CRIANÇAS, violência e aprendizagem

Crianças, violência e aprendizagem fizeram parte de uma pesquisa recente, desenvolvida pelo Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul – InsCer.  Os pesquisadores analisaram cerca de 70 estudantes – de 10 a 12 anos – de escolas públicas de Porto Alegre, localizadas em bairros com altos índices de violência. O trabalho, que faz parte do projeto VIVA (Vida e Violência na Adolescência), foi publicado na revista científica internacional Developmental Science e, de acordo com o pesquisador Augusto Buchweitz, é a primeira vez que um estudo de neuroimagem investiga de que forma a violência afeta o cérebro das crianças latino-americanas. A pesquisa foi financiada pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Os alunos responderam a um questionário sobre exposição a maus-tratos e todos eles passaram por ressonância magnética. Durante o exame, os avaliados viram rostos de pessoas que estavam felizes, tristes, cansadas e, depois, foram convidados a decidir qual era o estado do indivíduo que estava nas fotos. 40% deles erraram, o que mostra que a violência afeta o cérebro das crianças e dos adolescentes.

E como isso reflete na aprendizagem? Gasta-se muita energia para aprender algo novo. Se o aluno estiver preocupado em sobreviver, se terá tiroteio, se apanhará, se será abusado, sobra pouca energia no cérebro para aprender.  Além disso, as crianças que tinham testemunhado mais violência, inclusive abuso sexual, em exame laboratorial eram os que possuíam mais cortisol no cabelo. Há evidências de que a exposição crônica ao estresse tem efeito tóxico para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

A psiquiatra Roberta Grudtner, que cursa especialização em abordagem da violência contra crianças e adolescentes pela PUCRS, explica que os déficits cerebrais apontados na pesquisa acarretam em distúrbios de socialização, facilitam o envolvimento com drogas e álcool, aumentam a agressividade e ajudam na formação de adultos impulsivos.Formam-se cidadãos sem remorso, que fazem as coisas erradas e não se arrependem.

Buchweitz considera necessárias redes de apoio para essas crianças na escola ter, um profissional que vá às famílias e que ajude com essa situação, pois as partes do cérebro dos estudantes mais vitimizados estão se desligando e, quando adultos,tendem a acreditar que os impasses se resolvem por meio da força e não do diálogo.

Como o cérebro dos jovens tem grande capacidade de recuperação, o próximo passo da pesquisa é traçar um método para recuperar o aprendizado.

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Os pesquisadores esperam que os dados sirvam para apoiar escolas e secretarias de Educação a implementarem estratégias de prevenção das dificuldades escolares associadas à violência.

Que assim seja! Que se diminuam os “rótulos” dos alunos, expostos à violência, com dificuldade de aprendizagem e lhes sejam oferecidas oportunidades de paz.(Foto: www.imed.edu.br)


MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.

 


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