23, março , 2019
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O que eu quero MÁRIO ALBERTO? Você quer saber o que eu quero?

Por que será que nas últimas semanas do ano os dias parecem ficar mais curtos para tudo aquilo que surge para ser feito? Será que não demos conta das tarefas rotineiras ou será que nos apresentam mais coisas para fazer ainda no ano velho? Ou será, ainda, que queremos fazer tudo já para folgar no Ano Novo? PS: Muita gente deve estar se perguntando o significado do título deste artigo. É uma referência a um quadro do programa Porta dos Fundos, no qual a esposa fala ao marido, Mário Alberto, tudo o que ela deseja da vida durante uma discussão insólita. Veja o vídeo clicando aqui.

Mas que coisa de ano velho e Ano Novo é essa, se num piscar de olhos tudo fica igual era antes e nada se altera? Será que o ano velho não acabou? Ou será que o ano novo insisti em não começar? Em especial este ano de 2019, em que o Carnaval será em março e Semana Santa em maio…

Os rituais delimitam ciclos que temos que nos atentar, para termos perspectivas de mudanças seguras, sem titubear e sem nos atropelar, mas novo ou velho, o que temos é uma sequencia de fatos a aguardar nossos despachos e tomarmos nossos rumos, de um jeito ou de outro, mas conduzindo nossas histórias.


Estou ficando preocupado. Todos meus amigos e colegas chegam afoitos e perguntam: e a aposentadoria? Como está lidando com ela? Eu já nem respondo. Meto o louco, como dizem meus alunos e falo da política, do calor, da chuva. Porque a aposentadoria já é fato consumado. Já é algo alicerçado e resolvido.

A tal passagem, a transição que é dolorida já foi elaborada: afinal, passei final de 2017 e 2018, até 18 de outubro, aleijado, sofrendo dores horríveis, matutando segundo a segundo como daria o próximo passo, como me sentaria na cadeira baixa, como usaria o banheiro de onde fosse, como me alojaria num sofá macio. Isso foi me dando o preparo para a nova vida; foi me dizendo: isso eu quero para mim e isso eu não quero para mim.

Viajar uma hora e meia para ir a UNESP, cinco dias da semana, e mais uma hora e meia para voltar para casa não é das coisas que eu quero para mim. Mas você dizia que gostava da UNESP e que adorava seu laboratório. Como fica isso? Fica assim: continuo adorando a UNESP e meu laboratório, mas posso adorá-los daqui e ir lá, uma vez ou duas por semana, quando farei minhas coisas e terei espaço para viver além daqueles muros.

É necessário que se entenda que é possível trabalhar numa outra perspectiva e manter o nível das funções a serem realizadas. Sem que haja quebra de ritmo ou de rendimento; o tempo ensina como fazer isso e sou um bom aprendiz. Volto a ter tempo para minhas aulas de Francês e Inglês. Volto a ter tempo para andar a pé pelo centro da cidade. Volto a ter tempo para meus conhecidos e amigos.

Só NUNCA voltarei a ter tempo para aqueles que querem me abafar, me colocar numa redoma e ter-me como um bem precioso que ninguém pode chegar perto. Porque tem filhos da puta deste tipo: vou passar o dia com você! Amanhã vou buscá-lo e vamos passar o dia inteiro em uma fazenda! Vou ai na sua casa só se fulano não estiver! Para estes NUNCA voltarei a ter tempo. Estes devem comprar um fantoche e ficar dominando o brinquedo, sozinho, trancados num manicômio.

São os chatos de plantão. Pensam que estão ajudando e estão aniquilando o infeliz do companheiro. Tenho uns 10 deste tipo que um dia denominarei porque meus dedinhos estão loucos para revelar estes nomes. Meu juízo é quem me segura; ainda que por pouco tempo. Como é legal encontrar e conversar com pessoas lúcidas, perspicazes, sensatas que sabem seus lugares e seus espaços.

Numa passagem de um assunto para outro, e falando dos sem-noção, se eu não tivesse o poder do “não” deveria alugar/fretar um navio e passar dezembro em festa com estes destituídos de juízo, para comemorar meu aniversário do jeito que cada um idealizou. Porra!!! Mas não é meu aniversário? Não é meu arbítrio escolher a solução para meu dia? Pois eu assumi uma banca de doutorado, de uma amiga orientadora, porque nesta época do ano ninguém aceita mais nada. E para ajudá-la, me predispus a ir à UNICAMP, no exame. Foi minha opção consciente e lúcida.

Mas ouvi muito sobre isso. E eu me diverti muito porque pude almoçar num shopping e jantar em outro. Comprei o que quis, vi o que quis e fiz o que quis. Gastei meu dia comigo e voltei para casa para a companhia da Vitória, que me recebeu feliz e acolhedora, como sempre. Não me cobrou nada.

Moral destes assuntos: cuide-se, porque se você não se cuidar, tem muito louco que tomará a dianteira e infernizará seu dia, como se fosse o dele. Não atendi telefone. Optei pela minha privacidade. Se fiquei curioso? Não. Quem ligou e era algo importante, retornará. Se não retornar, não era importante. Simples, prático e conveniente para quem não se permite mais ser controlado, afinal, são anos de terapia para chegar a esta libertação; não foi de graça: foi muito em pago.


O de novo, para o novo calendário? Sim, muitas mudanças. Organização da agenda, para que nada fique a descoberto: é necessário respeitar os outros sim. É necessário ter cuidados pessoais, médicos, dentistas, contas a pagar e viagens a realizar. Aliás, será um novo tempo de muitas viagens. Portugal está agendado para os dois primeiros meses do ano.

Depois vem Holanda, com muita calma e dentro dos espaços da Lilian Mayumi e Vera Lucia Silva, porque viajar com ela é descobrir o paraíso. Daí fica sobrando apenas a França, que é coisa para a Primavera de lá. Planos. Planos quase todos totalmente esquematizados. E realizáveis, porque não se vive de sonhos. Sonha-se para torna-los realidade: este é o novo tempo.

Quem fica e quem saí? Ah, essa lista é grande e toma corpo a cada invasão de minha privacidade. Muda-se a ordem, altera-se o motivo, redesenha-se o figurante. Em uma semana de praia, em Guaecá, saio de lá com a lista tinindo e certa, para fixá-la em minha memória e tomar iniciativas; sei daquilo que não quero e sei de quem não me agrada pela maneira que tenta me conduzir. Mas é uma lista considerável.

Limpar Facebook e Whats será uma diversão. Porque o maluco sai da vida real e fica controlando a vida virtual, como se pudesse ter domínio de algo. Como a vida se transformou numa aventura, com o advento da cibercultura; pena que ainda não tenhamos total autonomia em nossas redes de amizades virtuais para deixar a pessoa hibernar por anos a fio, sem que perceba nossa movimentação. Seria o show da história: Fulaninho crente que está mandando noticias e está comandando tudo mas só está ali. Inerte. Não é percebido pelo outro, que não o reconhece como alguém relevante na vida.

Vamos esperar…tudo se acerta. Basta paciência e coragem para se desintoxicar de pessoas nocivas. Mas o primeiro passo sempre é bem vindo e necessário. Já dei alguns. E os decisivos estão planejados. A agenda funcionará. Como uma libertação.


E do ponto de vista religioso? E a fé? Alguma novidade? Alguma mudança no tempo que se iniciará? Sim. Muitas novidades. Muitos compromissos e já prenuncio que irei à Fátima, quando estiver em Portugal, porque quero falar para a Virgem que ela é muito poderosa e que sua presença foi muito bem percebida, nos momentos de dor e inquietude. Mas, também, tenho outra agregação, que assumi em 2017, e que me fez rever conceitos, religiosidade, espiritualidade e prática consciente de um cristianismo maduro e transformador.

Nestes dois anos nada me foi cobrado, tudo me foi ensinado e apresentado e uma extensão familiar se formou, dando-me suporte nos momentos mais difíceis e emblemáticos da Vida. Naquela hora em que você diz: vou operar mesmo. Onde? Agora não suporte mais, que médico escolher? Quem ficará comigo nos 30 dias iniciais? Vou lá e assino a aposentadoria? Digo que não aceito a vaga daquele concurso? Nestas horas, talvez agora entenda o significado de 25ª hora, é preciso um ombro para dizer alguma coisa, ainda que seja só para ouvir.

Pois bem, nestas horas e foram muitas, meus irmãos me apoiaram. Cada um de sua forma, cada um com seu aporte espiritual e intelectual, mas todos se fizeram presentes e intensificaram suas energias. Não estive só um segundo sequer. Não entrarei em detalhes, desta vez, porque sobre minhas crenças cabe a mim defini-las e abraçá-las, mas num momento em que ministra vê Jesus em goiabeira, por que cargas d´água não posso ver Xangô na pedreira ou Buda na ribanceira?

Zelo pela minha fé e respeito a suas fés. Não vamos discutir isso, nunca, porque nunca vou dar o direito a ninguém de escolher a cor da qual devo gostar nem vou mudar o gosto de sua cor preferida. Nossas subjetividades estão acima de todos os demais princípios. Mas eu creio, hem.


E a discussão sobre a Fernanda Lima. Se ela é apelativa, se ela segregou e transformou seu programa numa antessala LGBTQXZ eu não sei, mas ouvir palpites de pessoas que tiveram uma adolescência muito libertária, de pessoas que passaram dos 14 aos 30 anos consumindo drogas, que eram figuras evoluídas e revolucionárias, adeptas do amor livre e da libertinagem, em pleno 2018 fazer apologia à “tradição, família e propriedade” é algo, no mínimo, maluco.

Tive uma amiga que era famosa na década de 80 porque em todas as festas que ia, em todas, tirava a roupa. Estava “fumada, mamada e cheirada” e agora diz que o programa Amor&Sexo é indecente e agride a família e bons costumes. Meu Deus, que conversa é essa? Onde será que esta senhora esteve nos últimos 40 anos?

Realmente, hoje, discutimos abertamente e francamente as orientações sexuais, coisa que nunca fizemos e nunca tivemos coragem. Realmente, também, a Fernanda Lima tomou decisões deliberadas em trazer atrações apenas homo ou apenas trans ou apenas bi em programas seguidos. Realmente forçou a barra em trazer os beijos e os pega-pegas e as afetações explícitas mais do que qualquer outro programa. Mas não é o que vemos nas ruas e em algumas festas, do nosso entorno?

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A tal família brasileira que ficou exposta deve ter canal fechado de TV, não estará com seus filhos na sala as 23h30 de terça-feira (mesmo porque nunca está, em horário nenhum, porque os filhos têm suas TVs em seus quartos/bunkers) (e devem estar indo para cama, porque às quartas feiras costumamos ter aula. Ou não?). Então, a tal exposição diante de um programa “lixo” como ouvi e li não se justifica.

Só e senti feliz porque percebi que os pais estão conversando mais com seus filhos, falando abertamente da diversidade sexual, respeitando a orientação social dos seus e dos outros, informando mais sobre as DSTs, sobre a gravidez e aborto, sobre o uso indiscriminado de drogas. Percebo que as famílias estão menos hipócritas e mais justas. Em Marte, Saturno e Urano. Porque aqui estão se perdendo na hipocrisia e no puritanismo. Será que este paizinho tem jeito? Será que um dia saberemos diferenciar Cultura de Achismo? E, então deixaremos de falar tanta coisa sem nexo e viver tanto preconceito com ares repaginados e modernosos? Feliz Natal. Mas o Natal é todo dia, hein?(Foto: obviousmag.org)


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.

 

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