A descrença que alimenta nossas ‘ONDAS’ e o que nos mostram as urnas

Vivemos no último domingo (7) um dia importante como sempre deve ser a nossa ida às urnas. Votar é realmente um momento único, que nos permite a sensação real de participação, de que seremos lidos e vistos entre as opções que escolhemos e, quem sabe, representados. Eu particularmente me sinto bem ao votar, ao exercer esse direito. Acredito que passada essa sensação, nos restam a reflexão e novas ações sobre o cenário que se desenha. Enfrentaremos ainda o pleito para segundo turno presidencial e para alguns Estados mas, no pós-eleição já sentido, vejo a necessidade de análise sobre o que nos mostram as urnas e a percepção de que a descrença alimenta nossas ‘ondas’. Não é de hoje.

O efeito do candidato Jair Bolsonaro (PSL), chamado dessa maneira – de ‘onda’ -, me remete muito a outros períodos da democracia brasileira em que um cenário de total descrença e desgaste alimentou qualquer que fosse o lado oposto. Sentimos isso em 2016 com a própria ‘onda azul’, como foi chamada a série de vitórias do meu partido, PSDB, em governos e prefeituras no Brasil após período de total desacordo da sociedade com a corrupção, a crise econômica e os problemas oriundos dos anos de PT. E o PT, por sua vez, antes disso, também surgiu como ‘onda’ e ‘esperança’ diante dos mandatos seguidos do PSDB, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não fizeram seu sucessor. Não estou aqui me aprofundando sobre as gestões citadas, nem julgando quais foram melhores, mas dizendo e constatando que o eleitor, quando não satisfeito, procura o que se apresenta como o oposto a essa insatisfação e nós políticos devemos ter cuidado ao mensurar esse desagrado e evitar figuras que se beneficiem dessa descrença de alguma maneira. Muitas vezes essas ‘ondas’ podem trazer resultados, a depender de seus eleitos, porém, o comportamento do eleitor me parece cíclico e muito associado às falhas das mesmas ‘ondas’, as quais precisamos reconhecer.

Não sabemos o que será daqui pra frente, mas ficou evidente que, além das ‘ondas’ sempre voltadas a um novo ‘salvador’, hoje, os eleitores demonstram ainda querer de fato a renovação, com novos membros escolhidos para o Senado e para o Congresso Nacional, muitos também associados à ‘onda’ do candidato Bolsonaro ou ao ‘anti-PT’. Ficou claro que a população está cansada e, seja por protesto, afinidade, amor ou ódio, ela mostrou no voto o quanto não se sente representada mais pelos partidos tradicionais que sempre estiveram na disputa de maneira expressiva.

É ainda possível avaliarmos o peso das redes, da maneira como se comunicam os candidatos, das notícias infundadas e do quanto acreditamos nelas. Há o peso do extremismo que marcou essa disputa e nos mostra também como parecem pensar os eleitores. E por mais estranho que esteja o momento, há também a sensação de um suposto crescimento no interesse das pessoas por debater política ou pelos menos em saber mais sobre os candidatos, justamente pelo mesmo uso das redes, do maior contato com o assunto e pela própria descrença que gera desconfiança.

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Para nossa Região, lamentavelmente elegemos apenas um deputado estadual, apesar de bons nomes na disputa, com tradição de empenho pela cidade e de recursos enviados, como Miguel Haddad. Isso também nos traz a reflexão e a análise de que devemos buscar com os outros eleitos, que pediram votos na cidade e obtiveram êxito, um olhar às nossas necessidades. Ainda que haja os efeitos das ‘ondas’ e possamos entender o momento desanimador na política, é preciso reconhecer que somente com a eleição de deputados da nossa Região, conseguimos até este ano de 2018, atenção às nossas entidades, como no caso do Grendacc que passou por luta tão difícil.

Portanto, cabe a nós, eleitos vereadores ou a outras cadeiras, o desafio diário de mostrar, entre ‘ondas’ e tantos obstáculos, que ainda há seriedade na política, que precisamos dela e da democracia para tantas conquistas, que seria importante termos deputados nossos eleitos para termos avanços, que podemos recriar nossas vozes para representar todos os insatisfeitos com maior responsabilidade. Que possamos, neste momento desafiador, políticos e eleitores, sermos críticos e aprendermos juntos com os passos dados. (Foto: Agência Brasil)


FAOUAZ TAHA

É vereador na Câmara de Jundiaí pelo PSDB, eleito pela primeira vez nas últimas eleições municipais de 2016. Tem 29 anos. Atualmente é líder do governo municipal na Casa de Leis, além de presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Desporto, Lazer e Turismo do Legislativo. Nascido em Jundiaí, Faouaz é formado em Educação Física pela ESEF e tem pós-graduação em Fisiologia do Esporte pela Unifesp. Antes de ser vereador, teve experiência na gestão pública com participação na Secretaria de Esportes