Violência contra a mulher ganha poderosa aliada: a WEB

Durante séculos o sexo feminino conviveu e ainda convive com o terror, suportando uma sorte atroz de violência, tanto psicológica quanto física, de quem deveria receber proteção, carinho, amor. Sob o manto da impunidade, do machismo, da tradição e até mesmo de dogmas religiosos, homens dominadores subjugam suas companheiras ao extremo. E as brechas da lei muitas vezes beneficiam esses covardes. Mas agora essa brutalidade está sendo corroída pela tecnologia. Sim, a internet entrou na luta em favor das vitimas, seja na forma de gravações (áudio e vídeo) da violência em tempo real, seja no compartilhamento de informações e denúncias. A web é uma aliada das mulheres!

Sinceramente, sempre fui muito cética quando o assunto é violência contra a mulher. Como jornalista, acompanhei casos tenebrosos ocorridos pelo Brasil e aqui mesmo em Jundiaí, com desfechos trágicos. Dá um desalento saber que muitas esposas, mães, filhas e namoradas foram brutalmente assassinadas mesmo depois de clamar por proteção junto às autoridades policiais e judiciais. Mais revoltante ainda é quando a vítima tem sua honra destroçada durante o processo de defesa do assassino, e acaba levando a culpa pela própria morte. É aquela velha tese da defesa da honra…

Mas nos últimos anos percebi que essa cultura desfavorável à mulher está sendo combatida com uma ferramenta bastante simples: o celular. Hoje, a mulher não apenas está denunciando, mas mostrando a violência, nua e crua e em tempo real. As imagens jogadas nas redes sociais e compartilhadas estão revelando o que ficava apenas “entre quatro paredes” e a sociedade aprendeu que em briga de marido e mulher é preciso sim meter a colher, quando um dos lados está em risco.

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Exemplos não faltam: vejam o caso da atriz global Cristiane Machado, que gravou as surras que levava do marido, um empresário e ex-diplomata, e apresentou as imagens em rede nacional, durante o programa Fantástico da Rede Globo. Esse grito de socorro público seria inimaginável há 10 anos, quando o comum era a mulher abafar a violência doméstica por medo ou mesmo vergonha. Atitudes corajosas como esta estão estimulando outras denúncias semelhantes na web e a exposição massiva intimida mais do que a polícia.

Escancarar a agressão e o agressor nas redes sociais é um caminho. Mas não o único, com certeza. Precisamos de uma revolução cultural, de um novo olhar sobre a relação entre homens e mulheres, que transcenda aquele velho paradigma do “sexo frágil” ou da “propriedade”. Tenho duas filhas e torço sinceramente para que elas possam viver num novo modelo de convivência entre os sexos, onde os crimes contra nós, mulheres, sejam considerados uma afronta a toda a sociedade. (Foto: G1)


VÂNIA ROSÃO

Formada em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Trabalhou em jornal diário, revista, rádio e agora aventura-se na internet.