LENDAS interessantes

LENDAS
Foto: Acervo Instituto Paulo Coelho/Divulgação

Narrações de fatos, modificados pelo imaginário popular, tornam-se lendas e, muitas vezes, dada a criatividade usada, ficam mais atrativos do que a realidade. Há lendas religiosas, indígenas, históricas, folclóricas e outras.  Muitas são pesquisadas por estudiosos da área que lhes dão versões diferentes, afirmando serem as corretas.

Embora nem todos saibam, o nosso famoso Grito do Ipiranga tem uma conotação de lenda, pois sua história oficial – do local e de como aconteceu – é contestada até hoje por historiadores. Uma crônica de Machado de Assis, escrita em 15/9/1876, 54 anos após o acontecimento, diz: “Grito do Ipiranga? Isso tinha crédito antes de um nobre amigo reclamar pela Gazeta de Notícias contra essa lenda de meio século. Segundo o ilustrado amigo paulista, não houve nem grito nem Ipiranga. Durante 54 anos temos vindo a repetir uma coisa que o dito meu amigo declara não ter existido. Houve resolução do Príncipe D. Pedro, independência e o mais; mas não foi positivamente um grito, nem ele se deu nas margens do célebre ribeiro”. E conclui: “Minha opinião é que a lenda é melhor do que a história autêntica. Eu prefiro o grito do Ipiranga. É mais sumário, mais bonito e mais genérico”.

Sobre o Natal, há a lenda do simpático Papai Noel. Sabe-se que um homem de nome Nikolaus, nascido na Turquia, ajudava as pessoas pobres da região. Uma das histórias mais conhecidas relata a de um comerciante falido que tinha três filhas e que, perante sua precária situação, não tendo dote para casar suas filhas, estava tentado a prostituí-las. Quando Nikolaus soube disso, passou junto à casa do comerciante e jogou um saco com moedas de ouro e prata pela janela da casa, este foi cair perto da lareira. O comerciante com essa dádiva, que imaginou ser um milagre, pôde preparar o enxoval da filha mais velha e casá-la. O tempo passou, Nikolaus fez o mesmo com as outras duas moças quando atingiram a maturidade. Segundo a lenda, sua roupa era cinza escuro. Hoje, recebeu roupa vermelha que nada tem a ver com a que Nikolaus usava e serve como propaganda para determinada marca de refrigerantes.

Outra lenda é sobre a visita dos Reis Magos ao Menino-Jesus, no dia 6 de janeiro. De acordo com as variadas traduções da Bíblia, ora eles eram magos, ora videntes, ora sábios, ora astrólogos, ora reis. Esse fato só encontra citação no Evangelho de Mateus que diz: “Vieram uns magos do Oriente, seguindo uma estrela, com a intenção de adorar o recém-nascido”. No final do século VIII, a Igreja Católica Romana deu-lhes nomes – Baltazar, Gaspar e Melchior – reinados, números e identificação dos seus presentes: mirra, incenso e ouro.Em muitos países europeus, os presentes para as crianças são dados nesse dia.

No nordeste do Brasil, encontramos inúmeras lendas. Citaremos uma que, segundo os estudiosas do assunto, dizem ter registro nos anais da igreja-matriz de Itapecuru, no Maranhão. Contam que um dos chefes da Balaiada, de nome Cosme Bento das Chagas, líder quilombola, era cruel com os aprisionados. Antes de ser executado, se confessou e pediu perdão pelas crueldades, mas não teve tempo de fazer a penitência. Há relatos que, após a morte, vagava pela noite, pedindo ajuda. Levado o fato ao vigário local, este ficou à espreita e, quando a figura imaterial apareceu, o padre pegou uma cruz e foi ao seu encontro:

– Em nome de Deus, diga o que queres!

A figura imaterial revelou-se como Cosme Bento e disse que, mesmo tendo se confessado, precisava do perdão das pessoas que havia prejudicado. O padre, usando sua autoridade eclesiástica, o perdoou em nome das vítimas e ele nunca mais apareceu.

Em Jundiaí, temos a história do fotógrafo que, precisando ilustrar a matéria que seria publicada no Dia de Finados, em 1972, foi ao cemitério fazer fotos. A escolhida pela redação mostrava uma senhora, com vestimenta escura, limpando o túmulo. No dia seguinte à publicação, os familiares foram ao jornal indagar sobre a foto, informando que aquela senhora tinha morrido há cinco anos. O relato, o nome do fotógrafo e do jornal estão no livro “Lembranças Fantásticas, coordenado pela autora desta crônica, em 2015.

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Sobre o nosso escritor Paulo Coelho, imortal da ABL, há lendas sobre seu pacto/parceria com Raul Seixas e suas participações em seitas diabólicas. O próprio autor conta que, em 1974, sozinho em casa, viu e sentiu uma mancha negra o envolvendo e teve o sentimento que iria morrer. Pegou a Bíblia, abriu-a na passagem Marcos 9,24 e leu-a com muito fervor. Depois do susto, nunca mais participou de grupos ocultistas.

O comércio livresco nessa área de lendas é farto. Muitos escritores a ela se dedicam com relatos verdadeiros ou ficcionais, a fonte é inesgotável e espantosa.

JÚLIA FERNANDES HEIMANN

É escritora e poetisa. Tem 10 livros publicados. Pertence á Academia Jundiaiense de Letras, á Academia Feminina de Letras e Artes, ao Grêmio Cultural Prof Pedro Fávaro e á Academia Louveirense de Letras. Professora de Literatura no CRIJU.

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