TARCÍSIO: “Militares disseram que eu iria assumir”. Ouça depoimento

tarcísio

Nas eleições de 1963, o advogado Tarcísio Germano de Lemos(foto principal e abaixo) não se elegeu por apenas um voto. Tornou-se suplente. Depois do golpe, Tarcísio – que também tinha sido suplente entre 1956 a 1959 e vereador nos quatro anos seguintes – foi avisado que iria assumir o cargo de vereador. O advogado, hoje com 91 anos, conta como foi a repercussão daquele período conturbado da história brasileira em Jundiaí:

Como o senhor se tornou vereador na legislatura de 1964 a 1969?

Conto esta história no livro “Eu e Petronilha”. Eu havia disputado a eleição no ano anterior e perdi por um voto. Na tarde de 31 de março cheguei em casa por volta das 17h30 e ali se encontrava viatura militar. Não achei o fato estranho. Morava na rua Major Sucupira, em frente ao quartel da antiga Ciacom(Companhia de Comunicação, hoje um estacionamento), que ficava na rua do Rosário(foto abaixo). Um oficial desceu com soldados armados, com as baioneta caladas. Perguntaram se eu era o doutor Tarcísio. Respondi que sim e disseram que eu deveria acompanhá-los por determinação do coronel comandante.

O senhor obedeceu?

Pedi para que eles aguardassem um momento para deixar minha pasta e pertences com a esposa. Deixei dinheiro e cheques assinados com ela. Expliquei a situação e procurei acalmá-la já que várias pessoas estavam sendo presas.

Doutor Tarcísio, o senhor imaginava o que queriam do senhor?

Não sabia a razão do convite. Subi no jipão e fui com eles. No comando, o major da inteligência militar e outros oficiais me receberam. O coronel não estava. Pelo que fiquei sabendo, ele não teria participado do golpe. Todos sentaram numa mesa enorme. Fiquei ouvindo o mais graduado.

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O que ele queria?

Ele afirmou que os militares tinham determinado que eu seria o presidente da Câmara. Eu deveria assumir numa sessão extraordinária para que houvesse respaldo da sociedade civil.

Mas o senhor não era suplente?

Sim. Foi o que expliquei para o oficial. Disse que era suplente. Ele perguntou de quem eu era suplente na bancada do PSD. Respondi que era Luiz Polli, na época era representante de Itupeva, bairro de Jundiaí, que no ano seguinte se emanciparia. Polli iria se candidatar a prefeito de Itupeva. Os militares disseram que se ele era candidato em Itupeva não poderia ser vereador, que contavam com a minha valiosa colaboração e eu iria assumir, o que acabou acontecendo.

Deputado Rubens Paiva, que desapareceu no regime militar e o advogado Tarcísio Germano de Lemos

Mas assumir numa extraordinária não feria o regimento interno da Câmara, doutor Tarcísio?

Sim, é ilegal. Um suplente só pode assumir numa sessão ordinária.

E depois?

As dificuldades eram muitas. Os militares não mudaram nada em relação à situação do país. Em 17 de abril de 1965, renunciei ao mandato por não concordar com os rumos tomados pelos militares, pela ditadura. Por ironia, um general, Júlio Canrobert Lopes da Costa, assumiu a vaga. Neste período fui presidente da Ordem dos Advogados(OAB). Ninguém queria este cargo…

Qual era o conteúdo da fita que desencadeou uma sessão secreta no dia 6 de abril de 1964?

O Candelário de Freitas e Carlos Gomes Ribeiro sustentavam que estava ocorrendo a quebra do regime institucional…

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Houve perseguição a jundiaienses?

Sim. Como exemplo lembro o caso de uma advogada que tinha um amigo em Cuba. Ele ligou para essa colega dizendo que queria passar as ideias que aprendera por lá. O telefone, no entanto, estava grampeado. Os militares a prenderam. Fui com ela ao quartel. Toda quinta-feira ela tinha de se apresentar ao oficial. Eu ia junto e o coronel sempre me oferecia um suco horrível. Na terceira vez criei coragem e disse ao oficial que ele estava me magoando já que oferecia uma bebida ruim e eu tomava. Ele levou na brincadeira e disse que a advogada não precisava mais se apresentar.

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A tomada do poder pelos militares ocorreu no dia 31 de março ou 1º de abril?

Aí que está! O movimento teve início no dia 31 e foi concluído no dia seguinte. Só que não queriam que falassem que a revolução ocorreu no Dia da Mentira. Por isto foi convencionado que a data seria 31 de março.(Fotos: Acervo professor Maurício Ferreira/Sebo Jundiaí)

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