16, janeiro , 2019
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Na Irlanda, Pâmela foi xingada, quase agredida e recebeu CARINHO

Em 1989, a ex-professora Pâmela Gonçalves de Souza ‘escolheu nascer em Jundiaí’. É assim que ela responde quando perguntada sobre sua cidade natal. Aqui, ela veio ao mundo. E só voltou para a cidade, para estudar, quando completou 18 anos. Hoje, a ‘jundiaiense de passagem’ vive na Irlanda com o marido e a filha. E lá já viveu os dois lados da mesma moeda: foi xingada e quase agredida fisicamente por ser brasileira. E, pelo mesmo motivo, é recebida com muito carinho por irlandeses que convivem bem com imigrantes. A entrevista com ela(na foto acima pertinho de Abbey Castle).
Você nasceu em Jundiaí mas seus pais não moravam na cidade. Conte como foi esta história…
Nunca morei em Jundiaí, mas brinco que escolhi nascer aí. Minha mãe havia passado por dois hospitais em cidades diferentes, Franco da Rocha e Francisco Morato. Os médicos alegavam que não estava na hora de eu nascer, e a recusaram como paciente. Ela foi para Jundaí, onde nasci de oito meses. Retornei para a cidade com 18 anos. Passei no vestibular da Fatec, que cursei durante um ano. Estudei inglês na CNA da vila Arens por seis meses. Também cursei na UPtime. Trabalhei na empresa Fidelity por três anos. Atuei em várias áreas, do call center ao backoffice. Também fui professora da rede pública de ensino. Trabalhei e estudei em Jundiaí.
Por que se mudou para a Irlanda?
A princípio seria para fazer intercâmbio de inglês. Estava na faculdade e o idioma era necessário para acessar melhores oportunidades. Também estava muito desgostosa de ser professora. Estava realmente buscando melhores oportunidades.
Dava aulas de quais disciplinas?
Ciências e Biologia…
Há quanto tempo vive na Irlanda? Aliás, em qual cidade mora?
Moro em Dublin há seis anos.
O que faz aí?
Trabalho com atendimento ao consumidor como atividade principal e com figuração em novelas, filmes e comerciais como atividade secundária.
Seu marido é brasileiro? E sua filha?
Sou casada com um brasileiro naturalizado português, Bruno Vasconcelos. Minha filha, Hazel, de três meses, é irlandesa.
O que mais gosta e o que menos gosta do país onde vive hoje?
Gosto da tranquilidade e segurança, do incentivo à cultura em geral. Tem um teatro a cada esquina e totalmente acessível. O clima é algo que realmente ainda me incomoda muito….
Tem parentes em Jundiaí?
Não tenho familiares de sangue, mas tenho de coração. Grandes amigos que amo muito. Voltei ao Brasil apenas uma vez nestes seis anos. Pretendo voltar em breve e quero visitar a todos!
Do que mais tem saudade?
Certamente o calor. Não apenas de temperatura, mas calor humano que nos brasileiros temos. Sinto muita falta dos amigos e familiares também. Da comidinha com tempero caseiro e muita saudade de comprar pão quentinho na padaria. Aqui na não existem padarias iguais as do Brasil.
E o que menos sente falta de Jundiaí?
Do transporte público. Moro no centro de Dublin e faço grande parte das minhas atividades a pê. Tudo é perto.
Está bem adaptada? Ou algo ainda a surpreende?
O clima me impacta. Chove quase todo o ano em Dublin. Sempre está ventando. É muito frio e raramente se vê o céu azul, porque sempre as nuvens estão sempre carregadas e cinzas. A temperatura no verão, com raridade chega aos 28 graus. Isto dura apenas algumas semanas.
Chegou a pensar em abandonar tudo e voltar para o Brasil?
Sim, atualmente isto ocorre. Mesmo depois de seis anos morando aqui. Nunca cheguei a arrumar as malas, mas penso que nunca vou me adaptar a este clima.
Os irlandeses respeitam os brasileiros? Ou por aí não somos levados a sério?
Acredito que isso seja muito relativo. Depende muito do ambiente e do perfil de algumas pessoas. Como ignorância não escolhe nacionalidade e sim sujeito, ficamos a mercê. Mas sim, já sofri discriminação após confirmar minha nacionalidade brasileira. Sofri agressão verbal de um idoso. Ele me xingou e mandou eu voltar para o Brasil. Também sofri agressão física de adolescentes que atiraram pedras com o objetivo de me acertar. Este tipo de comportamento não está atrelado apenas a uma única nacionalidade. Os agressores são, em geral, pessoas que não gostam de nenhum imigrante. Da mesma forma já aconteceu ao contrário. Após contar que sou brasileira fui recebida de mora mais carinhosa já que somos reconhecidos como um povo esforçado, trabalhador, feliz, que abraça, beija e conversa com todo mundo.
Vergonha ou orgulho de ser brasileiro? Qual o sentimento que você mais sente por aí?
Em alguns momentos específicos já me senti triste em compartilhar da mesma nacionalidade de alguns que se tornaram headline (manchete) em matérias policiais. Como a comunidade brasileira na Irlanda é muito grande, infelizmente não e tão raro isso acontecer. Houve um caso de grande repercussão aqui envolvendo brasileiros. Fecharam uma escola e uma agência de intercâmbio que estavam vendendo vistos. Vários futuros intercambistas levaram calote e diversos pararam de estudar mesmo já estando na Irlanda. Isto foi tratado com estardalhaço enorme pela imprensa local. Sobre sentir orgulho, já fui elogiada no trabalho, pelo simples fato de ser brasileira. Creio que algum compatriota deixou um legado muito bom antes de mim e esta herança espirrou um pouquinho em mim. Sempre falam que o brasileiro é hard worker(trabalhador) e fácil de lidar. Muitas vezes agradeci mentalmente diversas pessoas que chegaram antes de mim e buscaram fazer seu melhor. Sempre tento fazer o mesmo e deixar meu melhor para o próximo também.
Faz comparações entre Jundiaí e seu atual endereço?
Não apenas Jundiaí, mas em geral o Brasil. Não tem como não comparar a qualidade de vida, oportunidades, locomoção, acessibilidade…
Você já falou para algum irlandês que é de Jundiaí? Qual é a reação?
Sempre que me perguntam eu falo. Tenho um carinho muito grande pela cidade de Jundiaí. Comento a origem indígena do nome e que gosto por ser uma cidade do interior, mas totalmente independente de São Paulo. Muita gente nunca ouviu falar de Jundiaí.
O Brasil chegará ao nível da Irlanda?
Acredito que sim, mas levara muito tempo ainda. Precisamos de muito incentivo à educação de base, investimento em tecnologia e cultura, salários decentes e incentivos ao empreendedorismo. Muitos benefícios fiscais são oferecidos a empresas estrangeiras e o setor de TI e muito forte na Irlanda. Facebook, Linkedin, Yahoo, HP, Google, Apple são alguns poucos exemplos, sempre estão contratando pessoal qualificado com ótimos salários. Eu acredito que não faltam empregos na Irlanda, falta pessoal qualificado. O governo oferece cursos gratuitos chamados de springboard para áreas com falta de mão de obra como engenharia, tecnologia e química. Mas apenas para europeus, e mesmo assim, faltam profissionais. Poderia funcionar no Brasil se os impostos que as empresas pagam não fossem tão altos. Ações assim gerariam mais empregos e contribuindo para o desenvolvimento econômico. Mas acredito que investimento em educação de base e cultura e um excelente caminho para começar.
Já encontrou outros brasileiros, em especial jundiaienses por aí?
Brasileiros aos montes, mas nenhum jundiaiense.
Pretende voltar? 
Não pretendo voltar a morar no Brasil tão cedo. Tudo depende de como o país andará daqui pra frente com esse novo governo. Tenho uma visão mais positiva dessa nova gestão. Adoraria voltar ao Brasil se tivesse a mesma qualidade de vida que tenho aqui. O Brasil seria um dos melhores países se fosse bem administrado. E sim, se fosse desta forma, Jundiaí estaria nos planos.
O que Dublin poderia ‘exportar’ para Jundiaí?
Acredito que mais incentivo a cultura como teatro e música de qualidade acessíveis a todos. Gosto da Irlanda porque vejo muitos deficientes físicos se locomovendo facilmente pela cidade sem muita dificuldade porque a cidade possibilita uma boa estrutura.
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