23, março , 2019
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Foi EXATAMENTE assim

E tudo chega ao fim, não é? E quando uma etapa é concluída, é aconselhável tudo na balança e fazer uma avaliação da vida. E comigo foi exatamente assim: comecei a dar aulas no Mobral, a convite de minha professora de Física, no Experimental,  Yolanda Bastos. Foram dois anos de um trabalho insano e difícil, que me tirava o centro do Mundo, mas que me empenhava e realizava o sonho de ver adultos se alfabetizando. A parte ideológica, prefiro não comentar agora.

Mas eu me sentia vocacionado à Medicina e era isso que perseguia, naquela etapa da Vida. E vai, e vem, e vira e vou para a Educação Física, da PUCCamp, muito empolgado e decidido. Já no segundo ano de faculdade vou substituir professor Vicente Genovez, no Experimental, de onde não mais saí. Ao me formar, concursei e efetivei-me nesta escola, onde acumulei dois cargos: Educação Física e Filosofia.

Na sequência, e imediatamente, recebi convite para ministrar Voleibol, numa faculdade autárquica, onde passei pela vice-direção, assessoria de direção coordenações departamentais e onde pude, também, auxiliar na formação de um corpo docente mais robusto e atualizado, por meio de intensa ajuda para que os docentes mais novos buscassem uma titulação além de professor especialista.

Enquanto estive nesta instituição pela qual nutri uma passionalidade desmedida, prestei concurso e me efetivei na UNESP, o que me leva a me exonerar nos cargos públicos que ocupava no IEEJ, e a iniciar uma carreira acadêmica, buscando cumprir com todas as exigências que ela cobra: pesquisas, extensões comunitárias e docência.

Com o passar dos tempos, numa evolução natural e lógica, e com a titulação dos ex-alunos que atuavam comigo naquela instituição autárquica, percebo que a UNESP cobra mais de mim enquanto a autarquia despreza demais meus serviços, iniciando um período de perseguições infundadas e desagradáveis que passam a me afetar a saúde física e mental.

Interessante que, testemunhado por colegas (que vão de servidores de limpeza e almoxarifado à docentes mais velhos) fui me fortalecendo até me exonerar daquele lugar que era o meu sonho para final de Vida e, de repente, pela inversão de valores, havia se tornado um grave problema a ser resolvido. Exonerando-me, assumi o regime de dedicação exclusiva na UNESP, onde pude me dedicar àquilo que sabia fazer bem: coordenar meu laboratório de estudos e pesquisas em Psicologia do Esporte (LEPESPE), ministrar as disciplinas básicas e aquelas que me eram permitido estruturar (Mídia, corpo e esporte; Aspectos Psicopedagógicos da Educação Física Escolar; Corpo, Religiosidade e Esporte) e agilizar as orientações de mestrado e doutorado que eram de minhas incumbências.

Vale notar que, por ambas instituições de ensino superior em que lecionei, sempre estive entre os paraninfos e patronos das turmas, com frequência anual. Entendo que seja um indicador de boas relações. Entendo. Mas, seguimos o caminho. Criamos o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Humano e Tecnologias, com a ajuda incansável da amiga e ex-professora Dra. Ana Maria Pelegrine, que já teve sua autorização com nota CAPES 4. Melhor presente não poderia receber.

Entre tudo isto, encarei a presidência da Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte (SOBRAPE) e dois pós-doutorados fora do Brasil, dos quais relevo a grande aproximação com a Universidade de Braga e com o laboratório de Psicologia do Esporte do Prof. Dr. Rui Gomes, hoje grande amigo.

O LEPESPE passa a ter uma visibilidade ampliada em inicio dos anos 2000, quando recebe reconhecimento internacional e alcança notoriedade ao ter seus trabalhos divulgados nos grandes congressos mundiais e internacionais, além das revistas indexadas que veiculam resultados científico-acadêmicos. Muitos dos membros do laboratório ocupam cargos em universidades públicas do Brasil e fora, atualmente.

O PPG-DEHUTE(Programa de pós-graduação em Desenvolvimento Humano e Tecnologias) cresce, como deveria ser, e atinge seu ápice, ao atingir o conceito CAPES 5. Neste momento, deixo a coordenação do mesmo, com intenção de ampliar a atuação no laboratório, que passava a atuar com Corpos Modificados e Masculinidade no esporte, assuntos estes que tomavam muito tempo e atenção, tanto no estudo quanto na pesquisa.

Pioneiramente, o laboratório passa a pesquisar por meio da internet, agilizando e ampliando o número de coletas de dados, quando não tendo facilitada a tabulação dos resultados. A integração homem-máquina foi essencial para o crescimento do grupo e para ampliar a atuação diante da sociedade acadêmico- cientifica da Psicologia e Psicologia do Esporte. Jovens pesquisadores se agregaram ao nosso grupo e, inusitadamente recebemos o Prémio de Internacionalização, concedido pela Wingate University Israel. O fato de estarmos pesquisando e intervindo no ciberuniverso trouxe-nos este e outros elementos de muito crescimento e muito estudo.

As relações internacionais foram se estendendo, alunos e orientandos passam a estudar em laboratórios do exterior, agregando valores lá e aqui, fazendo com que a UNESP se tornasse mais e mais conhecida pelo seu LEPESPE, visto que seus membros circulavam pelos ambientes mais variados da Psicologia à Informática.

Tudo isso sempre foi enredado por intervenções e participações em revistas nacionais e internacionais, em que atuo como editor ou revisor. O Brazilian Journal of Sport Psychology é fruto do LEPESPE é veiculo de comunicação cultural-científica da área.

Neste momento, após uma cirurgia de prótese total de quadril, que me possibilitou uma avaliação intima e profunda sobre meu caminho e meus agregados, decido ser este o momento de mudança de rumo, novamente. Aposento-me, repenso minha historia de Vida, e, agora, já psicólogo de orientação Cognitiva Comportamental, busco fôlego para atendimento clínico e aplicação de conhecimento no LEPESPE.

Termino 2018 com uma sensação de dever cumprido. Um ano difícil mas inesquecível, diante das tremendas e incansáveis batalhas que possibilitaram agregar valores e aprendizagens inusitadas. Mudanças de rumos, de parcerias, de agregados e de Vida. Como deveria ser.

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E se fosse para começar, faria tudo outra vez, na mesma ordem. Na mesma sequencia e na mesma intensidade. Agradeço a tudo que tive e perdi, aos que partilharam e aos que pilharam, aos que ajudei e aos que prejudiquei (não sou perfeito), agradeço acima de tudo aos pais que tive e que me possibilitaram enxergar a Vida, como ela deve ser vista.

E espero 2019, com consultório montado, com laboratório voando e aulas preparadas, porque a Vida continua e ela é linda. Digna de ser vivida com intensidade. Aliás, como sempre digo, só sei ser professor, portanto preciso me preparar muito para fazê-lo bem. Espero conseguir.


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.

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