DEPUTADOS DE FORA: Jundiaí Agora tenta, tenta e ninguém dá retorno

Da última segunda-feira(15) até quinta(19), o Jundiaí Agora tentou entrevistar os três deputados federais e os três deputados estaduais de fora da cidade e que tiveram grande votação aqui no dia 7 de outubro. De forma proposital, nos quatro dias foram enviados pedidos de entrevista pelo serviço de mensagens do Facebook. Também foram feitos contatos através de outros canais de comunicação quando existiam. O JA tentou, tentou e não conseguiu entrevistar nenhum deles, o que aumenta a sensação de muitos eleitores de que os então candidatos são bem votados aqui e depois de eleitos não se preocupariam com a cidade.

Os analistas políticos dizem que estas eleições foram definidas pelas redes sociais. No caso das tentativas frustradas de entrevistas, elas, as redes, mostraram que são uma via de mão única. Os candidatos pedem votos. Mas nem veem os recados deixados. Exceção à deputada federal eleita Joice Hasselmann. Uma assessora deu retorno, pediu mais tempo para responder quatro perguntas e não deu mais sinal de vida. Já Janaína Paschoal gravou um vídeo agradecendo os votos dos jundiaienses e pedindo que a população participe de carreata pró-Bolsonaro neste domingo(ver abaixo).

As perguntas – Os três deputados estaduais que receberam mensagens do JA foram: Janaína Paschoal(PSL), 31.942 votos. Pouco mais de mil votos a separaram do candidato local mais votado em Jundiaí, Gustavo Martinelli(PSDB). O segundo contatado foi Arthur Mamãefalei(DEM), com 5.432 votos e Altair Moraes(PRB), 3.053 votos. O Jundiaí Agora também enviou mensagens para o segundo colocado entre os deputados federais mais votados: Eduardo Bolsonaro(PSL), filho do candidato a presidência, Jair Bolsonaro. Eduardo teve 21.570 votos enquanto Miguel Haddad(PSDB), recebe 46.378 votos e não se elegeu. Joice Hasselman foi a terceira mais votada. Ela é do PSL e teve 15.435 votos. Kim Kataguiri(DEM) foi o sétimo mais votado em Jundiaí com 5.276 votos e, a partir do próximo ano, estará na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Os questionamentos enviados não poderiam ser mais simples: “O(a) senhor(a) teve votação expressiva em Jundiaí. Os eleitores questionam: o(a) senhor(a) conhece Jundiaí? Esteve aqui na campanha ou antes? O que pretende fazer pela cidade já que ganhou muitos votos aqui? Por que acha que recebeu tantos votos em Jundiaí?”. Na segunda e na terça-feira foi pedido que as respostas fossem encaminhadas até quarta-feira(17). Neste dia e na quinta, como nenhum retorno foi dado, novas mensagens foram enviadas, agora pedindo as respostas até sexta-feira.


 

Acima, todas as mensagens enviadas pelo Facebook aos seis deputados mais votados em Jundiaí: sem respostas.


Janaína Paschoal – A advogada e professora foi a deputada mais votada na história do país, com mais de 2 milhões de votos. Além do serviço de mensagem do Facebook, o Jundiaí Agora também enviou e-mail para o escritório dela(abaixo). Nenhuma resposta foi enviada.

É preciso citar o vídeo gravado por Janaína Paschoal pedindo a participação dos jundiaienses na carreata pró-Bolsonaro neste domingo, em Jundiaí. Nas imagens, Janaína agradece quem votou nela e prometeu que vai lutar muito pela cidade e assim honrar quem votou nela.


Arthur Mamãe Falei – O novo deputado estadual(na imagem abaixo usando camisa vermelha) fez um trabalho forte, na campanha, utilizando o Youtube, onde tem um canal. O JA mandou mensagem – com as perguntas – para ele através desta rede social também. Sem resposta.

A mensagem enviada num post publicado por Arthur Mamãefalei. abaixo, o texto do JA mais uma vez, agora legível…


 

 

 

Altair Moraes – O contato de segunda a quinta-feira foi feito através do serviço de mensagem do Facebook. O JA não encontrou nenhuma outra mídia ou e-mail do deputado estadual eleito. Ele não respondeu.

 

 

 

 


 

 

Kim Kataguiri – As perguntas ao deputado federal eleito também foram enviadas pelo Twitter, rede social que, a princípio, foi muito usada por ele. Kim não respondeu.


 

 

 

Eduardo Bolsonaro – O novo deputado federal, assim como os outros, recebem a mensagem pelo Facebook. Em seu site não havia nenhum e-mail. No entanto, constava o número de um Whatsapp. Foi enviado um recado com as mesmas perguntas destinadas a todos os eleitos. Eduardo, ou seus assessores, não viram a mensagem.

 

 

 

 


Joice Hasselmann – O caso mais emblemático, no entanto, é o da jornalista, escritora, comentarista e agora deputada federal pelo PSL. Ela trabalhou na radio CBN, BandNews FM, revista Veja e Record. Mais do que ninguém deveria saber a importância de conversar com seus eleitores mesmo que de uma cidade mediana através de um jornal pequeno.

Quando tudo parecia perdido, sem que nenhum eleito tivesse dado retorno, a assessoria de Joice(também contada por e-mail), respondeu ao Jundiaí Agora(acima). E cometeu verdadeiros sacrilégios por se tratar de uma política que tem o jornalismo como profissão.

Indagada sobre a possibilidade de a deputada responder as perguntas, a assessora(não se sabe se jornalista também), fez um discurso e questionou: “Joice entrou para a história como a deputada federal mais votada da Câmara e com certeza construirá uma carreira política brilhante. Ela está trabalhando pra campanha do Bolsonaro e está 100% focada nisso. Diante disso, solicito que, se possível, estenda o prazo para novembro quando ela terá tempo para concentrar as energias no mandato dela. Aproveito para perguntar como serão veiculas as respostas às perguntas que você enviou. Será produzida uma reportagem, ou será transcrita como se fosse uma entrevista, enfim, como você pretende utilizar a matéria?”

Questionar como um jornalista vai utilizar as informações que receberá ou obteve, principalmente quando a pergunta vem da assessoria de uma deputada que trabalhou em veículos importante, é uma verdadeira aberração. O jornalista produz um texto ou publica o material da forma achar melhor, obviamente com a orientação do seu chefe. A forma pouco interessa para o entrevistado. O conteúdo, sim. Se o entrevista achar que sua fala foi distorcida ou se sentir prejudicado em algum momento, pode procurar a Justiça.

Quanto à falta de tempo da deputada eleita, trata-se também de um argumento de frágil sustentação. Ninguém duvida do envolvimento dela na campanha de Jair Bolsonaro. Mas é possível fazer um comparativo: no dia 7 de outubro, o Jundiaí Agora – que em abril informou que um jundiaiense, Wilson Witzel, disputava o Governo do Estado – conversou com os assessores dele e pediu nova entrevista. No dia 12, pleno feriado de Nossa Senhora Aparecida, as respostas foram enviadas. A matéria foi publicada no dia 15 último. Com certeza, Witzel está trabalhando tanto ou mais que Joice para se eleger governador. Afinal, para ele a campanha ainda não acabou. E ele apoia e é apoiado por Bolsonaro. Talvez a diferença é que ele seja de Jundiaí e sentiu necessidade de abrir espaço na sua agenda para um jornal de sua cidade natal. 

O JA preferiu evitar polêmica com a assessoria da deputada eleita para conseguir ao menos uma entrevista. Por este motivo informou que faria a publicação em forma de pergunta e resposta(que, pelo menos em tese, é menos suscetível a erros). Para facilitar, poderiam enviar os dados por áudio. Também mandou o link da entrevista com Witzel mostrando a boa vontade do ex-juiz federal que conversou com seus conterrâneos. Na manhã desta segunda-feira(22), a assessoria de Joice reafirmou o envolvimento da deputada eleita na campanha de Bolsonaro. Passando o 2º turno, Joice deverá responder as questões formuladas pelo JA…(Ilustração principal: UOL)