EU e Chico Xavier

Eu posso dizer que praticamente cresci dentro de um centro espírita. Desde criança, minha avó materna, dona Nina, me levava com ela aos trabalhos das quartas-feiras à tarde no “Operários da Verdade”, na rua Brasil. Com o passar do tempo, fui me aprofundando, fazendo cursos e admirando cada vez mais essa doutrina.

Se para muitos católicos conhecer o Papa é o ápice da religiosidade, para mim, o sonho era conhecer nosso irmão Chico Xavier. Passei então a integrar caravanas que seguiam para Uberaba, onde Chico residia, na década de 90. A saída de Jundiaí era sempre na sexta-feira à meia-noite, com chegada lá às seis da manhã do sábado.

Na primeira vez que fui, confesso que voltei frustrado. Chico não estava bem de saúde e atendia em sua casa. Pacientemente, centenas de pessoas vindas das mais diferentes partes do País aguardavam numa fila em frente à residência. Vez ou outra seu filho, Eurípedes, saia no portão, olhava alguns instantes para todos e escolhia um para entrar, enquanto outros saíam. Foi assim até pouco mais de 21 horas, quando ele informou que Chico precisava descansar e ninguém mais entraria naquele dia. Fiquei de fora, mas não desisti.

Um tempo depois, voltei a Uberaba e cumpri a mesma rotina. Dessa vez deu certo. Nem acreditei quando Eurípedes olhou para mim na fila e fez o sinal para que entrasse. Meu coração disparou, as pernas tremiam. Passei pelo portão e segui por um corredor. Pouco à frente, do lado esquerdo, havia uma pequena livraria, que vendia obras e fotos do médium. A residência ficava à direita e a entrada, como era comum nas casas do interior, era pela cozinha. Dali foi possível avistar Chico na sala, rodeado pelos amigos mais fiéis. Dali também não foi possível passar, pois o espaço estava todo tomado. Não podia imaginar que teria ainda maior emoção, quando Chico anunciou que eu faria a prece da noite, uma rotina em sua vida. E eu estava lá, participando daquele momento sublime. Não me contive. As lágrimas afloraram.  

Ir para Uberaba, então, passou a fazer parte da minha rotina. Poucos meses depois voltei. E Chico, melhor de saúde, tinha voltado a atender na Casa da Prece. A fila era maior ainda do que m sua casa. Houve um momento em que chegou a garoar. Mas ninguém arredou o pé. Quando já estava à porta do salão principal do centro, Chico iniciou um trabalho psicográfico. Minutos depois, fazia a leitura da mensagem que acabara de receber de Meimei.

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Passada a mensagem, a fila voltou a andar. Uma a uma, as pessoas passavam pela mesa onde Chico se acomodava e o cumprimentavam das mais diferentes maneiras. Desde um simples aperto de mão a abraços afetuosos e emocionados. Em retribuição, cada uma recebia do médium um beijo na mão, como se fosse um humilde pedido de benção. 

Chegada a minha vez, nem sabia o que fazer, como agir, o que dizer. Olhei no fundo daqueles olhos cansados e apenas agradeci: “Obrigado por existir em nossas vidas”. Incontinenti, como de praxe, ele agradeceu e beijou minha mão. Só completei: “Deus te abençoe”.

Foi a última vez que vi Chico Xavier encarnado, mas aqueles momentos não sairão de minha memória. Até agora, quando escrevo esse texto, volto a sentir o bem estar que Ele transmitia. Quem sabe, um dia, desencarnado, possa ter mais uma vez o privilégio de estar com Chico Xavier. Quem sabe…


JAMILSON TONOLI

Jornalista e radialista