Por 30 anos, a advogada Camila Nobiling Urbans, 45, morou em Jundiaí. Nascida na cidade, foi morar na Alemanha em 2004. Deste país, o que mais ela gosta é da liberdade e tolerância. A entrevista com Camila:

Conte um pouco da sua vida em Jundiaí… 

Morei na Vila Progresso e estudei no Divino Salvador a minha vida toda. Sou advogada e trabalhei para uma fundação pública de São Paulo, a FUNAP.

Ainda tem família na cidade? Quantas vezes vem visitá-los no ano?

Sim, tenho. Minha mãe e uma das minhas irmãs, além de tios, tias, primos, primas. Tento ir ao Brasil uma vez por ano mas nem sempre é possível, especialmente porque na melhor época para ir ao Brasil, que na minha opinião é o verão, as crianças não têm tantas férias escolares, o que limita a duração da viagem.

O que mais sente falta daqui?

Sinto muita falta da minha família e dos meus amigos!

E o que menos sente falta de Jundiaí?

Nunca pensei nisso e sinceramente não sei dizer. Jundiaí não é perfeita mas é uma cidade muito boa para se viver e não consigo pensar em algo que me desagrade tanto assim para que possa dizer que não sinto a mínima falta disso.

Em qual cidade da Alemanha você mora?

Potsdam, no estado de Brandenburg.

É casada?, tem filhos?

Sou casada e tenho três filhos. Meu marido se chama Uwe e é alemão.

Por que decidiu ir morar na Alemanha? Foi difícil?

Por várias razões mas especialmente pelo trabalho do meu marido. A mudança em si foi um impacto. Os lugares, as pessoas, os estilos de vida são realmente diferentes. Costumam dizer que os alemães são frios, mas eu os considero apenas reservados. Adoro a língua e, por isso, sempre tive um interesse enorme em aprender cada vez mais, tanto que estudei linguística germânica na Universidade Humboldt em Berlim. Logo a barreira do idioma não me impactou mas me despertou. O clima é realmente duro mas é possível se acostumar, inclusive com o frio do inverno. O que me faz falta, nessa época, é a luz do sol. Os dias são curtos e, muitas vezes, cinzas e escuros. Falta luz natural. Mas mesmo isso tem o seu lado bom, pois quando a primavera chega, vivemos uma transformação não somente na natureza com o calor e o verde voltando mas também nas pessoas.

Em algum momento pensou que não conseguiria se adaptar? 

Sempre passamos por momento difíceis na vida onde acreditamos que não conseguiremos algo, com a adaptação é a mesma coisa. São tantas coisas para aprender ou reaprender que às vezes dava um desânimo mas não cheguei a pensar em arrumar as malas e voltar.

O brasileiro é respeitado?

Creio que a maioria dos alemães respeitem não somente brasileiros, mas outras culturas. É claro que existem pessoas que não pensam assim e não gostam de estrangeiros, por exemplo, mas são minoria. A Alemanha ainda é um país onde há tolerância a outras culturas, religiões, modos e opções de vida. Ainda bem!

Longe do Brasil, sente vergonha ou orgulho de sua nacionalidade?

Tenho muito orgulho de ser brasileira, pois o Brasil é um país maravilhoso com uma diversidade humana, cultural e uma natureza invejável. Contudo o futuro da política brasileira, no momento, me causa um certo desconforto e tristeza.

Você chega a comentar com alemães que é de Jundiaí? Qual é a reação deles?

Sim, sempre digo que sou de Jundiaí, São Paulo. Preciso citar São Paulo apenas para que se localizem no mapa. E sim, às vezes me perguntam sobre a minha cidade e conto como é a vida no Brasil.

O que mais gosta e o que menos gosta deste local?

Sempre disse que o que mais gostava na Alemanha era a segurança e a organização, mas mais do que isso gosto da liberdade e da tolerância que existe aqui, especialmente na região de Berlim e Potsdam. É muito bom viver em um lugar onde as pessoas podem ser aquilo que realmente são seja em relação a religião, espiritualidade, sexualidade, forma de vida, especialmente quando se tem a impressão de estar havendo um aumento da intolerância em várias partes do mundo.

Um dia, na sua opinião, o Brasil chegará ao nível da Alemanha? 

Eu acho que um dia podemos chegar ao nível existente aqui mas do nosso jeito. Somos diferentes e, com certeza, não teremos o mesmo modelo daqui em relação à forma de vida. No entanto, para alcançarmos algo parecido com o que se vive aqui precisamos investir muito em setores básicos como saúde, educação e cultura, por exemplo. Oferecer educação de qualidade para todos. E quando falo em qualidade não me refiro somente a escolas que ensinem bem matemática, português e educação moral e cívica. Mas a escolas que ensinem o aluno a questionar, a pensar, a reconhecer problemas e procurar por soluções. Aqui, aulas de educação física, música e artes, por exemplo, são obrigatórias da primeira série até o fim da vida escolar e as notas dessas aulas contam e valem como qualquer outra, ou seja, não são menos importantes, pelo contrário, são tão importantes quanto! No ensino secundário há em muitas escolas aulas de filosofia, política e até mesmo direito. Há uma preocupação em formar alunos politizados e questionadores. E estou falando de escolas públicas. Além disso, o trabalho do professor, que é fundamental nesse processo, é extremamente valorizado, algo que, infelizmente, não vem sendo feito ultimamente no Brasil, onde o professor é cada vez mais hostilizado. Os pontos importantes são investimentos e a preocupação com políticas ambientais e com as minorias, os desfavorecidos. A Alemanha é um país com muitas políticas assistencialistas. Aqui tem todo tipo de bolsa que se possa imaginar: família, moradia, escola, alimentação. E quase ninguém questiona esses programas do governo, pelo contrário, discute-se sobre como se pode fazer melhor pois uma preocupação grande é o abismo crescente entre ricos e pobres. Justiça social é um tema importante e levado a sério pela população. Isso é um outro ponto que precisa mudar no Brasil para chegarmos ao nível daqui.

Pretende voltar? Se sim, para Jundiaí?

No momento não penso em voltar para o Brasil, não temos plano para isso, mas nunca se diz nunca, não é mesmo? Quem sabe um dia.

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