Dia do TROVADOR

TROVADOR

No dia 18 de julho, comemora-se o Dia do Trovador, data de nascimento de Luiz Octávio, o “Príncipe dos Trovadores”. É considerado trovador um poeta que compõe trovas;  há, também,  sonetistas e poetas de composições livres.  Para ser considerado trovador, o poeta precisa ter conhecimento das normas. Não é fácil compor trovas, elas requerem muita arte, treino e habilidade pois, em quatro versos,  precisam conter uma mensagem.

Conta-se que um trovador ensinava as técnicas da trova, quando um aluno perguntou:

– Mas só posso colocar quatro versos?  Tão pouco!

E o professor respondeu:

– Sim, quatro versos e muito talento, se o tiver!

Bom saber que verso é cada linha de uma poesia, se a trova tem quatro versos, ela tem só quatro linhas. O conjunto de versos forma uma estrofe e as estrofes formam a poesia, independente da quantidade de versos.

A trova é, talvez, o mais difícil gênero de poesia porque precisa ter em seus quatro versos: rima, métrica, síntese, expressão e ritmo.

Apenas para lembrar a história da trova: sabe-se que chegou ao Brasil através dos portugueses, embora seu berço tenha sido a França – vinda do termo “trouver” (achar). Foi muito cultuada em Portugal. Na Biblioteca Nacional de Lisboa há mais de mil composições de trovas compostas entre 1290 e 1325, tendo a trova, então, mais de 700 anos!

A primeira Academia de Trovas fundada no Brasil foi a ABT (Academia Brasileira de Trovas), em 1960, no Rio de Janeiro, atuante até os dias de hoje. Depois,fundou-se a UBT-RJ (União Brasileira de Trovadores) em 1966, com o sucesso de ambas, outras associações trovadorescas foram surgindo pelo Brasil. Jundiaí teve uma seção da UBT, cuja presidente foi a falecida acadêmica Rute Miranda Sirilo, que promoveu cursos na cidade, ensinou as normas, divulgou e promoveu concursos.

A trova, sem que percebamos, está presente em nossas vidas pois, no tempo em que se brincava de roda, as crianças cantavam trovas porque elas têm o ritmo da respiração humana. Reparem:

Ó ciranda, cirandinha/vamos todos cirandar/vamos dar a meia volta/volta e meia vamos dar! O anel que tu me deste/ era vidro e se quebrou/ o amor que tu me tinhas/era pouco e se acabou

Há trovas no Hino da Independência, letra de Evaristo da Veiga e música de D. Pedro I:

Já podeis da Pátria filhos/ver contente a mãe gentil/já raiou a liberdade/no horizonte do Brasil Brava gente brasileira/longe vá temor servil/ou ficar a Pátria livre/ou morrer pelo Brasil!

Por exigir métrica, síntese e rima, a trova é relegada, cede espaço aos versos brancos que não têm essa exigência.  Luiz Octávio a defendia, respondendo em trovas:

– “Qualquer um faz uma trova!”/disseram-me com desdém/fazer…fazer…muitos fazem/o difícil é fazer bem!

Mais vale a filosofia/de uma trova que diz tudo/que uma longa poesia/sem arte e sem conteúdo.      

Vejam o primor desta de Barreto Coutinho:

Eu vi minha mãe rezando/aos pés da Virgem Maria/era uma santa escutando/o que outra santa dizia!

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Percebam a técnica desta de Manoel Fernandes Filho:

Como emblema de esperança/fulgurante, envolto em luz/no semblante da criança/vejo a imagem de Jesus!

Finalizo com estas de minha autoria:

A Justiça é imperiosa/para quem rouba um tostão/mas se torna mãe bondosa/quando o roubo é de milhão!

Dizem que a Justiça é cega/ e ela própria nisso crê/pois os métodos que emprega/mostram bem que ela não vê!

Parabéns trovadores!

JÚLIA FERNANDES HEIMANN

É escritora e poetisa. Tem 10 livros publicados. Pertence á Academia Jundiaiense de Letras, á Academia Feminina de Letras e Artes, ao Grêmio Cultural Prof Pedro Fávaro e á Academia Louveirense de Letras. Professora de Literatura no CRIJU.

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