A força da mídia independente para a comunidade LGBT+

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A mídia independente, quando nasce das esquinas de uma cidade, carrega algo consigo que os grandes veículos de comunicação muitas vezes deixaram para trás em seu caminho: o poder de escutar de perto. Ela conhece as gírias, os medos e as potências da própria cidade. Quando essa mídia se abre para ouvir pessoas LGBT+, ela ajuda a construir um senso de pertencimento fundamental, porque uma história contada perto da gente ecoa diferente, toca mais fundo.

Em rodas de conversa de projetos independentes que, majoritariamente são produzidos por pessoas LGBTs, como o Trampo com Moda e o Movimento Social Aliados, em podcasts gravados na sala de estar com ar intimista e aconchegante, como o TV na Real, e nas páginas de Instagram que noticiam o que a cidade grande não percebe, como o próprio Jundiaí Agora, surgem microterritórios que acolhem narrativas que costumam ficar à margem. São espaços onde a comunidade queer não é apenas pauta, mas sim protagonista. Onde as vivências deixam de ser exceção e se tornam parte do cotidiano da cidade.

Quando essas mídias dão espaço para pessoas queer, criam muito mais do que conteúdo: criam pertencimento. E pertencimento, para quem sempre foi barrado de tantos lugares, é uma forma de se sentir incluído e ouvido. A estética, a música, os afetos, a política do corpo e da cidade, tudo isso se encontra nesses circuitos alternativos, transformando diariamente o que entendemos como cultura local.

Contribuir com a comunidade queer exige responsabilidade. Significa também produzir histórias com cuidado, fugir do sensacionalismo, educar sem moralizar, e entender que cada texto, cada entrevista, cada publicação pode ser um ponto de apoio para alguém que nunca se viu refletido em lugar nenhum, principalmente em uma cidade pequena. Também significa apoiar pequenos coletivos, movimentos sociais, artistas independentes, slammers, DJs, fotógrafos e empreendedores LGBT+, que sustentam com suas próprias mãos a vida cultural e a rotatividade de informação sobre a comunidade na cidade.

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A mídia local muitas vezes se contrapõe aos grandes veículos justamente por essa sensibilidade, cobrindo eventos da comunidade perto, entendendo seus contextos, reconhecendo esses rostos, sabendo quem são e contando estas histórias. É justamente nessa movimentação cultural independente que a cidade aprende a respirar de outros jeitos. A mídia independente não só narra uma realidade: ela ajuda a construí-la.

E, ao fazer isso, afirma algo essencial: que a cidade só é completa quando escuta suas múltiplas existências e acima de tudo, as respeita.

THAÍS MANFROTE

Jornalista e copywriter formada pela Universidade Anhembi Morumbi, apaixonada por escrita criativa e literatura brasileira , com experiência em redação, mídias sociais e comunicação política. Atualmente fazendo parte da diretoria e sendo responsável pela comunicação e audiovisual do Movimento Social Aliados.

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