Vivência SINISTRA de desafio

Uma vivência sinistra de desafio foi manchete em diversos órgãos de comunicação no final da semana passada. Trata-se da estudante de 12 anos, da vizinha cidade de Jarinu, que seguindo a provocação do “Charlie Charlie Challenge”, pensou em primeiro matar a irmã de três anos, com veneno de rato, e, depois, adoçou o café dos pais com ele. O pai e a mãe sentiram o gosto diferente e a adolescente acabou confessando o que fizera.

Essa “brincadeira”, que se espalhou pela internet, consiste em colocar duas canetas em cruz, equilibradas uma sobre a outra e perguntar: “Charlie, Charlie, você está aí?” Em seguida, observar a manifestação do suposto espírito mover os objetos como resposta a questionamentos.

Imagino que a menina já fosse emocionalmente complicada para chegar a esse extremo. Questiono, no entanto, se, com problemas emocionais, teria se deixado influenciar pela tal brincadeira ou se o “Charlie Charlie Challenge” que a desequilibrara, assim como acontece com outros jogos como o da “Baleia Azul” e do “Momo”, que podem se tornar algo muito mais sério do que uma simples distração online.

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Reflito sobre a sociedade atual, desfeita de valores maiores. Semana passada, o padre francês, Jean-Marie Laurier, do Instituto Nossa Senhora da Vida, fundado pelo Beato Maria-Eugênio do Menino Jesus, ligado à espiritualidade do Carmelo, comentava comigo que, independente da idade e do estado em que a pessoa vive, para dar sentido à existência, para não tropeçar e até afundar nos vazios, é preciso uma vocação para a fecundidade. Tenho pensado bastante nisso.

E, no último domingo, a Catedral Nossa Senhora do Desterro, na Missa das 8h30, através de seu pároco, Padre Milton Rogério Vicente, acolheu crianças, adolescentes e adultos que iniciaram o caminho da catequese. Ainda na porta da Igreja, o Padre Milton, antes de entregar a cada um o crucifixo, fez um belíssimo comentário sobre receber a cruz na testa, nos olhos, nos ouvidos, no coração, nos ombros… Seguir Jesus Cristo é caminhar, em acontecimentos diversos, com a cruz. E como ela clareia os caminhos! A cruz acende lamparinas nos atalhos do coração. A sociedade está carente de virtudes e de renúncias que elevam o ser humano.

Creio que seja a hora de um movimento mundial contra jogos letais na internet que deformam a essência da criança e do adolescente.


MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.