16, janeiro , 2019
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Renata RECARREGA AS BATERIAS ao vir da Itália para Jundiaí

Quando deixa a Itália duas vezes ao ano para vir ao Brasil, mais precisamente a Jundiaí, a psicóloga e coach Renata Pellicciari de Andrade, 43, não tem dúvidas: este é o momento em que recarrega as baterias. Pode parecer incrível uma afirmação assim. Mas é desta forma que ela encara deixar – mesmo que por pouco tempo – um país do primeiro mundo, para relembrar bem de perto todas os problemas em verde-amarelo. As férias numa das cidades brasileiras mais italianas que se tem notícia fazem bem ao coração de Renata. E ela faz uma revelação que até chega a consolar que vive por aqui: os italianos, quando o assunto é burocracia, são tão ou mais enrolados do que nós:

Você é casada? Tem filhos? brasileiros ou italianos?

Sim, tenho dois filhos, Julia, de 13 anos, e Gabriel de 10 anos. São brasileiros e italianos (por descendência do meus avós).

Você é jundiaiense? Quanto tempo morou aqui?

Sim, nasci e vivi em Jundiaí praticamente ate me casar, aos 26 anos.

Onde estudou em Jundiaí? Onde morou?

Estudei no Divino Salvador, Sesão e no Leonardo da Vinci…

Como foi esta época?

Maravilhosa, lembro da escola Leonardo como uma das melhores épocas da minha vida. Jundiaí era razoavelmente tranquila, íamos para a escola a pé em turma, os professores eram divertidos e os amigos daquela época são amigos pra vida toda, mesmo que a distância física hoje atrapalhe um pouco. Jundiaí ainda é a cidade que chamo de casa quando falo do Brasil para os amigos daqui, apesar de ter morado em São Paulo depois de casada e gostar muito de lá também.

Chegou a trabalhar em Jundiaí?

Não. Minha carreira foi primeiro em Recursos Humanos na Unilever em São Paulo e depois em Londres. Passei a atender como psicoterapeuta em consultório particular lá em Londres, e depois em São Paulo novamente. Quando nos mudamos para Nova York, trabalhei como psicoterapeuta infantil em uma clínica social, depois passei a trabalhar online Life Coach e a conduzir grupos de treinamento com foco em ajudar mulheres a resolver suas questões de maternidade, carreira e vida internacional.

Por que decidiu ir morar na Itália?

Foi por uma transferência de trabalho do meu marido, mas sempre sonhei em morar aqui…

É fácil achar arroz e feijão na Itália?

Sim! E também não dá para reclamar da comida italiana, né?

De muito longe, acha que o Brasil tem jeito?

Já fui mais otimista… Hoje acho que sim, mas que não tem solução rápida nem milagrosa. Torço muito pelo Brasil e acho que aqui de fora me sinto mais brasileira ainda.

E Jundiaí? Está progredindo pelo que observa pelos sites?

Depende em que sentido. Jundiaí tem sim mais opções de restaurantes, lojas, serviços, embora tenha notado muitos negócios fechando nas ultimas vezes que passei por ai. Tem escolas particulares fantásticas também com certeza, Não me parece que houve muita evolução em termos de escolas públicas e atendimento social. E percebo que a violência aumentou muito, mas isso como em todo o Brasil.

Aliás, você vem com frequência à cidade?

Sim, duas vezes ao ano.

Como se sente quando chega aqui?

Em casa, tirando as mãos de direção das ruas que sempre mudam e me confundem!

Um dia pretende voltar para o Brasil? Para Jundiaí?

Não tenho certeza neste ponto da minha vida, mas visitar com certeza. Estar no Brasil e especialmente em Jundiaí recarrega a bateria e faz muito bem pro coração!

Qual a reação dos italianos quando você diz que é brasileira? 

As pessoas tem uma reação positiva quando digo que sou brasileira, perguntam se de São Paulo ou do Rio. Ficam surpresas quando digo que minha cidade é uma das mais italianas do Brasil e querem sempre saber de qual cidade aqui da Itália eram meus avós. Acham os brasileiros muito abertos e calorosos, imagino que se decepcionam um pouco com minha personalidade que não é exatamente o estereótipo esfuziante que esperam(risos). Muitas vezes me contam de algum conhecido que se casou com uma brasileira, tem muitos casos por aqui. E sempre querem saber qual o time de futebol da Itália que eu torço.

E como é seu relacionamento com outros imigrantes. A Itália tem muitos brasileiros, não é? Encontrou outros jundiaienses por aí?

Ainda não encontrei jundiaienses aqui em Milão, mas tenho certeza que logo vou encontrar! Tem a Fabíola Amaral em Roma que me deu várias dicas da vida na Itália quando nos mudamos pra cá. Chegamos a poucos meses, mas logo conheci uma brasileira (aquela amiga da amiga da amiga) que é minha vizinha e me apresentou outras brasileiras, alem da manicure, do faz tudo, da doceira, todos brasileiros! Conhecemos também outras famílias de brasileiros na escola dos meus filhos. Além de outros estrangeiros do mundo todo.

Você trabalha na mesma área?

Sim.

Sentiu dificuldade para se adaptar?

Acho que estamos em período de adaptação ainda, mas até agora estou achando razoavelmente fácil. A cultura italiana é bem mais próxima da nossa que a americana ou inglesa, que são os lugares onde morei antes.

O que é pior: o frio, o idioma? 

Acho que o idioma é um desafio, porque a gente entende bem o italiano mas falar é outra coisa! Então é meio frustrante no começo. Mas o que me frustra um pouco aqui é que a burocracia e a papelada para resolver pequenas coisas, às vezes parece que voltamos aos anos 80! Tudo tem que ser resolvido ao vivo, poucas coisas funcionam realmente pela internet.

Mantem contato com o pessoal daqui?

Confesso que não sou muito boa em manter contato… Os grupos de whatsapp e redes sociais ajudam, mas acho que minhas amigas daí diriam que eu estou sumida! Tenho saudades das pessoas, dos amigos, família, mas nem sempre da pra encontrar todo mundo quando passo por ai.

Os italianos acompanham as notícias do Brasil ou não passamos de um país de segundo plano para eles?

Difícil responder de uma forma justa, acho que não conheço os italianos tão bem ainda… A minha impressão pelos jornais é que as grandes notícias do Brasil aparecem, mas não é um país principal para eles. Mas não quer dizer que não tempos importância nenhuma, acho que todos sabem do tamanho do Brasil e reconhecem nossa importância econômica. Diferente dos americanos médios, os italianos sabem que a falamos português e não espanhol(risos).

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O que deveríamos aprender com eles?

Que dá pra ser um pais ótimo e mais justo mesmo com uma certa bagunça. E que menos consumo é bacana. Ah, e que não precisa de tanto parmesão na macarronada.

Temos algo para ensinar para eles?

Sim, a dar um jeito em tudo sem ter que brigar, xingar ou falar não antes. Acho que nós temos uma disponibilidade para ajudar e resolver problemas que é muito bacana.

Qual foi o seu maior mico na Itália?

Quando cumprimentam, os italianos começam os beijos pelo lado contrário do nosso… Imagina a confusão!

Preconceito de algum tipo?

Não senti pessoalmente, até porque com meu sobrenome eles me colocam numa caixinha de “quase italiana”, mas acho que ainda existe uma associação de brasileiras com a prostituição…

 

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