Os super-heróis existem? PARTE 2

PARTE

Os super heróis existem? Sim. Ao lado da sua casa, na rua onde mora, às vez até em sua família. Lá está ele….escondidinho. Como prometido no artigo anterior, vou falar um pouco das pessoas que tem habilidades acima da média humana. Vamos, então, a segunda parte deste assunto que está bastante em moda, principalmente quando o filme dos Vingadores está nas telas dos principais cinemas do país.

Logo que aconteceu aquele atentado contra as Torres Gêmeas nos EUA e após o choque de um planeta inteiro assistindo àquilo, li sobre um rapaz que correu atravessando cidades logo depois de presenciar o fato. É possível correr tanto assim?

É sim. Principalmente sob forte evento estressante (falarei sobre isso em um futuro próximo). Mas e uma pessoa capaz de correr desse jeito só porque ela quer? Existe?

Existe sim. Seu nome é Dean Karnazes. Americano de 50 anos de idade que, aos 30, comemorando seu aniversário com amigos e totalmente bêbado, resolveu sair correndo. E correu 48 km.

Ele tem uma condição genética que mantém o número de glóbulos vermelhos alto, portanto grande aporte de oxigênio para os músculos, mitocôndrias em grande quantidade e eficientes, enzimas em grande quantidade e rápidas para utilizar o gás precioso sem que haja produção de ácido lático, o grande responsável por câimbras e fadiga muscular. Ou seja, ele nunca entra em anaerobiose (capacidade de produzir energia sem consumir oxigênio), portanto não produz ácido lático.

Certa vez, querendo atingir seu próprio limite físico, ele correu mais de 500 quilômetros em 81 horas sem parar. O que o fez parar não foi o cansaço, foi o sono. Duas noites sem dormir, ainda se sentia bem, mas na terceira, começou a alucinar. Foi aí que ele atingiu o seu limite fisiológico.

Depois que eu li a sua história, o comparei comigo. Mal consigo correr 10 minutos e parece que foi uma maratona.

Outra condição muito interessante, mas muito perigosa, é a ausência de dor.

Essa condição genética é conhecida por analgesia congênita. O que o Super-Homem tem, lembra?

Ele estava conversando com a Lois Lane (aquela intragável do primeiro filme com o Christopher Reeve) e esqueceu a mão no fogo que estava entre eles. No caso do Super-Homem, nada aconteceu à sua pele, por que ele é herói, mas em seres humanos quase normais, causa terríveis consequências.

Ela resulta de uma alteração nas fibras nervosas de pequeno calibre, responsáveis por transmitirem impulsos nociceptivos (de dor) ao longo dos neurônios sensoriais. Afeta homens e mulheres igualmente. Por vezes a pessoa tem o sentido do tato, pode perceber que está calor ou frio, mas o excesso dessas condições, a ponto de provocar dor, não é capaz.

Steven Pete, americano de Washington, que também sofre com a doença, criou o website The Facts of Painless People (‘Os Fatos sobre as Pessoas sem Dor’, em tradução livre), afirma que a analgesia congênita é uma das doenças mais raras do mundo, existindo aproximadamente entre 40 a 50 pessoas atualmente.

No Brasil, Marisa de Toledo, hoje com 31 anos, paulista de Angatuba, tem as mãos e os braços cobertos de cicatrizes e bolhas, não possui mais o sentido do paladar pelas inúmeras vezes em que queimou a língua e teve um dedo do pé amputado.

Como se isso não bastasse, teve três filhas. A primeira nasceu de parto normal sem anestesia e sem dor e no parto da segunda ela dormiu. A enfermeira a acordou aos gritos para que ajudasse a fazer força para o bebê nascer. Parece engraçado? Não, não é. Marisa gostaria de sentir dor.

Ela sofre de discriminação por causa de sua condição. Certa vez, quase matou o marido do coração nos primeiros dias do casamento: ela precisava retirar uma panela do fogo e não achava o pano de prato. Marisa agarrou a panela com as mãos assustando o marido que veio socorrê-la, e percebeu assustado que, embora a panela estivesse com vários pedaços de pele da esposa grudados ao redor, ela não reclamara.

Outra ocasião, com frio, Marisa sentou de costas para uma fogueira e não percebeu que se enchera de bolhas pela proximidade com o fogo.

As pessoas nessas condições devem estar muito atentas e procurar sempre por um médico, pois, como não sentem dor, essa não pode ser a condição para procurar ajuda.

E o que o Raio Negro, Shazan, Tempestade, Thor, Zeus, Wiccano, Curto-Circuito, Super-Choque, Crystalis, Electro, Baal (fora da DC Comics e Marvel) têm em comum?

O poder de dominar a eletricidade. Fantástico não é mesmo?

Não é fantástico. Eles são super-heróis! Fantástico mesmo é o sujeito que aguenta mais de 11 mil volts e diz que é fichinha.

Seu nome é Naresh Kumar, indiano, que ganhou o apelido de Homem-Elétrico, embora seus feitos não tenham sido confirmados.

Entenda o caso: durante um choque, o que importa não é a voltagem (diferença de potencial elétrico entre um ponto e outro) e sim a amperagem, que é a intensidade da corrente elétrica.

Por exemplo, em uma lâmpada de 100 watts passa uma corrente de cerca de 900 miliampères, ou 0,9 ampère. Ao receber o choque, a pessoa funciona como uma ponte que transporta a corrente elétrica já que o corpo humano, formado em grande parte por água e sal, é um bom condutor de eletricidade.

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O organismo é capaz de sentir uma corrente a partir de 1 miliampère, depois disso, até 9 miliampères ocorrerá um processo ligeiramente doloroso. De 9 a 20 miliampères, além da dor, a pessoa perde parte do controle muscular e não consegue largar o condutor. Acima disso, os problemas passam a ser mais graves, podendo causar a morte.

Uma corrente de 75 miliampères produz a contração dos músculos do pulmão, provocando deficiência do sistema respiratório. Acima de 75 miliampères a descarga elétrica começa a interferir no coração, que também trabalha com mecanismo elétrico, provocando uma arritmia cardíaca.

As queimaduras acontecem porque o corpo funciona como a resistência do chuveiro, que transforma energia elétrica em calor. Pessoas com as mãos calejadas e secas são muito menos afetadas por um choque que uma com mãos finas e úmidas.

Por isso eu SEMPRE levo choque na porta do carro em tempo seco!!

Eu O D E I O levar choques.

Achou interessante? Que bom que sim…kkkkk! Daqui 15 dias tem mais!!


ELAINE FRANCESCONI

Bacharel em Zootecnia (UNESP Botucatu). Licenciatura em Biologia (Claretiano Campinas). Mestrado (USP Piracicaba) e doutorado (UNICAMP Campinas) em Fisiologia Humana. Professora Universitária e escritora.


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