25 de julho: No compasso do SAMBA, as vozes femininas transformam histórias

25 de julho

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, é mais do que uma data comemorativa. É um convite à reflexão sobre o protagonismo feminino e sobre mulheres que, por meio da cultura e da participação social, transformam a realidade em seus territórios. Foi a partir dessa reflexão que conheci um coletivo de Jundiaí cuja atuação merece reconhecimento. A Bateria Feminina Ritmo na Veia reúne mulheres que encontraram na música uma forma de ampliar a representatividade feminina, fortalecendo suas vozes e assumindo também posições de liderança.

Quero aproveitar o 25 de julho para destacá-las e homenageá-las, pois conseguem expressar sensibilidade e solidariedade por meio de suas ações. Mulheres que tocam, cantam e ocupam um espaço que, por muito tempo, foi associado principalmente aos homens dentro das escolas de samba.

Ao conhecer a coordenadora do projeto, Cinthia Silva, pude compreender a trajetória que deu origem a essa iniciativa. Segundo ela – que além de cantora, é intérprete de escolas de samba de Jundiaí e também de São Paulo – a inspiração nasceu durante uma ação de combate ao câncer de mama. A primeira apresentação aconteceu em uma feijoada solidária realizada em 2019, com o nome “Se Toca Menina”, criada pelos jundiaienses Paulo Vitor Targa e Simone Salgueiro. O evento destinava os recursos arrecadados às mulheres acometidas pelo câncer. Foi nesse momento que surgiu a ideia de criar uma bateria exclusivamente feminina.

O projeto tem como proposta perpetuar esse legado, promovendo o empoderamento feminino por meio da percussão e da formação de novas instrumentistas. Os ensaios são realizados aos sábados, na quadra da G.R.E.S. União da Vila Rio Branco. Embora os homens ainda sejam maioria nesse segmento musical, as mulheres sempre tiveram um papel fundamental na história do samba, contribuindo para a preservação, valorização e continuidade desse gênero, desde os períodos em que essa manifestação cultural era criminalizada e perseguida. Ao formar novas percussionistas e incentivar a participação feminina, o grupo reafirma que as mulheres podem ocupar diferentes funções dentro da cultura do samba, não apenas como passistas, mas também como musicistas.

O trabalho desenvolvido pelo grupo vai além do campo cultural, pois promovem ações solidárias, fortalecem redes de apoio e desenvolvem iniciativas de valorização das mulheres em diferentes fases da vida, da infância à terceira idade, ampliando sua atuação por meio de palestras, diálogos e ações junto aos órgãos públicos, à sociedade civil e aos espaços culturais. Nesse percurso, a Ritmo na Veia se consolida como uma iniciativa que fortalece vínculos ao oferecer acolhimento, cuidado e união. Demonstrando a importância do posicionamento feminino, contribuindo para a construção de novos caminhos.

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É nesse ritmo que o samba pulsa na veia e se conecta à memória de Tereza de Benguela, uma mulher que, em seu tempo, resistiu ao sistema  que buscava estabelecer a invisibilidade.  Sua história nos inspira e nos faz acreditar no poder da ação coletiva. Agradeço à Cinthia Silva pela disponibilidade em compartilhar essa  história de conquistas. Aproveitando este 25 de julho, quem quiser conhecer mais sobre a trajetória da Bateria Feminina Ritmo na Veia e acompanhar o trabalho desenvolvido pelo grupo, siga os perfis nas redes sociais: @bateriafemininauvrb e  @Cisilvah.

ROSEMARY DA SILVA

Conferencista Nacional na Promoção  de  Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria  literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.

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