26, março , 2019
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NÃO CONSIGO entender a direção destas brincadeiras

Quando pensamos que chegamos ao final do poço, sentimos um leve tremor e descemos mais um pouco. Estando no fundo, é sempre possível ir um pouco mais para baixo. De fato, não consigo entender a direção de determinadas brincadeiras. Terminei meu ensaio da semana passada com um dos poemas mais lindos de Castro Alves, que repito aqui, por ser cabível:

Deus! ó Deus!

Onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes,

Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde desde então corre o infinito…

Onde estás, Senhor Deus?…

Esta semana foi Bibi Ferreira, o talento. Uma pessoa iluminada, sábia, culta, foi apresentadora, atriz, cantora, compositora e diretora brasileira, de ascendência portuguesa, espanhola e argentina. Daquelas artistas que têm sustentação diante do que fazem e não apenas encantam, preenchem espaços incalculáveis.

Perdeu a Cultura, perderam as Artes, perdeu a humanidade que se torna mais triste e inculta; dizem que tinha 96 anos, mas não é verdade: artista deste nível é eterno, não tem idade. E que continue a brilhar da tragédia à comédia, das poesias às músicas, dos amigos aos momentos mais íntimos e solitários. Bibi Ferreira foi e sempre será uma joia brasileira de altíssimo brilho.


E o helicóptero caiu, pois sim.

Levando outra figura de mais alto expoente cultural: Ricardo Boechat. Um dos mais brilhantes jornalistas, que se reinventa após uma demissão e transforma-se num daqueles ícones que atraem os da direita, os da esquerda e os que ainda não sabem onde estão. Sempre tinha um contraponto exclusivo e trazia o assunto com a força e desenvoltura que o assunto merecia ter.

Uma falha técnica no aparelho é suficiente para que esta vida se despeça de tudo e tome seu caminho. Ouvir o depoimento de sua mãe foi algo doído e novamente mágico: a lucidez e a presença de espírito estavam de braços dados naqueles instantes. Mas não deixou de expressar sua dor e seu incômodo pela perda do filho amado. Nem se reservou ao direito de guardar detalhes da infância e adolescência do filho que partiu. Impetuosa e irreverente como seu filho.

Somente para recordar, fora Boechat que deu um esculacho no pastor Silas Malafaia como foi ele que atendeu celular e leu e respondeu a Whatsapp no meio de seu programa, de forma direta e contextualizada, sem desrespeito aos seus ouvintes. Pois é…outra perda. Será que repito aqui o trecho do poema acima?

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E a questão do ministro versus o filho do presidente. Que absurdo é esse? Desde quando filhos de políticos se envolvem em questões administrativas do pai? Pois é, só para mostrar como comportamento é algo aprendido, como dizia nosso bom e velho psicólogo social Albert Bandura, basta lembrar do episódio em que o filho do ex-presidente Lula diz que não atenderia ao pedido de um juiz porque o pai dele era o presidente da República.

Como percebemos, a coisa não se prende a família Bolsonaro, mas vem de outras datas: os Lula da Silva tinham o mesmo procedimento. Inclusive no episódio acima, este filho diz que algo acontecesse com ele ou com o pai, ele ordenaria  que o povo se manifestasse. Total desconhecimento de função e de adequação de papel. Portanto, não é nem inédito e nem causa surpresa.

Pessoas despreparadas em papéis de destaque costumam causar. Veja outro exemplo e que se outros mais que virão, da Ministra que viu Jesus na goiabeira; nestas horas que se constata a bondade de Deus: permite que a pessoinha continue a falar e a vociferar uma série infinita de absurdos e de reflexões infundadas.

No entanto, nem tudo está perdido: no meio das mortes de famosos e exemplares pessoas e do anonimato dos jovens jogadores e dos empregados e moradores de Brumadinho, temos os mais descolados que estão preocupadíssimos com a Libertadores e com a representatividade do Brasil nesta competição de futebol.

Sim, porque a Libertadores é muito mais importante do que qualquer dos temas acima citados. E traz, logo em seguida, as delícias de um Carnaval, para anestesiar nossa mente e possibilitar que as coisas avancem, no congresso e senado, enquanto o torpor das festas nos desvia a atenção.

Para que insistir em discutir Brumadinho ou incêndio ou Bibi Ferreira ou Boechat se o que vale é o Carnaval e o futebol? Relaxa e deixa a vida levar….temos boas escolas, excelentes hospitais, segurança e educação. Tudo está tão bem. Relaxa.(Foto: danielsantos.guru)


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport

 


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