Rosa, 102 anos – Conjunto de circunstâncias resultam em INOVAÇÕES

INOVAÇÕES

A Escola Professor Luiz Rosa, apesar dos 102 anos, não parou no tempo. Sempre absorveu as mudanças de comportamento, cultura e, é claro, no ensino. O resultado veio através de inovações marcantes. O Rosa teve um grupo de teatro reconhecido nacionalmente. Implantou o curso de Publicidade quando comercial de televisão ainda era chamado de ‘reclame’. Deu bolsa de estudo para quem praticava atletismo e mudou seu sistema de avaliação para o mesmo que é usado pelas faculdades.

Para Fernando Leme do Prado(foto ao lado/anos 80) que por mais de três décadas dirigiu a escola, estas inovações só foram possíveis graças a um conjunto de circunstâncias. O ex-professor e advogado Ulisses Nutti Moreira, que comandou o Teatro Estudantil Rosa(TER) por mais de uma década, concorda.

Circunstâncias, aliás, únicas. Fernando começou a ter uma participação maior na direção da escola nos anos 1970. Ele administrou o Rosa até 2012. Antes, o pai dele – professor José Leme do Prado – era o responsável. “As circunstância vieram com o próprio tempo no qual vivíamos, as pessoas que estavam aqui, as ideias e experiências. Tudo isto possibilitou as mudanças do Rosa”, lembra.

Começando pela época. O Brasil vivia o regime militar que dava ênfase para o ensino profissionalizante. “As escolas eram obrigadas a ensinar uma profissão no segundo grau. Infelizmente, no Brasil sempre existiu a ‘cultura do anel’, que menospreza quem opta por uma escola profissionalizante”. A exigência caiu e a Escola Professor Luiz Rosa manteve as aulas de Publicidade, Administração e Informática.

Teatro Estudantil Rosa: os professores Fernando Leme do Prado e Ulisses Nutti Moreira na sala 10…
…que um dia foi porão e depois de reformada se transformou no Teatro Estudantil Rosa

O sistema de avaliação – com a inclusão da famosa ‘DP'(dependência) veio na década de 80. No Rosa, o estudante que vai mal numa matéria não reprova em todas. Fica de ‘DP’, podendo fazer apenas aquelas aulas no próximo semestre ou ano. “O sistema para avaliar um estudante deve ser simples. O Rosa optou por isto e sempre foi uma escola atualizada e mutante, fugindo do que era costume em outros locais”.

As bolsas de atletismo vieram com o gosto de Fernando pela corrida pedestre. Ele costumava ir à pista do Bolão e lá se aproximou do então técnico da Associação Jundiaiense de Atletismo(AJA), Amaro Barbarini. “Eu via os garotos chegando para treinar e logo iam comer um lanche. Perguntei para o Amaro se não fazia mal se alimentar e ir treinar. Ele respondeu que para muitos aquela era a única refeição do dia”, lembra. Atletas como Fátima Germano, hoje treinadora em São Paulo, e João do Martelo(já falecido), treinavam, competiam por Jundiaí e tinham bolsas.

Major Evaporê Machado(1º em pé à esquerda); Fernando; Ariovaldo Zaniratto, Ulisses e outros, no time de professores 

O Teatro Estudantil Rosa é um capítulo à parte na história do Rosa. Também graças às circunstâncias que uniram a decisão de José Leme do Prado de transformar um porão em um teatro, a amizade de Fernando e Ulisses e iniciativa dos próprios alunos, o TER participou e ganhou importantes festivais. Em Jundiaí, enquanto existiu, o grupo teatral da Escola Professor Luiz Rosa participava de concursos em categorias especiais. Ou seja: se competisse com os outros grupos da época ganharia sem muito esforço(saiba mais sobre o TER lendo a matéria abaixo).

As conjunturas que levaram o Rosa às inovações que marcaram os últimos 40 anos não podem ser repetidas, segundo Fernando. “O livro Meninos do Brasil, de Ira Levin, mostra bem isto. Tentam fazer clones de Hitler. Mas devido a uma série de fatores, as crianças que nascem, mesmo que parecidas, não são iguais a ele. No nosso caso, até tentamos reviver o teatro. Mas não foi igual”, conclui.

TER, do porão ao reconhecimento de grandes atores e escritores

O Teatro Estudantil Rosa(TER) é o exemplo de que época, lugar, pessoas, experiências de vida podem resultar em algo memorável. Começando pela amizade entre Fernando Leme do Prado e Ulisses Nutti Moreira(foto ao lado). Os dois se conheceram no final da década de 1960. Um torneio de voleibol entre faculdades trouxe Ulisses para Jundiaí. Ele cursava a PUC São Paulo. Fernando, a PUC Campinas. Os times de Jundiaí e Mauá também estavam no campeonato.

Ulisses afirma que o jogo entre o time dele e Jundiaí teria contado com a ajuda de Fernando, chamado para atuar como juiz. “Fomos roubados mas ganhamos de 2 a 1”, brinca. O então estudante de Direito acabou indo a uma festa onde estava aquela que viria ser sua esposa, Lucemi. A casa era vizinha a de Fernando. “Na hora que eu o vi pense: olha só onde estou me metendo”, relembra. De São Paulo, Ulisses foi para Tupã trabalhar na Cia Paulista. Acabou sendo transferido para Jundiaí.

“Mudar de cidade é sempre difícil. Mudar para Jundiaí, na década de 1960, era ainda mais”, diz o advogado. Ele acabou sendo convidado por José Leme do Prado para dar aulas no Rosa. “Entre outras, assumi a cadeira de professor de Educação Artística porque eu sabia tocar acordeon”, relembra. 

Formatura de 1979: Ulisses Nutti Moreira, a esposa Lucemi e Neusa Montagnoli.

Um dia, Ulisses foi avisado que o porão da escola – hoje a sala 10, usada como espaço para atividades diversas dos estudantes – se transformaria num teatro e ele seria o responsável pelas aulas. “Até perguntei se estavam brincando. Eu não tinha nenhum experiência a não ser as apresentações escolares e assistir as peças do Tuca, em São Paulo”, comenta.

Ulisses pediu ajuda para um amigo que fazia parte do Tuca e foi orientado a ler alguns livros. Ele estudou, os alunos foram se envolvendo e o TER começou a nascer. “Após algumas apresentações fomos incentivados a formar um grupo teatral pelo Tião Penteado, que era ator e diretor na cidade, e também pelo Eduardo Tomanik”, conta. A primeira peça foi “A Vida”, de autoria de Carlos Martini, aluno do Rosa.

O que começou como algo improvisado se tornou um dos melhores grupos de teatro amador de São Paulo. O nome da Escola Professor Luiz Rosa, através do TER, ganhou projeção. O grupo passou a contar com o apoio da professora Mercedes Cruañes Rinaldi(foto ao lado). “Era uma mulher inteligente, culta, que cuidava dos nossos figurinos”, afirma Ulisses. E assim, o Teatro Estudantil Rosa ganhou corpo, passou a participar de concursos locais com os grupos que utilizavam o teatro das Indústrias Latorre até que Jundiaí ficou pequena demais. 

O auge do TER foi entre os anos de 1975 a 1982. “Fomos o único grupo amador a participar do Festival de Teatro do Guarujá”, explica o ex-professor que, ao ser questionado sobre a censura militar, afirma que o grupo nunca sofreu nenhuma censura. “Isto que falam é conversa mole. Nunca tivemos nenhuma interferência dos militares no nosso teatro”. 

Conforme o tempo passava, Ulisses aumentava os desafios para o grupo. Encenaram peças como “O Inspetor Geral”, de Nikolai Gogol; “Castro Alves Pede Passagem”, de Gianfrancesco Guarnieri” e “Dr. Fausto da Silva”, de Paulo Pontes, que mostrava uma mistura de apresentadores de televisão da década de 1960. Foi com esta peça que o TER disputou o Festival de Teatro Amador de Tatuí, um dos principais da época. E ganhou. “Cleide Yáconis era uma das juradas. Ela me encontrou depois da apresentação e disse que eu era um louco”, conta satisfeito Ulisses Nutti Moreira.

A atriz consagrada tinha razões para tamanho espanto. Ulisses colocou cerca de 50 jovens no palco, usou recursos impensados na época, como dois televisores durante a encenação. “O TER ganhou tudo. Menos eu. O prêmio de melhor diretor ficou para o colega de Tatuí, cuja peça também era muito boa. A Cleide Yáconis veio explicar para mim que decidiram premiar o rapaz porque ele queria viver só do teatro e eu já tinha outra profissão, já atuava como advogado. Eu achei que eles foram corretos”, diz ele. Acima, áudio de Antônio Carlos Caparroz capturado durante apresentação de Dr. Fausto da Silva.

O prestígio do TER era tanto que a escola sempre recebia atores e escritores famosos. Na foto acima, José Mauro Vasconcelos, autor do livro “Meu Pé de Laranja Lima” visitou o Rosa em 1973. Ulisses; a esposa e José Leme do Prado acompanharam o autor. Gianfrancesco e o filho, Flávio Guarnieri; Marcos Caruso e outros também se relacionaram com os integrantes do Teatro Estudantil Rosa.

Hoje, Ulisses não pensa numa volta aos teatros. O esforço e o sacrifício são enormes. “Vou, quando posso, assistir a uma peça. O que ficou daquele tempo é a saudade”, conclui. Por outro lado, ficaram também os amigos. O Teatro Estudantil Rosa rendeu 10 casamentos. Três deles tiveram a festa realizada na própria escola. Hoje, um grupo de Whatsapp encurta a distância de quem viveu uma experiência incrível no minúsculo palco construído num porão adaptado…


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