UM GRANDE AMIGO sempre. Nas horas boas e ruins

EU

Sempre tenho muitas indagações e muitos questionamentos sobre minhas coisas, as minhas próprias coisas, mas uma das atitudes que eu nunca tomo é perguntar por que aquilo acontece comigo. Sempre entendo que aquilo é meu e que preciso ter compreensão do fato, resolver as arestas e superar os momentos mais difíceis com sabedoria, equilíbrio e velocidade disponível para o assunto. Costumo ser bastante prático e rápido e supero com boa aceitabilidade; as vezes a coisa pega mais e demoro para me equilibrar, mas não fico remoendo. Eu tenho um grande amigo que me ajuda.

Uma das poucas coisas que ainda, do alto da minha vasta idade, não consegui dar conta, é a traição. Esta é, para mim, mais do que um prato que se come cru. Eu não como. Até deixo de molho, espero que o tempo me convença, mas traidor e falso não é gente; é raça. É escória. E fico numa de encolha: observando, evitando contatos. Não esqueço e não sei se perdoo. Costumo dizer, brincando, que sou sagitariano… portanto, minha metade animal fala e fala alto.

Por que este assunto agora? Porque se tem uma virtude que eu admiro em mim é a gratidão. E sou muito grato a muitas coisas: aos meus pais, que foram duros, enérgicos, de pouca conversas mas muito honestos e bons professores. Ensinaram-me a Vida como ela é. Sem desvios nem atalhos. O certo é certo, o errado é errado e não existe metades. Isso facilitou, em muito, minhas escolhas e minha caminhada.

Igualmente grato pela minha escola e seus professores. Foi lá que fui instruído e formado e, de lá, saí com grande bagagem cultural para o enfrentamento de uma carreira universitária que me trouxe muitas alegrias e produções, junto aos meus orientandos e alunos. Reconheço que o Instituto de Educação Experimental de Jundiaí foi-me mais presente e pontual que algumas partes de minha formação universitária.

Sou grato à academia quem me acolheu e me transformou no profissional que sou, ajudando-me a me culturar mais e a ser mais justo e preciso em minhas escolhas e decisões. A vida no ambiente universitário e a possibilidade de acolher e favorecer o surgimento de novos pesquisadores (função primordial dos orientadores acadêmicos) realmente não é coisa para qualquer um: cobra-se uma boa relação entre os pares mais próximos e aqueles que buscam acolhimento nos labirintos da iniciação científica. Acredito ter exercido (e ainda exerço) bem esta parte de minha vida.

No mundo esportivo, ainda me lembro de algumas pérolas que passaram por minha Vida: Klaus Peter Drozd, escolhido melhor levantador de um campeonato brasileiro: José Antonio Pires, atleta, amigo e professor de grande performance no cenário do Voleibol; Antonio Carlos Bastos, gigante da modalidade, sempre humilde, calado e pontual, mas uma pessoa que poucos falam: Wilson Roberto Fernandes, um grande amigo.

Esse é aquele que meus alunos diriam que é o cara. Esse é a pessoa que exerce, exerceu e sempre exercerá o papel de grande responsável por muito daquilo que conquistei, em Jundiaí e até na UNESP, diante do tanto que me ajudou e ajuda. Wilson é uma figura carismática: um homem puro, humano, justo, capacitado e muito prestativo. De pouca fala (às vezes assiste minhas lives e palestras sem abrir a boca, sem me cumprimentar, sequer. Mas torcendo por mim). Wilson é o cara.

Sempre presente em minha família, era a visita dos jantares de Natal, Passagem de Ano e aniversários de dona Carmen e meus. Uma presença constante e real, forte e decisiva. Era a ele que eu consultava se tomava esta ou aquela decisão e, experientemente firme, ele se posicionava me apontando saídas outras que me facilitavam e abrandavam as dores da ruptura. Em momentos de grandes perdas, ele se fez presente, silencioso, forte e humano.

Assim foi na partida do Geraldo, em 1978, e na partida da Carmen, em 2018. Lá estava o Wilson, grande amigo, do meu lado, conduzindo ao último adeus aos meus geradores. Dor maior acredito não haver, mas com suporte psicológico, tudo se faz possível e viável. Exoneração do cargo público, no estado e na prefeitura, ele ajudou a organizar as ideias e as formas, com sabedoria de um advogado trabalhista: coisas de pessoa experiente e justa. Exoneração de função docente em autarquia, ele já era sabedor, com antecedência, do que eu estava vivendo e dos limites a que estava sendo conduzido. Grande ombro, grande apoio.

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O professor Sidney Neto me disse: você conta tudo, e não fala do Wilson? Então Sidney, existem pessoas que merecem destaque e capítulos à parte: Wilson Roberto Fernandes é destas pessoas que fazem parte de minha Vida e que não canso de repetir: ele faz muita falta ainda vivo. Jundiaí dará o devido valor, na ausência dele. Porque dizer que ele é valorizado é uma piada de muito mal gosto: ele merece muito mais. Ele é a história viva do esporte jundiaiense e da micro região. Gravem meia hora de conversa com ele, sobre DEFERT, CREM e Secretaria de Esportes e já teremos um livro do mais apurado saber de nossa vida esportiva.

Desta maneira, quero registrar meu carinho por este parceiro, irmão, admirador, companheiro e humilde pessoa que é conhecido por ‘Wilson do Esporte’, meu grande amigo. Sabe Wilson, se cada pessoa tivesse um de você em suas vidas, certamente seriam pessoas mais felizes e mais humanas. Acredite: devo muito a você e tenho um carinho fraterno que nos conduzirá como amigos até nossos últimos passos. Obrigado, Wilson, por aguentar minhas fraquezas, por ser um grande amigo.

AFONSO ANTÔNIO MACHADO 

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduado em Psicologia, editor chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology. Aluno da FATI.

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