Assumo que às vezes uso as crianças para ir ao cinema. Digo que “eles” querem assistir ao filme. Adoro filmes de super heróis e nunca escondi isso, assim como historias fantásticas e contos de fada.

Depois que conheci os X-Man gostei mais ainda de super-heróis, pois a maioria é mais parecida conosco, tem paixões e desvios de comportamento como qualquer pessoa normal, e o melhor: seus poderes são o resultado de mutações.

Mutações não são incomuns. A todo momento sofremos mutações.

Então, super-heróis existem?

De fato, é de conhecimento público que mutações raramente são benéficas, na verdade, elas trazem muito transtorno ao portador, como cânceres variados, doenças mentais, distúrbios comportamentais entre outros.

Mas, seria possível que algumas delas tragam algum benefício?

Estaria a lei de seleção natural, propagada por Charles Darwin, agindo em nós, nesse instante, produzindo seres humanos voadores, com poderes telepáticos, imortais, magnéticos, super velozes, super fortes, mega inteligentes?

Provavelmente não. Estamos no topo da cadeia evolutiva, sem grandes barreiras naturais desafiadoras para ultrapassar, mas, se ocorresse uma hecatombe, um desastre natural de dimensões inimagináveis, que levasse grande parte da população à morte e à mudanças climáticas dramáticas, sim, com certeza os melhores adaptados à nova realidade sobreviveria e se reproduziria entre os sobreviventes, criando uma geração nova de seres humanos.

Talvez até uma nova espécie.

Outra possibilidade seria a adaptação/sobrevivência fora de nosso planeta. Viver em Marte com certeza seria uma pressão genética suficiente para gerar novos seres humanos.

Criar seres humanos incríveis não é uma ideia nova, mas agora é plausível.

No passado, países em guerra sonhavam com o soldado perfeito. Passada a era do ciborgues (meio homem meio máquina), a ciência nos apresenta uma tecnologia capaz de alterar os genes humanos, incluir alguns, inibir ou retirar outros, por meio do uso do CRISPR/Cas9, que é uma forma de edição de genomas, de qualquer espécie, mas que ainda depende de traços fisicamente possíveis.

Por exemplo, alterar a faixa de luz visível para o ser humano.

Nós enxergamos numa faixa limitada de luz, então seria possível ampliá-la a ponto de enxergar luz ultravioleta como os insetos, ou detectar calor (infravermelho) como as cobras. Entenderam o fisicamente possível? Algo que já possuímos e que pode ser melhorada/alterada.

Os transumanistas dizem que a única forma dos humanos terem superpoderes é através de melhora tecnológica, biológica ou genética. Alguns afirmam que o funcionamento humano pode melhorar tecnologicamente de maneira exponencial até a convergência com a inteligência artificial.

Exagero?

Talvez.

Mas, todas essas ideias, ainda no reino da ficção científica, estão atraindo centenas de milhões de dólares em financiamento.

A evolução baseada em genes ocorre por meio de um processo cego de tentativa e erro. A grande maioria das mutações será danosa. Novas adaptações complexas podem ser descobertas apenas por meio do acúmulo de pequenos avanços no decorrer de muitas, muitas gerações. Bilhões de indivíduos morrerão no processo (falhos demais para sobreviver) para produzir qualquer coisa, que seja complexo e adaptativo.

Por isso a impossibilidade de aquisição de voos com asas (muito complexo) através de mutações genéticas aleatórias.A habilidade de voar precisaria de uma reestruturação corporal, além de simplesmente conseguirmos asas. Precisaríamos de músculos muito melhores nas costas e no peito e uma mudança no nosso centro gravitacional, que seria demorado e difícil.

A visão noturna seria o mais fácil, embora difícil de alcançar simplesmente porque algum ancestral nosso era noturno.

As leis da física e química atuais, também não permitem (ainda) que se faça comunicação mental entre seres de continentes distantes, como se usassem smartphones.

Seria (quase) impossível que um ser humano incrível se desenvolvesse junto a seres humanos normais. Se ele fosse da mesma espécie que nós, sua mutação provavelmente seria recessiva, o que, ao longo das gerações acumularia mais portadores e menos mutantes puros, e só no caso de um desastre de proporções gigantescas, em que os colocaria em vantagem de sobrevivência em relação aos seres humanos comuns, a chance de termos mutantes cheios de habilidades andando sobre o solo terrestre, seria muito pequena.

Alguns superpoderes são impossíveis, por usar energia demais, e nosso corpo biológico não ser capaz de absorver, como a super velocidade do Flash e a reversibilidade do Tocha Humana, pois as leis da física são imutáveis. No entanto, existem muitos exemplos de “super-poderes” na natureza, que são ao menos possíveis biologicamente.

Alguns tipos de falcão parecem ter visão telescópica, a ecolocalização dos morcegos (como o do Demolidor), a capacidade de enxergar na faixa do ultravioleta dos insetos e sentir campos magnéticos como a pomba e as enguias. Algumas dessas características já foram observadas em seres humanos.

No próximo artigo falarei sobre seres humanos que já possuem algumas dessas habilidades extraordinárias.

Eu gostaria de ter algum super-poder, na verdade, alguns, e com essa nova tecnologia de manipulação de genes, algo possível para daqui a algumas gerações.

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A implicação disso tudo é: será que o homem usará essa tecnologia para curar doenças, melhorar a vida do ser humano, gerar adaptações para que possamos viver fora de nosso planeta natal ou usará como arma mortal contra o seu semelhante, ou pior, repetir erros do passado como criar uma “espécie pura” de seres humanos?

Como cientista, aguardo ansiosa as notícias científicas nessa área.Como mãe, rezo para que, quem quer que seja, que esteja conduzindo essas pesquisas, tenha moral suficiente para pensar no todo e no futuro, e não em si mesmo e no agora.(Montagem: www.einerd.com.br)


ELAINE FRANCESCONI

Bacharel em Zootecnia (UNESP Botucatu). Licenciatura em Biologia (Claretiano Campinas). Mestrado (USP Piracicaba) e doutorado (UNICAMP Campinas) em Fisiologia Humana. Professora Universitária e escritora.


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