O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data que nos convida à reflexão sobre conquistas, direitos e, sobretudo, sobre os desafios que ainda persistem. Quando falamos de mulheres dentro da comunidade LGBT+, essa conversa se torna ainda mais complexa e necessária.
Mulheres lésbicas, bissexuais, mulheres trans e todas as mulheres que vivem suas identidades de forma plural enfrentam uma dupla — e muitas vezes tripla — camada de desafios. Se por um lado compartilham as lutas históricas contra o machismo estrutural, a desigualdade salarial, a violência de gênero e a sobrecarga social, por outro também enfrentam preconceitos relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero.
Ser mulher, em uma sociedade ainda marcada por padrões rígidos, já implica enfrentar expectativas sobre comportamento, aparência e papéis sociais. Espera-se que a mulher seja cuidadora, dócil, discreta, adequada. Quando essa mulher rompe com normas heteronormativas, seja ao amar outra mulher, ao se reconhecer bissexual ou ao afirmar sua identidade como mulher trans, ela desafia estruturas ainda mais profundas.
Mulheres lésbicas e bissexuais muitas vezes lidam com a invisibilidade. Seus relacionamentos são deslegitimados, fetichizados ou tratados como fase passageira. Já as mulheres trans enfrentam índices alarmantes de violência, exclusão do mercado de trabalho e dificuldade de acesso a serviços básicos. A transfobia, somada ao machismo, produz um cenário de vulnerabilidade que precisa ser enfrentado com seriedade.
Mesmo dentro da própria comunidade LGBT+, é fundamental reconhecer que as mulheres continuam enfrentando desigualdades. Espaços de decisão, visibilidade e liderança nem sempre são ocupados de forma equilibrada. A luta por direitos precisa ser interseccional, compreendendo que gênero, orientação sexual, identidade de gênero, raça e classe social atravessam experiências de maneiras diferentes.
Valorizar as mulheres no 8 de março é também ampliar o olhar. É reconhecer que não existe uma única forma de ser mulher. Existem mulheres mães, mulheres que não desejam a maternidade, mulheres que amam mulheres, mulheres que amam homens, mulheres trans que reafirmam diariamente sua identidade, mulheres que ocupam espaços de poder e mulheres que ainda lutam para ter voz.
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Celebrar essa diversidade é fortalecer a própria sociedade. Quando mulheres lésbicas podem andar de mãos dadas sem medo, quando uma mulher bissexual não precisa justificar sua identidade, quando uma mulher trans tem acesso digno ao trabalho e à saúde, toda a coletividade avança. O 8 de março não é apenas uma data comemorativa. É um marco de resistência e de reivindicação por equidade. Porque ser mulher já é, em muitos contextos, um ato de coragem. E ser mulher dentro da diversidade é também um ato de afirmação e resistência.(Foto: Pavel Danilyuk/Pexels)

LUCAS ANZOLIN
Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)
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