13, novembro , 2018
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Os RADIOAMADORES resistem, apesar dos novos tempos

Houve um tempo em que o ser humano não se comunicava num piscar de olhos. Não existiam redes sociais, telefones celulares e e-mails. Pode ser difícil de acreditar, jovens. Mas esta é a verdade! Na época em que uma ligação para São Paulo levava horas para ser completada pela telefonista, os radioamadores eram o que existia de mais moderno, arrojado, romântico. Embora irritassem muita gente com as interferências que causavam nas televisões. Eles tinham equipamentos que cobriam paredes inteiras, passavam a noite conversando e ajudavam quando alguma tragédia ocorria. As novas tecnologias deram um baque no radioamadorismo. Mas, a atividade está longe de acabar. Pelo menos esta é opinião de Edison Pegoraro (foto principal), 60 anos, radioperador na Faixa Cidadão desde 1976 e radioamador desde 1984, com indicativo de chamada PU2POW. Neste e no próximo domingo, Pegoraro vai contar como anda este passatempo que tem tudo a ver com ciência e solidariedade.

Como o senhor conheceu o radioamadorismo?

Eu tinha em torno dos 14 ou 15 anos e ganhei um rádio que tinha ondas curtas e a partir daí, sempre tem um rádio ao meu lado ou no pé do ouvido. Após um tempo, como foi para a maioria dos radioamadores, me tornei Rádio Cidadão, ou “PX” como é popularmente conhecido. Nos bons e áureos tempos do “CORAJ”- Clube de Operadores de Rádio de Jundiaí, hoje extinto, e após algum tempo fiz exame para radioamador. Não temos mais um clube em Jundiaí, infelizmente. O que temos é um grupo, que tem procurado se reunir, de tempos em tempos, em alguma chácara para um encontro e troca de informações e lógico um churrasco…..

Para as novas gerações entenderem: o que é radioamadorismo e para que serve?

Por definição o radioamador é aquela pessoa que por hobby usa uma estação de radioamador para comunicação sem fins comerciais com outras pessoas que compartilham a mesma atividade. Dependendo do equipamento usado, essa comunicação poderá ser no seu próprio quarteirão ou intercontinental, ou ainda com algum radioamador astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional. A comunicação entre os radioamadores pode ser feita por voz, por meios digitais, usando-se um computador. Muitos radioamadores ainda preferem usar o meio mais antigo de comunicação sem fio: o código Morse, ou telegrafia.
O verdadeiro radioamador é também uma pessoa interessada em assuntos técnicos e científicos, que gosta muito de fazer experimentações com antenas, aparelhos, montagens, etc. Muitos dos modernos equipamentos de comunicação como o telefone celular e outros desenvolvimentos tecnológicos estão acessíveis a todos graças ao radioamadorismo que permitiu que essas tecnologias fossem desenvolvidas e exaustivamente testadas.
O radioamadorismo teve ao longo de sua história um papel muito importante no auxílio em situações de solidariedade, desastres e calamidades públicas em todo o mundo. Há décadas atrás quando as cidades não estavam interligadas por redes telefônicas, era comum o radioamador local servir de apoio em comunicações entre parentes distantes, na obtenção de medicamentos que só eram encontrados em grandes centros ou no exterior. Existem relatos de muitas vidas que foram salvas graças a solidariedade dos radioamadores na obtenção de medicamentos que não podiam ser encontrados localmente.




Um filme sobre radioamadores: Alta Frequência

O que você faria se tivesse a chance de voltar no tempo e mudar apenas um evento na sua vida? John Sullivan (James Caviezel) tem a resposta na ponta da língua: desfaria os eventos de 12 de outubro de 1969, quando um incêndio matou seu pai (Dennis Quaid), um heróico bombeiro. Desde então, John sonha em ter conseguido impedir a tragédia daquele dia fatal, que fez com que sua vida como adulto se tornasse cheia de raiva e solidão. Mas agora John pode conseguir realizar seu desejo.

Um dia antes do aniversário da morte do pai, em meio a uma terrível tempestade, John encontra o rádio velho de seu pai. Apesar da estática, ele consegue conversar com um homem que diz ser um bombeiro e que jogou nas World Series de 1969, assim como seu pai. Mas será que John está mesmo falando com seu pai, ambos na mesma casa, no mesmo rádio, mas com três décadas de distância entre eles?(Texto: Adoro Cinema)




Existem pessoas que ainda estranham este passatempo?

Há quem veja um radioamador como um ser estranho, um tipo que de alguma forma gosta de comunicar com pessoas que não conhece e de escutar conversas de outros radioamadores onde a sua presença é desconhecida. O radioamador também não colhe as melhores simpatias nos vizinhos que abominam as horríveis antenas nos telhados e criam problemas, nervosos com as interferências nas televisões. Pois é sempre na hora da novela ou no jogo do Palmeiras e Corinthians e que a bendita televisão começa a ter interferências! Infelizmente esta tem sido a opinião generalizada entre os cidadãos que de alguma forma já conheceram um radioamador ou até mesmo partilham vizinhança com algum. É certo que hoje em dia, com a entrada dos sistemas de cabos e TV digital, essa situação praticamente não existe mais

Quando foi o auge do radioamadorismo?

Eu diria que o auge do radioamadorismo foi na década de 1970 até em torno de 2000, e que após isso vem caindo, com a chegada dos celulares, smartphones, etc., pois temos um problema com propagação, isso tem a ver com as explosões e manchas solares que bloqueiam ou favorecem as transmissões com um ciclo variados em torno de 11 anos cada, e que influencia muito no sistema de transmissão. E como o povo é cada vez mais imediatista, ninguém tem paciência de esperar a abertura de propagação para falar. No whatsapp, é mais rápido. Mas isso é um assunto que vai longe…

Por que os radioamadores são tão apaixonados por esta atividade? 

Se você caminhar pelas ruas de sua cidade certamente encontrará pessoas de todos os tipos, homens, mulheres, pessoas de diferentes idades, classes sociais, etnias e religiões. Eles podem ser engenheiros, donas de casa, motoristas, policiais, bancários. Mas qualquer um deles pode ser um radioamador que sem querer você poderá manter contato pelo rádio.  O radioamadorismo é um hobby democrático, que não tolera discriminações sociais, raciais ou políticas. Pouco importa para o radioamador se seu colega do outro lado não compartilha das mesmas crenças ou orientações políticas e muito menos se ele é de uma ou outra raça. O radioamadorismo forma uma imensa comunidade mundial onde as diferenças não existem e o que importa é que todos tenham o mesmo interesse comum. Como radioamador você poderá ter inúmeras opções de atividades e interesses. Existem radioamadores que tem uma licença classe C e se dedicam apenas a falar localmente nas faixas de VHF e UHF num raio de apenas 100 ou 200 quilômetros. Outros preferem operar com equipamentos de HF que permitem contatos a milhares de quilômetros, operando faixas de frequências que exigem licenças classes B e A. Muitos radioamadores gostam de montar suas próprias antenas, fazer experiências com novos circuitos e até mesmo montar seus próprios equipamentos. A operação de rádios de baixa potência chamada de QRP fascina muitas pessoas que enxergam a limitação de potência como um desafio. Falar com outras pessoas usando o antigo Código Morse é algo que ainda fascina milhares de radioamadores de todas as idades em todo o mundo, bem como aqueles que gostam de fazer contatos em RTTY (Radioteletipo) ou em modos digitais usando um computador acoplado ao rádio. O radioamadorismo permite ainda contatos via satélite (sim, existem diversos satélites exclusivos para uso de radioamadores), contatos através de reflexão lunar (o sinal é “rebatido” na superfície da Lua) ou você poderá até manter contato com radioamadores na Estação Espacial Internacional (a maioria dos astronautas são radioamadores).

Quantos clubes Jundiaí chegou a ter? 

Jundiaí, somente teve o CORAJ, nas décadas de 1970 e 1980. Após a extinção do clube, não tivemos outro na cidade. Hoje devemos ter cerca 200 radioamadores prefixados na Anatel. Na região toda, uns 400.




 

 

Radioamador famoso: O astronauta brasileiro Marcos César Pontes(PY0AEB)

 

 

 

 

 

 

 




Quando foi a última vez que os radiamadores da cidade entraram em ação de forma efetiva para compartilhar informações importantes?

Não me recordo de algo relevante na região de Jundiaí, mas podemos citar um exemplo da importância dessa atividade como meio de comunicação em situações de calamidade e emergências, os radioamadores formaram uma rede nacional de comunicação quando das grandes enchentes nos anos de 1983 e 1984 no estado de Santa Catarina, onde por vários dias dezenas de importantes cidades ficaram totalmente isoladas e devastadas, sem nenhuma outra forma de comunicação. Mais recentemente os radioamadores americanos participaram ativamente como uma rede de comunicação de emergência durante os ataques terroristas de 11 de setembro. Também na passagem do ano 1999 para o ano 2000 os radioamadores formaram uma rede de emergência no mundo todo, para o caso do então chamado bug do milênio causar algum problema.

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