Cineasta Marco Antônio Pereira

48º Festival de Gramado, um dos mais importantes do cinema nacional, será aberto hoje com o curta 4 Bilhões de Infinitos. Dirigido pelo mineiro Marco Antônio Pereira, de 33 anos, a obra de ficção mostra uma família sem energia depois da morte do pai. Enquanto a mãe trabalha, os filhos ficam em casa conversando sobre como ter esperança. O curta concorrerá ao troféu Kikito. A esposa dele é de Jundiaí e o cineasta está morando na cidade desde o início da pandemia. A abertura do festival será transmitida pelo Canal Brasil(TV a cabo), a partir das 20 horas. O Jundiaí Agora entrevistou Pereira, formado em jornalismo e com formação na Escola Livre de Cinema de Belo Horizonte:

Por que decidiu se mudar para Jundiaí?

Minha esposa é de Jundiaí. Então, nesse tempo desenvolvi uma relação de afetividade com a cidade também. Além de ter muitos amigos aqui na redondeza, de estar mais perto dos aeroportos. Isso facilita demais fazer qualquer tipo de viagem. Nasci em Cordisburgo, a quase 100 quilômetros de Belo Horizonte. Morei lá até os 19 anos. Depois fiz faculdade na capital mineira, onde morei sete anos. Depois morei em Campinas dois anos. Voltei a morar em Cordisburgo e agora desembarco em Jundiaí. Há quatro anos me casei em Jundiaí.

O que está achando da cidade?

Eu passo muito tempo em Jundiaí desde 2017. No início da pandemia viemos pra cá e ficamos até agora. Eu gosto de Jundiaí, é uma cidade com uma infraestrutura muito boa além de ter muitos recursos necessários para essa atividade na qual eu atuo.

Como vê a cena cultural da cidade?

Eu tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas da área cultural, como por exemplo o Marcelo Silva da Câmara Setorial do Audiovisual. Também tive conversas com algumas pessoas da Secretária de Cultura. Mas realmente, devido a pandemia, as coisas estão andando um pouco devagar. Nós até criamos um grupo chamado AudioVisual Jundiaí. Temos a intenção de fazer alguns trabalhos para fortalecer a união entre os artistas da cidade. Na minha visão, Jundiaí tem tudo para se tornar referência no campo do cinema, no Brasil e no Mundo.

Existem outros cineastas por aqui?

Existe um movimento audiovisual aqui em Jundiaí, algumas produções já foram realizadas, algumas através de leis de incentivo, mas a grande maioria das produções são na guerrilha mesmo… Soube de um número de pessoas produzindo curtas metragens, documentários, mas ainda é um movimento pequeno perto de outros como teatro, dança e música… A cidade já possui um festival de curtas metragens, que está indo para o terceiro ano em 2020, mas a maior dificuldade do setor é o ponto de referência, de encontro, onde as pessoas possam se procurar pra trocar ideias, debater produções. O cineclube que tinha aqui seria este espaço, mas está parado… Mas as pessoas desse grupo tem o desejo, de mudar esse cenário, talvez com a criação de um coletivo, quem sabe, que esse espaço seja esse ponto de encontro desses realizadores aqui de Jundiaí, além das pessoas envolvidas nesse grupo, existe o projeto Câmera na Mão e Cinema e Literatura da ONG VidapontoCom que trabalha com adolescentes , existe os trabalhos da Leso Filmes, e tem mais gente por aí. Seria legal todo mundo se encontrar pra debater o cenário audiovisual da cidade. Eu estou chegando agora, mas estou muito animado em ajudar.

Você só faz curtas? Fale um pouco da sua trajetória…

Depois de trabalhar 10 anos com produção audiovisual, em 2017 eu comecei a produzir meus filmes autorais e originais focado no cenário de cinema. Então, nesses três anos eu fiz quatro curtas e estou trabalhando no projeto do primeiro longa oficial para ser lançado no cinema. Os curtas me levaram a muitos lugares. Eles foram exibidos em quase todos os festivais aqui no Brasil em muitos festivais importantes em outros países como Alemanha, EUA, China, Chile, Egito, Canada…

Do que se trata seu novo curta, 4 Bilhões de Infinitos? Foi feito em Jundiaí?

É um filme de ficção com roteiro original, gravado antes da pandemia, em Cordisburgo. O filme acompanha uma família após a morte do pai. Devido a algumas dificuldade a energia de casa foi cortada. Enquanto a mãe trabalha, seus filhos ficam em casa conversando sobre ter esperança

Transportando para a realidade, este tema tem a ver com o atual momento que vivemos, coronavírus, morte, necessidade de ter esperança em algo?

Nesse momento, em que muitos de nós fomos obrigados a ficar em casa, percebemos o quanto necessitamos da arte para fazer nossa vida mais feliz. O filme aponta para isso. Algumas pessoas não conseguem entender o valor da arte, mas é ela que nos ajuda a dar significado para existência, a construir e guardar nossa memória. Muito além desse valor sentimental, existe o valor econômico. Quando paramos para pensar que uma em cada dezesseis pessoas no mundo, trabalha com arte e cultura. São milhões de pessoas no Brasil que trabalham direta ou indiretamente com arte, movimentando bilhões todo ano. São muitas famílias que tiram seu sustento desse setor. Isso tudo vai de encontro à atual falta de incentivo que os trabalhadores cultura tem enfrentando nos últimos anos. A pandemia também afetou diretamente o setor cultural. Cinemas, shows, teatro e todas as atividades que promovem aglomeração tiveram que parar. Nesse sentido, o filme demonstra as dificuldades das personagem e a vontade de ver as coisas acontecendo num cenário não está tão favorável.

O seu curta foi escolhido para abrir o festival de Gramado? Por quê?

São inúmeros motivos para a escolha de um filme na seleção, mas esses são difícieis de definir. Até porque, eu não cheguei a conversar com os programadores para sabe o motivo. Mas eu acredito que o filme traz uma mensagem bonita para os dias atuais, de irmandade, de resistência e de esperança ideal para abrir um festival de cinema.

Quando será? Como assistir?

A exibição será na sexta-feira, dia 18, às 20 horas. O curta será exibido diretamente no Canal Brasil. Depois fica 24 horas disponíveis no site do CanalBrasilPlay.

Como saber mais sobre seu trabalho?

Eu sempre posto tudo que está acontecendo através do Instragram, no Youtube e no Facebook: www.youtube.com.br/osupermarco; www.instagram.com/osupermaco e www.facebook.com/marcoantoniopereiracinema

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