Em meio ao mimimi é preciso buscar o novo sem ser IDIOTIZADO

Um início de ano um pouco chato. Muito mimimi e poucas definições, claro, que as mais desejadas, ao menos. Isso porque, ainda, no quinto/sexto dia do novo ano (ainda que faltem 360 ou 359 outros dias deste 2019) só se fala em política e parece que apenas se fala sem senso crítico, o que transforma o momento numa horrível opera bufa. Não podemos aquilatar o que vem, pela amostragem, mas que está tragicômico, isso está. São falas equivocadas, são interpretações precipitadas e sobram piadas e propostas adivinhatórias, muitas delas mais fracas que os antigos horóscopos. É preciso buscar o novo. Sem ser idiotizado, diga-se de passagem…


Mas tenhamos paciência: dizer que a ministra foi mal interpretada, é ser muito ingênuo ou idiota. Então, se o menino não vestir azul e a menina não vestir rosa, ele não será menino e ela menina? Que merda é essa? Que loucura, ou insanidade ou desconhecimento é este? Em pleno século 21, com a pluridiversificação dos gêneros e a aceitabilidade destes conceitos em todo mundo, no Brasil vamos repensar sobre o assunto? Absurdo…tremendo absurdo.

Agora, sou obrigado a ler que se trata de uma metáfora usada por ela? As identidades são, como diz o nome, identidades. Minha digital é só minha. A sua digital é só sua. A identidade sexual segue a mesma ideia: a sua identidade é aquela que o aproxima, leva-o, aproxima-o daquilo que acredita e quer para si. Usar azul ou rosa não muda a identidade tão pouco sua escolha e vivencia sexual. Esta questão é muito mais complexa do que quis dizer nossa nobre ministra, ainda que seus seguidores delirem com suas palavras.

Lógico que tal assunto deve causar, ainda, muita discussão e posicionamento, mesmo em escolas mais avançadas e liberais. No entanto é preciso que os docentes estejam preparados e assertivos em suas falas; e este posicionamento dos professores não se dá apenas lendo as notícias atuais ou as manchetes de jornais e revistas: é preciso entender daquilo que se fala, com propriedade.

É preciso estudar e enxergar a contemporaneidade. Não adianta acreditar que tudo será diferente com o Brasil, porque o Brasil está no Mundo e não é um país que poderá ser alienado e discrepante neste universo. Muitas águas passarão por baixo desta ponte.


Outra ponte a ter muitas águas passando será aquela que, também, obra da mesma sapiente pessoa, é o milagre visual: ela viu Cristo numa goiabeira. O que eu posso dizer ao casal amigo, quando eles dizem estar preocupados com o filho adolescente que vê Cristo em seu quarto?

Entendem como algumas coisas devem ser engolidas e ignoradas caso não se queira transformar em centro polêmico, insensato e tresloucado? Como levar a sério uma conversa que começa falando em fé e de repente me aparece um Cristo montado num galho de uma goiabeira? Como manter séria a conversa que começa com este grau de insanidade?

E a partir daí se parte para o algo sério: as escolas devem ser laicas. Entretanto, vamos analisar: quem está no poder, em qualquer dos níveis deste poder, tem tido atitudes laicas? Ou tem expressado suas tendências e seus seguidores babam e deliram com tais tendências? Como isso chegará na escola, diante da modelagem social de Albert Bandura?

Que respondam os professores e ativistas de plantão. Eu ainda estou passando, atento, em cada árvore, porque vai que encontro Cristo numa delas…

Ué, não estou entendendo a surpresa de milhares de pessoas diante das demissões em massa, nos primeiros dias de governo. Isso é rotina em toda troca de governo, do municipal ao nacional. Acontece que, geralmente, o governante que sai exonera, num último ato administrativo, os funcionários comissionados, o que não aconteceu com nosso primeiro mandante.

Ele não tendo exonerado os comissionados, restou ao atual governo demiti-los. E qual a surpresa? O que há de mal nisto? Porém, os antenados de plantão falam em recortes políticos, em perseguição ideológicas, em alemães versus judeus. Em absurdos, quero pontuar.

O que se há de conferir é verificar se as tais secretarias e ministérios e demais espaços não sejam, novamente totalmente lotados pelos atuais partidários; se a questão, além da limpeza partidária, for a economia, vale segurar as novas contratações. Dizem que deputados e senadores apoiam as decisões do atual mandatário; isso causa surpresa. Deputados e senadores concordam em não dar vagas e espaços para seus eleitores? Mentiraaaaaaa…

Ou tudo mudou e o povo vai ter que se acostumar com tais mudanças, drasticamente, visto que todo mundo, até os políticos estão mudando seus procedimentos. Preciso aprender como isso aconteceu.

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Mas, em minha função de pensante, venho a me perguntar: estas questões são mesmo questões de fundo ou são fumaças para nos confundir, enquanto as coisas sérias estão sendo tratadas sem nossa percepção? Ou isso mudou também? Ou a estratégia de enganar o público será outra? Desculpa, não é ser alarmista nem desesperançado, mas é ser pensante e crítico o suficiente para não me deixar iludir.

Volto a afirmar que estou numa torcida maluca para que tudo dê certo e para que as coisas andem como devem andar: adequadamente. Não interessa em quem votei ou votaria, mas interessa que acredito na democracia e se este candidato tivesse ganhado por um único voto, ele seria o vencedor. Com um voto, mas um voto para ele. E isso merece respeito.

Neste clima de empolgação pelo certo e pelo errado inicial, ingenuidade de lado e pessimismo controlado, torço para que meu país não seja mais usurpado e que meus parceiros brasileiros não sejam mais uma vez usados. Vamos agir com seriedade e proporcionando as mudanças que queremos nos outros: este é meu dever de casa.(Ilustração: es.paperblog.com)


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.