no meio ambiente e o(a) consideram como impostor(a) por não se adequar aos dominadores.

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Em um anoitecer, chega o “libertador” em nome e sob aplausos dos três grupos, massacra seu rosto e o(a) coloca fora de circulação. A lei é invisível para situações como essa. Melhor: para quem deveria ter olhos e buscar tratamento para sua agonia; para a sociedade que não gosta de ver as feridas abertas pela insensibilidade; para os que o(a) consideravam um empecilho em seu meio, e o(a) chamavam de imundície.

Pena não ser ficção. A impotência diante de fatos assim dói em meu coração.(Foto: Jéssica Paula/Agência Aids)

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.

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