Através do TRICÔ e CROCHÊ, Pessoto sente a influência de Jundiaí

TRICÔ

Gabriel Pessoto, de 25 anos, nasceu em Jundiaí, decidiu ser artista visual em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e hoje mora em São Paulo. Recentemente participou de uma exposição na Lona Galeria, na Barra Funda, onde mostrou suas raízes interioranas. Ele utiliza principalmente com tricô e crochê. Hoje, Gabriel tem uma percepção maior da influência de Jundiaí em seu trabalho. A entrevista com o artista:

Em quais bairros morou? Onde estudou?

Sempre morei e frequentei as redondezas do bairro da Colônia. Estudei em uma escolinha chamada Torre Encantada, que não existe mais.

Como descobriu que tinha talento? 

Sempre tive muito interesse por imagens. Gostava muito de observar livros ilustrados, assistir animações e copiar os desenhos que eu via. Também tinha muito prazer em manipular materiais como papel, canetinhas, tintas, revistas. De qualquer forma, não acredito em talento. Penso que fui desenvolvendo alguma técnica por conta da insistência, do estudo e do privilégio de ter podido me dedicar a isso.

Quando decidiu que queria ser artista visual?

Por mais que eu sempre tenha gostado muito de me relacionar com imagens, foi através do vídeo que me aproximei das artes visuais. Sou formado no curso de cinema, onde comecei a desenvolver meus primeiros trabalhos com videoarte. Foi também nessa época que voltei a investir no desenho, trabalhando com animações e ilustrações para cartazes de filmes. Assim que finalizei o curso, ingressei na graduação de artes visuais que, infelizmente, não concluí.

Isto ocorreu ainda em Jundiaí?

Não, isso foi em Porto Alegre, em torno de 2013.

Como sua família encarou?

Minha família não tem nenhuma relação direta com artes visuais ou produção cultural, embora seja repleta de mãos muito habilidosas. Desde pequeno pude observar e admirar meus avôs trabalhando com madeira e minhas avós transformando novelos de lã em peças de vestuário e decoração, por exemplo. Minha geração foi a primeira da família a se formar no ensino superior e por conta do otimismo com o mercado da cultura nos anos 2000 não foi tão difícil acreditar nessas carreiras. Outro fator que aliviou o processo de escolha de uma carreira foi que minha irmã mais velha estudou design de moda, quebrando um pouco o preconceito com cursos menos convencionais. Não sei até hoje se a minha família entende o que eu faço, mas respeitam minhas escolhas e sempre me ajudam quando preciso.

Já participou de uma exposição em Jundiaí?

Ainda não. Adoraria expor em Jundiaí e me conectar com o público local.

Vem com frequência à cidade? Ainda tem família por aqui?

Sim, com exceção dos meus pais e irmã mais nova, que vivem e trabalham em Porto Alegre, minha família vive toda em Jundiaí. Avós, tios e primos. Não consigo ir tanto quanto eu gostaria, mas tento passar ao menos um final de semana por mês em Jundiaí.

Por que se mudou para Porto Alegre? 

Meus pais foram trabalhar em Porto Alegre quando eu tinha seis anos, em 2000. Imagino que essa ruptura, por mais que tenha me afastado de Jundiaí fisicamente, fez com que eu pudesse perceber traços meus e da minha família que eram muito diferentes dos que eu observava em Porto Alegre. Crescer em uma capital foi importante, pois tive mais acesso à cultura (cinema e artes visuais, principalmente) e a um cenário de maior liberdade de comportamento. Também foi lá que estudei, que conheci pessoas que foram importantes para a minha formação e me afetei pelo ambiente. De qualquer forma, hoje, estando novamente próximo de Jundiaí, reconheço-me no recorte da cidade que eu vivi, percebo com maior clareza as influências que me marcaram.

Jundiaí está inserida na sua produção de alguma forma? Como?

Cada vez mais é possível perceber a influência das minhas referências e experiências em Jundiaí no meu trabalho. Isso se deve ao reencontro com a cidade. Desde 2017 estou morando bem mais perto de Jundiaí e consigo visitar a cidade com alguma frequência. O meu contato afetivo com as mulheres da família, avós e tias, fica evidente na produção mais recente, que passou a tratar diretamente dos trabalhos manuais e das memórias. Além disso, muitos dos trabalhos são colaborações com pessoas da família que trabalham com tricô e crochê.

Sua obra é composta por costura, tricô. De onde veio esta influência?

Sem dúvida esses materiais foram incorporados por conta do fascínio que sempre tive pelas tarefas manuais. Inclusive, as que mais me interessavam eram justamente aquelas destinadas às mulheres. Sempre vi muita mágica acontecer na mão das minhas avós, Mirtes e Terezinha e nas mãos da minha mãe, Cristina. Na infância, chegou a ser motivo de culpa e confusão essa proximidade que eu tinha com o que era “feminino”. Hoje, adulto e olhando com distanciamento crítico, vejo que esse desconforto foi revertido em gesto político. Sou um homem que costura, borda, manipula objetos cor-de-rosa. Esse mesmo desconforto também é um dos vetores da minha pesquisa, que reflete sobre a influência de publicações importadas e traduzidas (livros e revistas dos anos 60, 70 e 80, na construção de um imaginário já muito datado sobre o que cada um pode fazer com as mãos.

Um leigo não veria arte neste tipo de produção. Por que o seu material é considerado obra de arte?

A arte contemporânea deslocou a atenção do espectador, que costumava recair sobre a representação de uma imagem, em geral figurativa, bidimensional ou tridimensional. Dentro desse cenário, é possível que um gesto seja considerado arte. Um objeto pronto deslocado do seu espaço cotidiano pode ser considerado arte. Penso que a minha produção dialoga mais com esse cenário. Embora em eu ainda trabalhe com técnicas tradicionais, como o desenho e a pintura, preocupo-me também em pesquisar materiais, aplicar técnicas tradicionais em um material improvável (como é o caso da costura no papel manilha) ou manipular imagens que já existem a partir da colagem e do vídeo. Essa produção está filiada à essa pesquisa de artes visuais e tem um propósito diferente do que era feito pelas “vovós de antigamente”, em geral itens com alguma finalidade prática muita específica, para uso cotidiano. Quando eu aplico essas técnicas em um trabalho, a função prática não é a principal finalidade. A técnica é empregada para aludir à essa memória coletiva, refletir sobre esse sintoma cultural e pesquisar esses limites entre enfeite e arte, por exemplo.

 

É uma fase? Pretende enveredar-se por outras técnicas? 

Não sei precisar. Penso que ainda há muito a ser explorado dentro desse universo dos trabalhos manuais, mas me “assumi” artista há menos de cinco anos. É uma produção recente e eu não sei onde isso tudo vai dar.

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Está morando em São Paulo? Muitas exposições?

Atualmente moro em SP, frequento um grupo de orientação de projetos artísticos e passei a trabalhar com a Lona Galeria. Imagino que esse ano ainda participarei de alguns projetos de exposições coletivas com o grupo e com a galeria, no entanto, ainda sou um jovem artista e tenho muito trabalho pela frente. Essa carreira pode levar muito tempo para dar retorno, mas é importante seguir produzindo, expondo sempre que possível porque, creio eu, dificilmente uma ação feita por um longo período passa batida.

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