RADICALISMO e a difícil arte da simples convivência

Que momento nojento e difícil estamos vivendo. Ou é alienação, ou é escândalo, ou é abstenção, ou é ataque, ou é inércia. Onde esconderam a ponderação? Onde guardaram os argumentos? O que foi feito do raciocínio e da lógica que conduz cada ideia a um patamar razoável de clareza e exequibilidade? Como está difícil opinar ou expressar a opinião. Tempo de radicalismo e como a simples convivência complicou-se…

  1. Caso você comente sobre um fato municipal, aparece a bonitinha recém-admitida em cargo de confiança que prega um discurso de defensoria sem fim ao prefeito, aos vereadores, ao município. Falei sobre a floresta que está plantada no final da Avenida Luiz Latorre e a inocente veio com respostas do senso comum: é a chuva, mato é assim mesmo, a cidade está limpa. Indagada se ela tem andado pela cidade, além da rua do Rosário e Barão e além dos três shoppings ela responde que anda. Mas que o prefeito não tem culpa, que o secretário disse, que o assessor falou, que beltrano prometeu e a merda continua. A merda continua e a defensora de plantão se transforma em sua inimiga, pois nem o cumprimenta mais. Difícil.
  2. Se você elogia e parabeniza pelo Dia das Mulheres, reclamam e dizem que todo dia é dia das mulheres, que mulher é empoderada, que mulher é mãe-pai-patrão-empregada-sempre-nunca-enfim e tals. Se você não fala nada, você é machista, sem escrúpulos, mandão, poderoso e tirano. Digam-me, amigas, como vocês querem ser tratadas? Porque está muito difícil. Difícil de entender o que se pretende, o que se quer e o que se faz. Se abre a porta do carro ou se puxa a cadeira para sentar, num restaurante, é tentativa de assédio. Se elogia, é assédio, se olha, é tentativa de assédio, Só não me respondam que querem respeito, pois isso tenho visto acontecer. Os casos extrapolados são casos extrapolados, mas está bem complicado. Difícil.
  3. Agora o feminicídio desandou. Os últimos acontecimentos apontam para jovens de até 30 anos praticando um ataque selvagem a uma mulher. Interessante que tais gestos doentes e trágicos sempre acontecem em situações em que há muita droga, álcool e desmando. Espero que algum dos juízes ou promotores pergunte ao maníaco, como foi a educação dele, em casa, junto aos pais. Ficaremos surpresos com o número maior ainda de famílias sem estruturas e sem alicerces. Reduzir os feminicídio para o futuro caminha junto com reeducar os jovens pais, cada vez mais ausentes do processo formador de seus filhos. Difícil.

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4. Na sala de espera de um consultório médico, nesta terça feira, ouvi que a Educação está mal porque as escolas estão sem material e sem merenda. Mas será este o real motivo? Será esta a questão de fundo? O a Educação está mal porque todo o sistema e o processo educacional estão mal? Seria interessante que se fizesse uma pesquisa junto aos docentes atuantes, em que se indagasse quantos livros ele leu no ano, excluindo os de auto-ajuda e os dos filósofos da educação de plantão. Essa pesquisa conduziria a ação governamental ao seu foco de futura atuação: formação dos formadores. Difícil.
5. E duas coisas semelhantes. Fulano é doutor porque fez Medicina e Beltrano é doutor porque fez Odonto, já Sicrano é doutor por fez Direito na São Francisco. Não, eles não são doutores. Pela lei brasileira e academicamente falando, no Brasil e no Mundo, doutor é todo aquele que fez doutorado e ponto final. E o psicólogo? Ele é psicanalista? humanista? Comportamentalista? Não. Ele é psicólogo com especialização/formação em Psicanálise ou no Humanismo ou na Terapia Cognitiva Comportamental. Uma coisa é querer ser, outra coisa é parecer ser e outra coisa, ainda, é simplesmente ser. Difícil.

Vou parar por aqui porque está muito chato de se viver em nosso país.

Perceberam que nem mencionei aspectos políticos partidários, apenas coisas do cotidiano. Até o elogio que fiz ao Poupatempo rendeu comentários maldosos e desaforados para mim. Gente mal amada é gente difícil para dialogar. Difícil.(Foto: historiadaestoria.wordpress.com)


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport


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