Até quando precisamos da TRAGÉDIA para investir?

TRAGÉDIA

É muito comum, de uns tempos para cá, sobretudo nesta fase em que as instituições democráticas estão desacreditadas, vermos a reação negativa de boa parte do eleitorado quando o assunto é dinheiro público. Não teria como ser diferente certamente, já que os escândalos de corrupção contribuíram para essa descrença e a população se cansa de pagar impostos sem, no geral, ter retornos a contento. Porém, com todo respeito a esse sintoma, temos que nos esforçar para termos coerência se quisermos exigir o mesmo dos nossos eleitos, no caso, de nós agentes políticos – posto que ocupo hoje com ciência da responsabilidade que exige. Ou seja, precisamos pedir respeito com o dinheiro público enquanto eleitores, mas também reconhecer quando o respeito acontece e compreender que investimentos são necessários justamente para evitar o desperdício do mesmo recurso. Até quando precisamos da tragédia para investir? O que queremos afinal?

Neste ano, tivemos o crime ambiental ocorrido em Brumadinho (MG) e em 2018, a lastimável tragédia com o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, entre alguns exemplos do que comumente associamos, e com razão, ao descaso de autoridades. E no geral, quando nos deparamos com essas duras realidades, a primeira reação, como eleitores, é a de cobrarmos proteção e responsabilidade dos envolvidos de forma planejada para que tragédias como essas não ocorram e nem tivessem ocorrido. O que me surpreende, no entanto, é que se hipoteticamente os governos de Minas e Rio de Janeiro tivessem, anteriormente aos ocorridos, anunciado investimentos com quaisquer que fossem as justificativas até mesmo para a segurança, possivelmente seriam tachados de irresponsáveis no trato com o dinheiro público – no caso de Brumadinho, não só público, pois sabemos que a cobrança é outra, já que empresas são envolvidas, além de estatais.

Chamo atenção, portanto, para o fato de que naturalmente devemos todos nós sermos fiscais do uso correto do dinheiro público, mas é incoerente exigirmos proteção, segurança, bons serviços públicos, sem que pra isso, qualquer governo ou gestão precise despender recursos e investimentos. Quando não investimos, somos cobrados e se investimos, também. Não faço aqui a defesa de ninguém, muito menos de atitudes completamente ilegais e imorais que devem sempre ser combatidas. O que peço é para que, como cidadãos, também tentemos entender como funcionam as máquinas administrativas que precisam de recursos justamente para oferecer melhor o que pedimos: serviços em saúde, educação e segurança.

Recentemente, ao presidir a Câmara de Jundiaí, nós da Mesa Diretora adotamos medidas consideradas impopulares, e até então temidas, como a redução e troca da frota de veículos e a reforma para manutenção do prédio anexo do Legislativo. No entanto, tais ações foram pautadas em laudos técnicos que apontaram riscos tanto aos servidores quanto para munícipes. Claro que temos que encontrar alternativas mais econômicas, reduzir o que já não faz sentido, e foi o que fizemos.As mudanças são graduais diante da maneira como as regras foram construídas no passado. O futuro de uma Casa Legislativa talvez seja mesmo sem o uso de carros próprios, porém, enquanto tivemos que responder às leis e devermos respeito aos funcionários concursados, o caminho mais eficiente para todos precisa ser encontrado e estas ações já são o primeiro passo para as futuras mudanças.

Falta ao eleitor, e também por responsabilidade nossa como agentes políticos que por anos fugimos da transparência, ter acesso às informações reais de como funcionam os poderes. Como podemos aceitar a aventura de que se reduzam gastos com educação hoje se, no futuro, é justamente a educação que nos trará novas lideranças, novos meios de discussão, mais clareza sobre o que vivemos, ideias de boas políticas, práticas e modernização do que vivemos e nos falta hoje?

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Ou seja, o desgaste político deve nos trazer autocrítica, olhares atentos, mas não a ilusória sensação de que apenas com economia ‘barata’ teremos desenvolvimento. Infelizmente, teremos sempre gastos. O que nos resta é saber compensar este custo, é de fato investir. Outro exemplo é a memória, sempre preterida como aconteceu no Rio. O cuidado adequado com os arquivos de toda cidade é essencial – memória é vida, é pesquisa, é aprendizado, é história. Sem conhecer nosso passado, dificilmente seguimos adiante com sucesso. Porém, esse mesmo cuidado é custoso, necessita de investimento, o que talvez só seria visto com bons olhos, infelizmente, também na hipótese pensada depois da tragédia.

Então, peço essa reflexão. De que a gente procure saber, encontre as novas ferramentas de transparência cada dia mais aprimoradas e cobre por elas antes da crítica pela crítica, da falta de construção, da acusação infundada. Quero fazer diferente e, pra isso, me proponho na vida pública. Que eu possa oferecer melhores condições de trabalho onde estiver e a quem precisar. E que, quem sabe, contribua para futuramente, nós todos como sociedade percebermos o quanto a prevenção sempre será o melhor remédio.(Foto: EBC)


FAOUAZ TAHA

É vereador na Câmara de Jundiaí pelo PSDB, eleito pela primeira vez nas eleições de 2016. Tem 30 anos. Atualmente é líder do governo municipal na Casa de Leis, além de presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Desporto, Lazer e Turismo do Legislativo. Nascido em Jundiaí, Faouaz é formado em Educação Física pela ESEF e tem pós-graduação em Fisiologia do Esporte pela Unifesp. Antes de ser vereador, teve experiência na gestão pública com participação na Secretaria de Esportes


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