O maestro Luiz Biela de Souza foi professor de uma boa parte do dos jundiaienses entre os anos de 1940 a 1970 . Um conhecedor e amante da música como poucos brasileiros. Ele era pequeno na estatura. Mas grande nos conhecimentos e dedicação. Biela é inesquecível.

Também tive a sorte e a honra de ser seu aluno entre 1973 e 1976 no GEPAL – Ginásio Estadual Professor Adoniro Ladeira que dividia o prédio com o Grupo Escolar Professora Cecília Rolemberg Porto Guelli, na Rua Tiradentes , Vila Rio Branco. O ‘Cecília’ continua no mesmo local. Já o “Adoniro” se mudou para a vila Hortolândia em 1977.

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Nessa escola tive também aulas com outros grandes mestres que dividiam com o professor Biela a missão de educar: Sérgio da Silva Zavan, o Serginho; as artistas plásticos Fernanda Milani e Élvio Santiago; professor Batista da UNIEF; Ariovaldo Zanirato; Adalgiza Barreto; Augusto Cesar Valli; Maria Helena; Marília Buzzo; José Pereira; Volmer; Heloísa; Adeizil; Nelsi e seu marido Adelino Brandão, dentre outras feras da educação.

O professor maestro Biela era bem pequenino. Ele tinha aproximadamente 1,60 . Andava alinhado e sempre carregando as alças do estojo de seu inseparável violino. Quando caminhava pelos corredores da escola vinha com passadas lépidas, cabeça ereta e olhar firme.


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1976: Alunos do professor Biela no Ginásio Estadual Adoniro Ladeira quando  a escola ainda funcionava na Vila Rio Branco no mesmo prédio onde está o “Cecília Rollemberg Porto Gueli”


Era bastante sério, de poucas palavras e impunha muito respeito. Em todas as aulas sacava seu violino, com ouvido apurado e muita técnica e em minutos manipulando as cravelhas, afinava afinava o instrumento o recostava ao queixo e entoávamos em todas as aulas de canto orfeônico : o Hino Nacional Brasileiro, Hino de Jundiaí e o Hino da Escola.

No final dos anos 1940 foi diretor e professor do Conservatório de Canto Orfeônico Maestro Julião da Universidade Católica de Campinas, um dos importantes centros de formação de professores especializados em Canto Orfeônico. Ele também foi um dos responsáveis pelo Instituto Experimental em nossa cidade.

O maestro criou em 1960 a Metodologia do Ensino de Canto Orfeônico e mostrava com clareza os objetivos para os quais a disciplina Etnografia e Pesquisas Folclóricas deveriam contribuir: integrar várias disciplinas e também aguçar o respeito, o patriotismo, o civismo , a história daidade por intermédio dos hinos patrióticos, cancões escolares para todas as datas e ocasiões, saudações e exortações orfeônicas, canções folclóricas com ilustrações.

 

Ele também realizava palestras sobre a música, sobre os músicos do Brasil e de outros países em todas as épocas. Citava os ciclos de evoluções históricas.Tudo isso estava contido num projeto de lei elaborado pelo querido professor Biela e e pelo deputado jundiaiense Hary Normanton.


Vídeo: A composição acima foi feita para a recepção de visitantes ilustres recepcionarmos. Letra e música de Luiz Biela de Souza na voz do Tenor Márcio José


Nosso maestro além da Terra da Uva dirigiu muitas orquestras e corais no Estado entre elas a de São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Birigui, cidade que também compôs a música de seu Hino.

Compôs canções, inúmeros hinos para as escolas de Jundiaí e região, escreveu e editou vários livros de música, participou ativamente dos movimentos.

O maestro era pequenino só na estatura. Foi um gigante em sua dedicação pela música, foi colossal na educação, e descomunal em sua vontade de ensinar o respeito, o amor e o cuidado que devemos ter com a nossa história, nossa cidade e nossa gente.

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Obrigado professor Biela pelo legado. O artista nunca morre pois vive em suas composições e no coração daqueles – que como eu – tiveram o prazer e a honra de conviver com o senhor nas salas de aula. Maurício Ferreira.