A vida está agitada: faculdade/trabalho/estágio/namorado. Talvez não nessa ordem, nem tudo isto, mas, não muda o fato de que as responsabilidades aumentaram e, se a nossa garota resolveu fazer faculdade longe da família, soma-se a separação, o corte definitivo no cordão umbilical (no sentido figurado, é claro!). Ela finalmente se tornou uma mulher. Quanta responsabilidade!

Dois pontos de vista a analisar então. O ponto de vista materno/paterno de perda de domínio e de casa vazia. Do ponto de vista da jovem, o medo do desconhecido e a inexperiência. Com o tempo, nova rotina é estabelecida e estes sentimentos vão sendo substituídos por outros, ambas as partes ficam mais seguras e a vida segue.

Ao longo desse processo de amadurecimento, às vezes, os papéis podem se inverter e não raro, a menina consola sua mãe (o lado mais vulnerável e sensível do casal).

O amor antes estabelecido aparentemente em via única, de mãe para filha, retorna de filha para mãe. Aspectos antes não compreendidos pela jovem, agora passam a ter novo significado, afinal, o amor, a compreensão e o entendimento, são uma bomba química cerebral. Assim explicam os neurobiólogos.

A nossa velha conhecida ocitocina, atuante desde o parto para auxiliar na chegada do bebê, comprimindo os alvéolos mamários para facilitar a sucção do lactente e atuando numa região cerebral chamada de Sistema de Recompensa (composta pelo córtex pré-frontal, núcleo accumbens e área tegmental ventral), é uma verdadeira bomba de emoções positivas.

É pura química! Ou estritamente biologia? Não importa! O essencial é o amor. O mecanismo é tão perfeito, que sem esses hormônios, não há amor.

Estes circuitos ativados nos levam a querer mais daquilo que nos dá prazer, da mesma forma que os opiáceos, sintéticos ou naturais, agem, ambos nos dão prazer, felicidade e sentimento de plenitude.

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Infelizmente, tudo isso está acontecendo ao mesmo tempo em que a jovem passa por um turbilhão de provas, trabalhos, estágios e, por vezes um namoro, um ‘ficante’, ou seja lá como elas chamem hoje, e para quem ficou para trás, fique a impressão de que não faz mais parte da vida dela.

Ledo engano. Não há nada que dê mais conforto e satisfação do que retornar ao lar materno, símbolo do amor e segurança em que viveu boa parte de sua curta vida. Novamente, a busca pelo “Sistema de Recompensa Neural”.

A faculdade acabou. Hora de decidir para onde ir.

As opções são tantas, dentro de um mesmo caminho, que muitas vezes deixa a jovem perdida. Segundo Confúcio: “Escolha um trabalho do qual goste e não terás que trabalhar nem um dia de sua vida”.

Nem sempre essa escolha é tão direta ou fácil: escolher entre ganhar dinheiro ou ser feliz. É possível ter os dois? Não é fácil, mas é possível. Escolher fazer o que lhe agrada já é um passo enorme, pois, novamente, o prazer nos faz enxergar o mundo mais colorido e feliz, o que reflete no desempenho.

Vamos supor que nossa garota fez a escolha de ser feliz, não necessariamente ser rica. Provavelmente ela usará a mesma metodologia para escolher o marido.

Veja bem, existem algumas chances na vida de nos tornarmos ricos: nascer em berço esplêndido (não foi o caso), ganhar na loteria (ela detesta jogos) ou casar com um homem rico (ela escolheu ser feliz, lembra?).

Talvez escolherá o príncipe encantado que pega o mesmo ônibus que ela. Sem problemas! Construirão seu palácio em qualquer pedaço de terra que conseguirem comprar.

A natureza ainda diz que, a mulher, deve se reproduzir logo, quando ainda for uma jovem adulta, pois seus óvulos foram produzidos durante a gestação, visto nesta série de artigos na “parte 2”(até a 12ª semana estão prontos). Conclusão: nossos óvulos têm, exatamente, a nossa idade. Desta forma, quanto mais esperamos para ter nossos filhos, mais velhos e defeituosos estarão nossas células reprodutoras.

É interessante que o momento de querer ser mãe chega para algumas e para outras não. Ser mulher não implica ser mãe. Uma confusão perpetuada desde tempos imemoriais.

Apesar de muitos casais optarem, atualmente, por não ter filhos, o “não quero ter filhos” provoca mais desordem social do que o “não quero casar”. Principalmente se estas palavras saírem da boca de uma mulher, ela rapidamente será julgada uma pessoa egoísta, porém ninguém fica de boca aberta se um homem disser isto.

Mundo moderno e, ainda, muito machista.

Supondo que prefira ser mãe, não há um evento fisiológico que deflagre esta vontade. Ao menos não algum conhecido. Por enquanto.

É isto que torna a ciência intrigante: a sua fluidez, dinamismo, as incessantes descobertas, acrescentar, tirar, multiplicar, dividir, nunca jamais parar.

O instinto maternal não passa de uma crença na “mulher idealizada”. De verdade trata-se apenas de uma ligação forte com o seu relógio biológico, que corre mais rápido em relação ao dos homens, devido, principalmente, à idade de seus óvulos, além da segurança em ser mãe. Quando a mulher se sente pronta, a vontade de ser mãe aflora.

E então, nossa menina escolhe o príncipe encantado e aguarda o chamado da natureza para realizar a vontade de ser mãe. O casamento acontece, ou não. Mas isso não importa, pois, a tia chata vai cobrar o casamento, depois disto o primeiro filho, em seguida cobra o segundo filho e depois, só Deus sabe o que essa mala pode pedir!

Como é uma mulher moderna ela não dará ouvidos e nem se importará com as cobranças. Ela sabe que o único lugar onde reside a sua felicidade é em si mesma. Nada, nem ninguém poderá interferir no seu projeto de vida.

Um novo ciclo iniciará propiciando uma nova geração em plena formação em suas mãos. Perceberá, assim como sua mãe percebeu,que não existem posições: em pé, sentada ou deitada que seja confortável. Os pés parecem um par de batatas e nenhum sapato normal serve. E o nariz? Por que fica tão grande?

O inchaço (ou edema) é normal, principalmente, no final da gestação e nos membros inferiores, devido ao aumento do tamanho e peso do bebê, pois comprimem os vasos sanguíneos na região pélvica, mas também afeta de forma menos intensa outras partes do corpo.

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Vimos que, durante o parto, vários hormônios atuam em conjunto para trazer nossa garotinha aos nossos braços e que, definitivamente, estabeleceu-se o amor maior de nossas vidas, mas agora é a vez da filha ser mãe. E como num grande circulo da vida, a história se repete.

Amo minha mãe e, graças a Deus, ainda posso desfrutar de sua companhia todas as semanas do ano. Quando meus meninos nasceram (primeiro o Daniel e três anos depois, o Vinícius) soube naquele momento que eu poderia amar ainda mais.

É indescritível o sentimento materno. Só quem vivenciou pode tentar explicar, embora, tenha receio de que falharia, assim como eu. E mais inexplicável ainda, é como esse sentimento cresce, duplica, triplica,  fica infinito, à medida que conhecemos mais e mais esta pequena criatura enviada para nos ensinar.

Sim ensinar. Ensinar a amar outra pessoa mais do que a nós mesmos. Ensinar a perdoar tão rapidamente quanto uma piscada d´olhos. Ensinar a tolerar as diferenças. Ensinar a caridade em sua forma mais ampla. Ensinar a viver de acordo com as virtudes cristãs.

E eles não fazem a menor ideia da revolução espiritual e física que provocaram e que ainda vão provocar, por que ser mãe é a experiência mais dolorosamente fantástica que já vivi. (foto principal: www.igospel.org.br)

 

FINALMENTEELAINE FRANCESCONI

Bacharel em Zootecnia (UNESP Botucatu). Licenciatura em Biologia (Claretiano Campinas). Mestrado (USP Piracicaba) e doutorado (UNICAMP Campinas) em Fisiologia Humana. Professora Universitária e escritora