Como será AMANHÃ?

Como será amanhã?

Responda quem puder

O que irá me acontecer?

O meu destino será

Como Deus quiser

Como será?

E a situação está posta. Recebemos aquilo que optamos e seremos responsáveis pelas nossas escolhas, frase tão em moda em momentos bicudos como o que estamos vivendo. Aliás, por falar em momentos bicudos, nunca se viu tamanha manifestação de violência e agressão como as que temos vivido nestes últimos dias.

Atualmente, usar uma camiseta ou pronunciar algumas frases de efeito passa a ser motivo para uma discussão acirrada e desnecessária, que termina em agressões e pega-pega. Algo inusitado e antissocial, porém usual em nossa história atual.

O que mudou? O que está em jogo? O que se pretende com estas bravatas infundadas? Fui questionado por amigos e alunos se isto já existia e estava inibido ou se isto é fato novo na dita passividade do brasileiro. E a resposta que tenho, como observador social, é que isso já devia existir, mas estava em estado de hibernação, sendo acordado e excitado pelo novo. Daí, esta explosão que toma conta do país, de canto à canto, incontidamente.

Sim, a tendência é que isso se acirre cada vez mais e que se torne um movimento social incontrolável, até que forças de opressão se manifestem e provoquem o embutimento deste barulho popular. Será o ruim cuidando do pior. Mas será aquilo que teremos para o momento e que fora escolhido por nós; não se trata de algo que brotou na sociedade mas algo que escolhemos, infelizmente.

A história da civilização aponta este roteiro e este descaminho em muitos outros momentos do desenvolvimento humano e, ainda, mostra onde tudo isso vai dar, sem ser um roteiro de futurologia. É o (des)caminho que trilhamos quando fazemos nossas escolhas sem antes executar o jogo lógico daquilo que temos, o que queremos e para onde iremos. Está feito. Vivamos, então.

Mudanças radicais e alterações cruciais acontecerão, como acontecem quando mudamos de casa: trata-se de um novo espaço, com novos dirigentes e novos comandos. Sim, novas ideias e novos postulados serão apresentados e colocados em ação, restando-nos aguardar que o final seja o melhor, o mais adequado, mas diante de tanto antagonismo, como escolher o melhor?

Quais das propostas faz o equilíbrio? Quais das falas apontam para o centro do problema? Ou tudo que nos apresentam está alicerçado numa ótica de extrema radicalidade? Ouvi muito, quando estudante de Filosofia, que o consenso é burro e que o dissenso era a transformação. No entanto, a larva passa por fases de transformação até que se transforme numa borboleta e voe. As etapas são lentas e graduais e as atuais propostas são violentamente rápidas. Para o ontem.

Diante do exposto, como fica nosso estado de ânimo? Como está nossa projeção de futuro imediato? O que temos para definir com precisão e calma, sem ferir nossos espaços vitais? Até onde poderemos opinar e atribuir valores sem sermos engolidos pelo novo sistema? Sim, um novo sistema se aproxima!

            E a vida

Ela é maravilha ou é sofrimento?

Ela é alegria ou lamento?

O que é? O que é?

Meu irmão

 Enquanto alguns estão inebriados com a loucura da mudança, outro sofrem com a dureza proposta e com a severidade das alterações. Quem está lúcido? Quem esta sóbrio? Neste momento conseguimos discernimento para a tal raciocínio? Ou estamos embebidos na doçura do desconhecido, do novo?

Qual a atitude de um professor diante de sua sala de aula: ensinar o real e duro ou ensinar o meio-real e suave? Quando pensaremos no ensino para transformar, que não facilita nem alivia as dores da transformação. Sabemos que crescer dói. Entretanto, quando a dor é previsível e escolhida, necessitamos rever se estamos diante de um quadro de masoquismo ou de sadismo. Muito interessante repensar esta escolha. Mas é a nossa escolha.

 

E a vida

Ela é maravilha ou é sofrimento?

Ela é alegria ou lamento?

O que é? O que é?

Meu irmão

Sofrer? Alegrar? Lamentar? O que fazer? Como sobreviver diante da escolha que será seletiva por um corte de tempo? Mesmo que cada um de nós façamos o melhor de nosso desempenho, ainda assim teremos dificuldades diante dos atritos sociais e agressões que temos presenciado. A agitação sociocultural que temos presenciado vai além das incongruências partidárias: está arraigada em todos nossos processos de escolhas e em nossa formação humanista (aqui mora o perigo).

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Afinal, o que podemos acreditar e o que podemos edificar? Diante de tamanha força do sistema (do qual fazemos e somos parte) optamos por nos mostrar fracos ou inertes, deixando que alguém decida por nós. Entretanto, até quando ficaremos procrastinando e permitindo que façam nossos caminhos?

Realmente, a hora é agora. (Foto: www.gestaoeducacional.com.br)


AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.