A cada ano que passa fica mais e mais difícil acompanhar o tsunami de informações e acontecimentos que parece brotar a cada minuto em nossas vidas. Não sei se com você acontece o mesmo, mas a minha impressão é que os dias encurtaram: acordamos e num piscar de olhos já estamos nos preparando para dormir…O tempo está passando muito rápido e, sinceramente, não sei se isso é bom ou ruim. Com certeza esse fenômeno tem haver com a nossa própria existência, pois quando mais velho ficamos, mais o mundo parece correr. E a prova material desta aceleração temporal eu percebi nesta semana, quando ao entrar num supermercado me deparei com uma pirâmide de ovos de Páscoa.

Sim, você leu certo, os ovos de Páscoa chegaram antes mesmo do início do mês de fevereiro. Não sei se estou enganada, mas se a pandemia deixar, este ano a Páscoa será comemorada em abril, mais precisamente no dia 4, um domingo, seguindo a tradição cristã. Pois é, o sr. Coelho resolveu antecipar sua chegada em quase três meses! Deve estar treinando para as olimpíadas.

E por que isso? Para que as fábricas de chocolate e colombas tenham mais tempo para vender seus produtos, claro. Se continuar nesse esquema, no próximo ano teremos ovos de Páscoa disputando espaço com os panetones. Aliás, em alguns supermercados isso já acontece.

Na minha opinião, essa antecipação exagerada na distribuição dos produtos sazonais, como ovos de Páscoa e panetones (para citar apenas dois exemplos), acaba destruindo a magia que envolve essas datas. Tanto Natal quanto Páscoa estão se tornando mais um dia, dentre os demais 365 dias do ano, ficando sem a mínima graça. Na Páscoa da minha infância, essa data tinha um sabor todo especial, pois só no domingo de Páscoa era o dia de ganhar o ovo.

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E o ritual se repetia todo ano: eu dormia na casa dos meus avós e no domingo de manhã, trajando minha túnica de anjo, acompanhava a procissão com a minha avó, que era Irmã do Santíssimo. Só depois do almoço é que podíamos abrir o ovo e com todo o cuidado para não quebrar as cascas escuras de chocolate. Eu comia pedacinho por pedacinho, degustando cada mordida bem devagar, para fazer render a sensação. O último naco deixava uma grande saudade, pois a gente sabia que só ia comer de novo no ano seguinte. E para a criança, o tempo passa devagar.

Era uma eternidade esperar 12 meses pelo retorno do coelho e seus ovos de Páscoa. Fico muito feliz em ter vivido esse período numa outra época, mas não vou considerar que antes era melhor ou pior. Era apenas diferente. A única coisa que me assusta um pouco é a rapidez com que as datas vão passando, de forma tão descartável. Será que essa impressão sobre a corrida das horas, dos dias e meses é só minha?(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

VÂNIA ROSÃO

Formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Trabalhou em jornal diário, revista, rádio e agora aventura-se na internet.

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