Na última parte da entrevista com o baixista do Angra, Felipe Andreoli, fala sobre os bastidores do Rock. Afinal, por que muitos astros não suportam esta vida e acabam morrendo? Felipe toca no Angra há quase 20 anos e mora em Jundiaí. Confira:

Como é saber que você conquistou o sonho de muitos jovens, saindo da garagem para fazer show numa grande arena para milhões de pessoas?  

Eu não considero o Angra uma megabanda. Acho que é uma banda muito sólida e importante. O Metallica é uma megabanda. É claro que o Angra tem relevância. E importância para o cenário musical e na vida dos fãs. Este impacto é muito gratificante. É bacana saber que as pessoas vão aprender música por nossa causa ou vão para escolas de inglês. Já conversei com pessoas que disseram que saíram da depressão ouvindo nossas músicas. Um fã disse, outro dia, que ouvia muito Angra quando estava estudando para concurso. Ele passou para juiz federal. O Angra foi a trilha sonora daquele período da vida dele. Sendo ou não uma megabanda de Rock, se a sua arte tem esta relevância, eu acho muito legal…

Aliás, porque Angra é uma banda de sucesso na sua opinião? Existe um segredo para o sucesso de vocês?

Acho que a qualidade da música apresentada é muito alta. A qualidade dos músicos também. No fundo são as composições que cativam as pessoas. Não adianta tocar muito, ser muito rápido, gravar no melhor estúdio, se as composições não são marcantes. E o Angra tem isto: músicas que marcaram época. Ela faz parte da vida das pessoas.

É sabido que a convivência entre os integrantes de uma banda não é fácil. Vocês brigam muito? Como resolvem as divergências?

É um desafio ter harmonia. Mas com a maturidade, com a idade, a gente vai aprendendo que o melhor caminho para fluir e ser vantajoso para todos é ter sabedoria para saber ouvir, saber falar. A comunicação é a melhor maneira de manter uma banda viva. Nós procuramos fazer isto para que os problemas não fiquem ainda maiores e não possam ser resolvidos. A gente não briga muito. Mas divergimos. E resolvemos na base na democracia e diálogo. Eu gosto de ouvir o que meus colegas de banda tem para falar…

Grana é um problema que sempre precisa ser administrado?

Já foi mais. Aprendemos a administrar a banda de uma forma que ela se paga. O Angra gera receita para todos os projetos que queremos. É uma empresa que emprega e gera renda para várias famílias. Dinheiro não é mais problema. Mas já foi, com certeza…

“Sexo, drogas e rock’n’roll” é uma máxima inquestionável no seu universo?

Não. Isto é uma herança do Rock dos anos 60, 70 e 80. Ficou um estigma de tudo que se relaciona com rock ser sexo e droga. Não vou ser hipócrita de dizer que isto não acontece. Mas não é uma máxima inquestionável. Hoje em dia, as pessoas percebem a necessidade de ser profissional, ter uma boa imagem, dar exemplo. O Angra sempre prezou por isto. Nunca fizemos apologia às drogas. Muito pelo contrário. O nosso fã procura cultura, informação, inspiração no Angra.

Como você, que está neste mundo, explica a autodestruição de ídolos como Elvis, Michael Jackson, Kurt Cobain, Jim Morrison. O que aconteceu com eles? 

Primeiro lugar nem todos estão preparados para o sucesso. Não em relação ao talento e sim à estrutura psicológica, familiar. É preciso saber lidar com a mudança da vida, que vira de cabeça para baixo. Quando você é uma banda de garagem, faz tudo por amor. De repente, começa a ter uma atenção muito grande e passa a viver quase que num universo paralelo. Você é elevado ao status de semideus. Acredito que é neste momento que alguns não aguentam e perdem contato com a realidade e o chão. E não conseguem procurar ajuda para resolver seus problemas, suas frustrações. Além disto, com a internet, vários artistas não suportam as críticas e acabam chegando ao suicídio. O Chris Cornell é um caso. O tecladista do Emerson Lake & Palmer, o Keith Emerson, estava com artrite e não conseguia tocar tão bem. Não aguentou as críticas e se matou. Ele foi um cara reconhecido por ser virtuoso a vida toda…A internet é destrutiva. Tem gente que não consegue lidar com as críticas e não procura ajuda.

Por outro lado, há astros que atravessam décadas. Rolling Stones é um exemplo notório. Como manter o equilíbrio?

É preciso entender que arte é arte e business é business. As duas tem que andar juntas sem interferir muito uma na outra. A pessoa que é muito purista, que fala apenas da arte, que diz que não se vende, geralmente não consegue muita longevidade. Para isto é preciso pensar nos negócios. As vezes é necessário dar ênfase no business para que tudo seja viável. Os Stones tocam Rock e são uma empresa multimilionária que gera milhões de dólares, que alimenta várias famílias. Eles não estão fazendo novos discos ou novas músicas. Estão repetindo músicas que fizeram há décadas. E transformaram isto num grande negócio. Não vejo nada de errado nisto. Acredito que a fome artística deles é resolvida de outras formas. Os Stones tem o fator nostálgico, que não tem preço. E se utilizam muito bem disto…

BAIXISTA DO ANGRA MORA EM JUNDIAÍ. E GOSTA MUITO

“O BAIXO ME ESCOLHEU”, AFIRMA MÚSICO DE BANDA DE ROCK

O que ainda falta você conquistar no mundo da música?

Muita coisa! Nem sei. Não quero me limitar nas coisas que consigo imaginar. Quero que a vida me surpreenda. Mas trabalho para sempre crescer e fazer melhor…

Não estranha ver astros como The Who, Rolling Stones, Paul, já idosos, tocando ainda? Acha que deve existir um limite ou quanto mais velho melhor?

A música é legal porque a pessoa toca até quando aguentar. Ou até quando não aguentar mais. Eu acho que enquanto o artista consegue subir no palco, ele deve continuar se apresentando. Ele não está prestando um serviço, como um pintor, por exemplo. Se o pintor deixar de fazer seu trabalho bem por determinados fatores, deve parar. Os fãs terão o privilégio de ver Paul McCartney mesmo que ele não esteja cantando tão bem ou não tendo a mesma energia. Há uns dois anos vi um show do Phil Collins. Ele tocou sentando. Mas eu prefiro mil vezes vê-lo sentado do que não assistir mais a um show do Phil Collins. Enquanto ele aguentar, eu quero mais que ele suba no palco. É muito triste para um músico quando ele não consegue mais fazer aquilo que ele ama. Mesmo velho e sem tanta vitalidade, estes grandes nomes ainda terão público que querem vê-los apenas pelo que fizeram pela música.

Pretende tocar até quando?  

Até quando eu conseguir, até quando tiver forças para empunhar um instrumento…

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