Vivências de VIAGEM

Vivências de viagem é o livro “Outros Cantos” de Maria Valéria Rezende, vencedora do prêmio Jabuti 2015 de melhor livro do ano.

É o primeiro romance que leio da autora e considero incrível como ela nos leva ao sertão, em Olho d’Água – Paraíba -,através da personagem Maria. São aromas, cânticos de aves, sons das cavalgadas, o pó, a água pouca, a vegetação, os coloridos como das vestimentas das Guadalupes do deserto de Zacatecas, por ela citados. Maria fora para lá como professora de alfabetização. Inserida no meio, diz: “Aprendia eu, a cada dia, muito mais indispensáveis saberes para a teimosa vida nos mais hostis cantos do mundo do que as letras que eu viera trazer-lhes,úteis apenas em mínimas ilhas de privilégio desigualmente espalhadas no globo terrestre”.

Embora os meus “outros cantos” tenham acontecido nas proximidades da região que habito -esquinas urbanas, compreendo e muito a colocação desses saberes diversos que, aos poucos, me desmontaram previsões pessoais e orgulho. Essa questão de descer do salto e reconhecer que todas as pegadas são importantes. Muitas delas, no entanto, contêm sangue vivo ou cicatrizes que não experimentei e isso me faz mais responsável porpartilhar com eles e elas a esperança na luta.

A força no tear, no enredo, que tece redes, se torna também trabalho em comum para a sobrevivência. As festas religiosas: Senhora do Ó, São João Batista, Natal… A fé na chuva que viria na Festa de São José e a alegria ao ver botão de flor num mandacaru. A citação de Lau Siqueira: “nada mais belo/ que pensamento/ sem rumo/ levando sempre/ ao mesmo olhar/ nunca visto”.

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E há, ainda, os sinais que Maria carrega desde a adolescência, uma espécie de talismãs, que contêm sonos de encontro/ reencontro.

Tão bonito tudo isso!

No meu percurso de curvas, no retorno do trabalho, quase sempre encontro redes à venda, estendidas em dois terrenos diferentes. Desde que li o livro, transporto-me para Olho d’ Água, observo os teares e descanso a alma sob as algarobas. (Foto: www.maeliteratura.com)


MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE

Com formação em Letras, professora, escreve crônicas, há 40 anos, em diversos meios de comunicação de Jundiaí e, também, em Portugal. Atua junto a populações em situação de risco.

 


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