23, março , 2019
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RETOMAR é preciso ou… Acho que vou desenhar!

Nos três últimos artigos fiz comentários e procurei levar a reflexão com assuntos e temas que me são familiares e, acredito, bem conhecidos para todos os humanos vivos. Falei sobre minha aposentadoria e descrevi minha trajetória. Comentei sobre minha recuperação de uma cirurgia de prótese total de quadril e, finalmente, refleti sobre a data natalina e suas vertentes. Acredito que alguns colegas não alcançaram o que busquei fazer, pois recebi mensagens em meu e-mail questionando e opondo-se, até, ao meu ponto de vista. Então, vamos retomar. Ou desenharei o que pensei dizer. Mas opor-se ao meu ponto de vista fica estranho: é um ponto de vista; não se trata de um dogma ou postulado. Eu penso assim, você pensa como bem entender. Mas eu digo o que penso e você pode concordar ou não; porém eu não irei mudar meu posicionamento por causa de seu ponto de vista. Como já disse: é um ponto de vista.

O que me causou risos ao ponto de doer o estômago, foi que dei um título (O que eu quero Mário Alberto) que remetia a um vídeo da Porta do Fundo, cujo link vinha no inicio do texto fez com que algumas pessoas fossem ao vídeo, primeiro, sem ler meu texto, sentirem-se traídos diante de tamanha imoralidade e, ao invés de ler, recriminaram. Que pobreza de cultura, não é. Nem sabem do que se trata e são contra. Causa-me dó tamanha ignorância.

Este é o lance mágico de uma crônica. Pode ser real, pode ser imaginativa ou pode ser delirante. É uma crônica. Então vamos. Vou tentar retomar e, se não der certo, na próxima vez eu desenharei.


Vamos partir do princípio: aposentei. Se tenho ainda o que fazer, profissionalmente, vai ser algo a que me dedicarei a pensar e a tomar resoluções, pois trata-se de minha Vida; significa que sobre minha Vida cuido eu. Caso entenda que devo manter orientações no Mestrado e Doutorado a que estou agregado, farei isso. Caso contrário, passarei a ler Boa Forma, Mente e Cérebro e mandarei às favas tudo o que for demasiadamente acadêmico.

A triagem será feita por mim e a escolha do resultado final dependerá daquilo que apenas eu possa querer. Simples, prático e objetivo. Afinal sou senhor da minha história e preciso assumir as alegrias e dores das minhas escolhas. Surpreendeu a alguns o fato de dizer que manterei meu Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, o LEPESPE, no entanto este espaço é responsável por muitos estudos que se convertem em pesquisas e intervenções que envolvem muitas pessoas e que avança em direção à comunidade, fazendo com que tenhamos atenção a este serviço de utilidade pública, visto sua atuação comunitária.

Outra questão que causou certa inquietação foi quando falei em comunidade acadêmica. A comunidade acadêmica, os acadêmicos, são aqueles que estão engajados nas atribuições da academia, com sua participação didática, de pesquisa e divulgação e com seu atendimento à comunidade. Todos os demais são apenas os pesquisadores ou os professores, não são acadêmicos por não preencherem o escopo.

Assim, quando falei em comunidade acadêmica não me referi à dona Lúcia, docente do Bairro dos Pinheiros. Dona Lúcia consome a pesquisa e os estudos da academia. Ou dona Lúcia foi participante de projetos de algum acadêmico. Ou dona Lúcia recebe alguma atividade prevista por alguma academia. Ela tem seus méritos, ela tem seus brilhos mas ela não é acadêmica.

Dona Lúcia, em sua trajetória profissional, não optou por fazer carreira acadêmica, que o levasse a fazer progressão em sua titulação, fixar-se numa instituição de ensino superior, agregar-se a um grupo de estudos e de pesquisas, compor um programa de pós-graduação onde orientará em níveis de Mestrado e Doutorado, dirigirá parte de seus estudos para projetos de extensão comunitária e divulgará seus estudos em revistas especializadas e em congressos nacionais e internacionais, que frequentará.

Novamente repito: dona Lúcia tem seus méritos e deve ser parabenizada. Ela trabalha na base educacional brasileira e de suas mãos sairão aqueles que também farão suas escolhas, em suas vidas profissionais, alguns chegando à academia e outros chegando ao campo profissional. Tudo certo e bem equilibrado, visto que a academia não é para todos, por ser uma escolha direcionada e profissional. Não é melhor, não é pior. É uma opção e como tal tem lá seus pontos positivos e seus pontos vulneráveis, é claro.

Um outro questionamento recebido foi em relação ao salário do docente universitário estatutário aposentado; diria que um questionamento indelicado e deselegante, mas posso dizer: o salário dos funcionários estatutários é divulgado na Imprensa Oficial, portanto é transparente. Se há acordo em relação ao valor ou se entendem ser injusto (para mais ou para menos) isso não está em discussão. Apenas é preciso se considerar o caminho feito para o cidadão que o recebe e por isso eu contei a trajetória que eu tracei. Não me questionaram diretamente sobre o meu salário, mas insinuaram que, na universidade, se ganha muito.

Com relação a esta afirmação, peço que me envie, rapidamente, o endereço desta universidade que paga bem, para eu me candidatar ao próximo concurso, em especial porque os docentes universitários de minha instituição não receberam seus dois últimos 13° salário. Isto ninguém comenta; sabe-se mas existe uma olhar de viés, sem maiores compromissos com apoio ou indignação.

Acredito que seja só. Sem desenhos.


De resto, vamos resumir, porque cansa dar murro em ponta de faca: os passos maiores que as pernas. Comprei um iphone novo, uma TV maior, uma roupa de grife e não consigo pagar meu plano de saúde: esta é sua escolha. Assuma aquilo que escolheu, aposse-se de suas propostas. Ou as reveja e retome a trajetória. Bem simples e bem objetivamente, porque são escolhas suas.

Pergunto-me aos amigos: o dinheiro encurtou ou as escolhas foram além de minhas possibilidades? É verdade que o dinheiro perdeu seu poder de compras, em especial por os preços disparam para muito além daquela inflação de até 3% que dizem estar vigorando. Aliás, vamos combinar que inflação de 6% já é sonho/pesadelo, pois ela está muito mais severa e mais maldosa. Então, se além de vivermos a mentira que nos é empurrada goela abaixo, sobre a situação financeira real do país, ainda não tivermos controle sobre nossas compras, claro que explodiremos.

Tentando por no mesmo bolo, das enganações, sobre o João de Deus (ou será João do Capeta) cabe separar a figura pública da figura privada. A prática de suas ações espiritualistas deve ser desvinculada da cafajestagem retratadas pelas quase 400 mulheres que foram violentadas. Mas vamos mais a fundo nesta história de horror: os órgãos públicos nunca virão a fortuna crescer exponencialmente? Porque a do cidadão comum, se houver um tostão a mais incompatível com o rendimento a malha fina arregaça a vida do infeliz. Ou ainda: se você roubar um lápis, numa papelaria, vai para a cadeia e ninguém alivia seu erro, enquanto que muitas denúncias já prescreveram porque não foram computados créditos às palavras daquelas mulheres. Estranho não? então caberá punição a todos os que fizeram vistas grossas no conjunto da ópera ou a questão será focal?

Não sei dizer. Não sou estudioso das leis. Sou cidadão e como tal sofro os agravantes de um país sem lei, ou melhor: de um país com leis para uns e outras leis para alguns. Mas não perdi a capacidade de pensar, analisar e questionar. Mas só incomoda a mim? Acabo de ouvir, pela TV, sobre um bloqueio de cinquenta milhões de reais nas contas deste senhor e, com indignação, me questiono: nunca se espantou com o valor de dinheiro numa conta de alguém que vivia da caridade?

Nem a espiritualidade explicará tudo isso. Nem deverá, certo? Isso foi obra de homens. HomenS.

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E, finalizando, ontem ouvi numa reunião de amigos, que estão esperando ansiosamente a virada do Ano, para assistir ao naufrágio do navio. E eu, muito burro, perguntei de qual navio. Sofri uma gozação sem fim, pois meus amigos falavam na derrocada do futuro novo presidente da República. Claro que perguntei se eles iriam embora do Brasil, mas eles disseram que não e que torcem para que o país se exploda (não foi bem isso que falaram).

Independente de partido político eu disse que torcia a favor, afinal sou brasileiro e se o país afundar tudo seria muito pior para mim, como nativo e morador no Brasil. Mas ouvi tantas besteiras, tantas insanidades, tantas benfeitorias realizadas em 16 anos, que eu não vi ou não percebi, que me cansei e resolvi me retirar.

Discutir política, religião e esporte com pessoas fanáticas apenas serve para subir a pressão e para desvelar algumas opções que não são de nossos interesses íntimos (ou são), ampliando a possibilidade de ficarmos magoados ou desagradados com algumas falas e pessoas, que temos ou tínhamos em consideração.

Quando se busca contextualizar toda a situação política que se viveu nos últimos 20 anos, apenas se consegue exaltar os ânimos e corre-se o risco da conversa virar uma briga e a questão ficar sem controle. Como observou um dos presentes, ele viu duas irmãs perderem amizade e contato, porque cada uma delas é xiita para um dos dois lados. Eu, francamente, parto do seguinte princípio, já comentado aqui, em outras ocasiões: não vou bater boca por este ou por aquele candidato político; não vou defender nem João nem Pedro, por um único motivo.

Eu creio que neste puteiro nem há virgens.

Feliz novos tempos. Sejam eles quais forem, eu mereço um feliz novo tempo. E desejo esta felicidade a todos, independente de serem heteros, gays, brancos, negros, amarelos e vermelhos, cristãos ou macumbeiros ou budistas, pobres ou ricos, lulistas ou bolsonaristas. Todos são brasileiros e merecem ser felizes. Mas repito: NESTE PUTEIRO NÃO TEM VIRGENS.(Ilustração: paulovasconcellos.com.br)


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.

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