A inteligência artificial está cada vez mais presente na indústria da música, não apenas como ferramenta de mixagem ou mastering, mas como criadora de conteúdo em si. O lançamento da faixa Echoes In The Hollow, atribuída ao artista/projeto Nightweld(foto) conta com créditos para o único nome humano que encontrei: Pedro Henrique Burle de Souza. Ele ilustra esse cenário híbrido entre estúdio humano e automação digital. A música está em plataformas como Apple Music e Amazon Music e mostra como se difunde essa nova mídia sintética.
Em 2024 o mercado global de música gravada alcançou cerca de US$ 29,6 bilhões, com crescimento de 4,8 % sobre 2023, conforme a Sony Music. No segmento de IA generativa aplicada à música, estimativas apontam para um valor de US$ 569,7 milhões em 2024, projetado para crescer até cerca de US$ 2,79 bilhões em 2030 segundo números da Grand View Research. Outra análise indica que, o mercado IA na música, mais amplo poderia atingir US$ 60,4 bilhões até 2034. Já o relatório da MIDiA Research mostra que no primeiro semestre de 2025 a receita global de música gravada foi de US$ 18,3 bilhões, crescimento de 5,9%. Esses números mostram o que está em jogo: não é experimento, é negócio real.
Quando uma música pode ser gerada ou amplamente auxiliada por IA, o custo de produção pode ser muito menor, o tempo de colocação no mercado mais curto e a escala maior. Isso desafia o modelo tradicional da banda de estúdio + gravadora + turnê. No caso que levantei e segui as pistas do Nightweld, o selo aparece como Harbor Ai Records, o que sinaliza claramente a postura de gravadora orientada por IA. Esse tipo de projeto oferece nova alavanca de receita, para o artista humano, para a gravadora, para a plataforma, mas também levanta questões sobre direitos autorais, autenticidade e remuneração. Por exemplo, estima-se que 18% do conteúdo carregado diariamente na plataforma Deezer seja gerado por IA (aproximadamente 20 mil faixas por dia), isso tem fonte fidedigna, a WIPO Magazine, notícia fresca de maio de 2025.
As grandes gravadoras perceberam que resistir à IA simplesmente não funciona. A Warner Music Group firmou acordo com o gerador de música por IA Suno após processo de violação de direitos autorais. E todas as três majors, ou seja, a Universal, Warner e Sony assinaram parcerias com a startup de IA musical Klay Vision Inc. para modelos licenciados. Isso mostra: a indústria está migrando de litígio para colaboração com IA. Gravadoras investiram em A&R – Artistas e Repertório e marketing -, US$ 8,1 bilhões em 2023 para adaptarem-se.
A adoção da IA também provoca temores. Uma pesquisa da organização finlandesa Teosto identificou que mais de 3 em cada 4 produtores acreditam que a IA já reduziu sua renda. O debate gira em torno de duas indagações: o artista-máquina irá conquistar espaço às custas de criadores humanos ou se a IA será coautora? Em paralelo, plataformas alertam sobre fraudes. No Deezer, até 70 % dos fluxos de música gerada por IA foram identificados como fraudulentos, segundo reportagem do The Guardian.
Nos Estados Unidos, segundo a plataforma Exploding Topics, o gênero mais consumido é R&B/hip-hop, com cerca de 29,9 % de todas as streams. Em seguida vêm rock (~17 %) e pop (~13,3 %). No âmbito global a música latina e o K-pop aparecem como gêneros em ascensão. A IA tende a atuar primeiro em gêneros que já se associam à produção eletrônica (como hip-hop, EDM-música eletrônica para dançar e pop), pela familiaridade com workflows digitais, o que confirma que essa mudança será transversal, e não de nicho.
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Para oferecer ao seu público uma porta de entrada direta, o single Echoes In The Hollow de Nightweld está disponível em major plataformas (exemplo: Apple Music e no Youtube), clique no link no nome da música para você apreciar uma música engenheirada por IA. A observação de um projeto com selo Ai Records e créditos claros permite ilustrar o que mídia sintética significa na prática.
De maneira direta, a IA na música já deixou de ser curiosidade. As receitas estão crescendo, os negócios se adaptam, os gêneros mais consumidos se transformam e os artistas tradicionais enfrentam novas realidades. Segue o jogo! (Foto: Apple Music)

ARTUR MARQUES JR
É cientista de dados e especialista em IA aplicada, com sólida atuação em educação digital e inovação. Coordena a pós-graduação digital na Cruzeiro do Sul Educacional e é PhD em Ensino de Matemática, Mestre em Física Computacional e Astrofísica. Atua como palestrante, mentor, cofundador do Grape Valley, é VP Fiscal do Hosp. GRENDACC e já foi VP da DAMA Brasil.
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