PRECONCEITO

PRECONCEITO

O que significa preconceito? Segundo o dicionário Michaelis: substantivo masculino – conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos necessários sobre um determinado assunto.  Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão; prevenção.

“Mas você está muito enganada, mana. É preconceito supor-se que todo o homem que toca violão é um desclassificado. A modinha é a mais genuína expressão da poesia nacional e o violão é o instrumento que ela pede” .

Segue o Michaelis: Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles sejam praticados. Social Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos.

“O mundo é cheio de preconceitos! Qual é a vergonha de ser árabe? Só porque a raça é diferente, e qual é o mal disso? E ainda por cima é católico. Maria José ficou vencida, entregou os pontos: lá isso, se é católico…”

Há uma região cerebral onde se localiza o preconceito?

Há uma região que poderia estar associada a reações racistas, por exemplo, ela é chamada de amígdala e em exames de imagem é possível notar sua ativação (medo, receio) quando o indivíduo é exposto a fotos de pessoas de raças/religiões diferentes da sua.

Isso mostra um componente biológico de resposta preconceituosa à medida que são mostradas fotos e não pessoas conhecidas que possam ter gerado algum tipo de impressão na pessoa que analisa.

Cientistas evolucionistas declaram ser esse comportamento derivado dos primatas que protegem seu núcleo familiar de intrusos. Mas seria simplista demais colocar a culpa toda na genética, pois analisando crianças e adolescentes da mesma forma que citado acima, as crianças não mostram ativação da amígdala como os adolescentes, portanto, o preconceito mostra-se mais uma questão social (aprendida) do que biológica.

A necessidade de classificar que o ser humano possui, organiza nossos conceitos, mas por outro lado, nesse caso, especificamente, acabou por causar enorme confusão.

Nos primórdios dos estudos em hereditariedade, Charles Darwin escreveu o clássico “A Origem das Espécies” (1859) que foi utilizado de forma perigosa por um conterrâneo, Francis Galton, que viu em sua teoria uma indicação de que haveria humanos, mais “naturalmente evoluídos” que outros e que poderiam ser agrupados somente pela sua aparência física. Dessa forma, indivíduos classificados como “indesejados” poderiam ser artificialmente excluídos, batizando oficialmente a eugenia, que os nazistas utilizariam mais tarde, em abundância.

Conceito totalmente refutado quando, os avanços em análises genéticas demonstraram que um negro e um branco podem ter mais similaridade do que dois arianos comparados entre si, jogando por terra a teoria absurda de eugenia.

Mais recentemente, os avanços em Inteligência Artificial (IA) escancarou novamente o preconceito humano quando o aplicativo de fotos do Google agrupou fotos de um negro americano no mesmo grupo com fotos de gorilas e símios. Ou quando o recrutador da Amazon (IA) deixava mulheres candidatas de fora. Teve também a desrespeitosa tentativa de classificação de heterossexuais/homossexuais através de um aplicativo desenvolvido pela Universidade de Stanford, que fazia análise facial para chegar a tal conclusão. E ainda tem o caso da IA de Compas (Judiciário dos EUA) que auxiliava juízes a tomar decisões baseadas no risco de reincidência. É claro que os negros saíram prejudicados.

Pois bem, então máquinas poderiam ser preconceituosas?

Claro que sim, quem gera os algoritmos que elas utilizam são seres humanos que inserem padrões que são associados a preconceito e que abre um leque de problemas, pois pode haver algo em você que a IA não gosta e você nem sabe.

É muito difícil monitorar os programadores para evitar que sejam desenvolvidos algoritmos hostis, por isso a Comunidade Européia, desde março de 2018, estabeleceu limites às Ias, tornando obrigatório explicar como são utilizados os algoritmos, pois sua ação pode ser bastante insidiosa, residindo no fato de que a IA permite discriminar por discriminar.

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Um estudo da pesquisadora Leda Cosmides, da Universidade da Califórnia, sobre a percepção de raças no Brasil, pela linha evolutiva, concluiu que racismo/preconceito é um efeito colateral da identificação por grupo, que desaparece quando é necessário pertencer a um grupo independente de raça, como nos times de futebol, onde os torcedores se esquecem do racismo para brigar com o outro time. E ela dá a solução: “Para combater o racismo, bastaria propiciar aos indivíduos alternativas de alianças sociais em que a cor da pele não importa”.

Em um mundo com tanto desenvolvimento, entendimento, conhecimento, esclarecimento e tantos outros entos, eu digo que é um retrocesso ainda sermos preconceituosos. É claro que existem as diferenças biológicas, elas são inegáveis, mas isso não nos coloca em posição superior ou inferior a ninguém e, se ainda julgamos em único olhar, precisamos rever nossos conceitos cristãos em primeiro lugar(foto: Youtube).


ELAINE FRANCESCONI

Bacharel em Zootecnia (UNESP Botucatu). Licenciatura em Biologia (Claretiano Campinas). Mestrado (USP Piracicaba) e doutorado (UNICAMP Campinas) em Fisiologia Humana. Professora Universitária e escritora.


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