FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ: A coragem de um jovem cientista

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No próximo dia 11 de fevereiro fará 104 anos que Oswaldo Cruz, o grande sanitarista brasileiro, faleceu. Impressionante como suas obras e seu legado à humanidade permanecem indeléveis. Quando visitei a Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz), na avenida Brasil, Manguinhos, no Rio de Janeiro, com sua parte frontal voltada para a Baía de Guanabara, senti forte emoção ao imaginar o desvelo e a coragem que aquele jovem cientista teve para conseguir seu objetivo. Ele pensava e agia com sagacidade, com a certeza de estar fazendo o melhor.

A Fiocruz é um castelo mourisco idealizado e desenhado por ele. A grandiosidade da construção em granito, pedra-sabão e paredes revestidas com desenhos mouriscos, leva o visitante a acreditar no sonho que o jovem cientista tinha na transformação do Brasil e na tentativa de modernizar o país, comparando-o, quem sabe, à adiantada Europa da época. Grandeza cívica, nacionalismo!

Por que essa grandiosidade, quando a fome, a peste e a subnutrição do povo grassavam num país pobre, no princípio do século XX?

Segundo funcionários, Oswaldo Cruz queria, ao construir o castelo em cima de uma colina, que todos o vissem e imaginassem a importância da saúde e da ciência para bem do povo e da nação.

As pesquisas e investigações sobre o controle das pestes, que assolavam nosso país na época, não foram feitas nesse prédio, tudo foi estudado e desenvolvido no Instituto Soroterápico, uma pequena construção datada de 1900, conservada até hoje, no próprio parque. Este ano estará completando 121 anos.

Em 1903, tendo esse pequeno laboratório como base de apoio técnico-científico, o sanitarista deflagrou as campanhas de saneamento contra a febre-amarela, a peste bubônica e a varíola, males que matavam milhares de pessoas. Esse ato provocou intensa revolta popular.

No dia 13 de fevereiro de 1903, estourou a “Revolta da Vacina”. O presidente Rodrigues Alves decretou estado de sítio e impôs, ao povo, a vacinação compulsória contra as pestes.

Alguns órgãos de imprensa, políticos de oposição a Rodrigues Alves e muitos intelectuais da época se opuseram à vacinação obrigatória.

O influente político e intelectual Rui Barbosa fazia discursos inflamados contra a vacina,  dizia que a obrigatoriedade era uma violação à liberdade individual dos cidadãos.

Em novembro de 1904, a cidade do Rio de Janeiro viveu uma terrível revolta popular, os discursos inflamados insuflavam o povo e o cenário era desolador: bondes tombados, trilhos arrancados, lampiões quebrados e calçamentos destruídos pela população revoltada. Muitas pessoas morreram, outras tantas ficaram feridas, 945 foram presas e 461 deportadas. Com isso, o governo foi pressionado a revogar a obrigatoriedade da vacinação, continuando, apenas, para quem quisesse trabalhar, estudar ou se casar.

Mas, nem toda a população era contra, muitos se vacinaram por livre vontade ou pelas condições impostas. Assim, o cientista venceu e o número de pessoas doentes foi diminuindo. Em 1907, houve a erradicação da febre amarela. Em 1908, quando estourou violenta epidemia de varíola, o povo correu aos postos de vacinação. O trabalho do cientista estava sendo reconhecido.

Rui Barbosa, que havia atacado Oswaldo Cruz e a obrigatoriedade da vacina, reconheceu seu erro, deu valor ao cientista e outros o acompanharam. A crise se acalmou. Rui Barbosa subiu à tribuna para elogiá-lo!

Oswaldo Cruz tinha, então, 28 anos e foi o primeiro diretor técnico do Instituto Soroterápico. Com o apoio do governo e de outros interessados nas áreas da saúde e pesquisas, iniciou a construção do atual prédio.

Em 1915, por motivo de saúde, afastou-se das pesquisas e da construção. Não viu seu projeto finalizado, faleceu em 11 de fevereiro de 1917,antes da inauguração – que ocorreu em 1918. O cientista tinha, apenas, 45 anos. A instituição foi denominada, em sua honra: Fundação  Oswaldo Cruz.

Hoje, paralelamente, o Instituto Butantan (fundado em 1901, em São Paulo) e a Fundação Oswaldo Cruz se destacam na excelência das pesquisas e na produção de imunobiológicos, sendo as maiores instituições na área da saúde na América Latina, símbolos nacionais!

Não podemos nos esquecer do também importante Instituto Vital Brazil, fundado em 1919, em Niterói(RJ). Em nova sede desde 1943, é uma instituição de pesquisa, formação e produção de soros, vacinas e remédios. No momento, desenvolve pesquisa, junto com a Fundação Oswaldo Cruz, para a vacina contra o Coronavírus. Também digna de aplausos!

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JÚLIA FERNANDES HEIMANN

É escritora e poetisa. Tem 10 livros publicados. Pertence á Academia Jundiaiense de Letras, á Academia Feminina de Letras e Artes, ao Grêmio Cultural Prof Pedro Fávaro e á Academia Louveirense de Letras. Professora de Literatura no CRIJU.

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