RORAIMA

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As recentes notícias sobre a Venezuela, nosso país vizinho lá no norte desta América do Sul, nos relembra do imenso território do Brasil, especialmente um estado tão distante como Roraima que tem fronteira seca com aquele país. Por ali têm entrado milhares de refugiados venezuelanos. Uma situação que requer atenção. Entretanto, não gostaria de falar apenas desta Roraima.

É pouco provável que os leitores deste jornal tenham visitado o estado ou, até, que conheçam alguém que tenha ido até lá. Um aéreo daqui até Boa Vista, capital de Roraima, demora mais de seis horas com escala. Curiosamente estive por lá três vezes. Duas cumprindo agenda educacional a serviço da Secretaria da Educação Tecnológica do Ministério da Educação, nos anos 2000, e outra nos anos 1990 quando fui visitar um compadre que morava em Manaus e era diretor da Shell aviação.

Com ele e mais uma equipe estive em Roraima para acompanhar uma demanda por instalação de postos de abastecimento de pequenas aeronaves em localidades onde prosperava o garimpo. As formas de se chegar até estes lugares eram por via aérea ou por estradas precárias nas quais o tempo de viagem era absolutamente imprevisível. Os “campos de aviação” eram rapadões de terra nem sempre planos com extensões suficientes para pousos e decolagens apenas por pilotos habilidosos.

Em um destes municípios, Alto Alegre(foto), fomos recepcionados pela comitiva da Prefeitura local e seguimos para a cidade na caçamba de uma caminhonete que era o veículo oficial dirigido por um motorista elegantemente trajado de chinelos, calção de futebol, camiseta regata e um chapéu de tirolês. Pode parecer surreal, mas a naturalidade de todos era contagiante. Na Prefeitura ajudamos a fazer o ofício de solicitação do posto e, por isso, ganhamos uma foto com o vice-prefeito.

Conto isso sem nenhum demérito, pelo contrário, pois era uma realidade de um Brasil que poucos conhecem. Extremamente simpáticos e solícitos nos atenderam, agradeceram e nos acompanharam de volta ao bimotor que havíamos alugado, mais uma vez em pé na caçamba do veículo oficial.

Passamos ainda por outras localidades como Caracaraí e Apiaú. Nesta última havia chovido e pousar não foi tarefa fácil, pois a pista estava enlameada. Entretanto a grande aventura foi decolar com o avião patinando e tentando desviar de uma árvore gigantesca postada no fim da pista. Nada que o piloto que havia trabalhado por décadas na aviação civil não fizesse com tranquilidade. A maioria dos pilotos destes pequenos aviões tinha grande experiência e, aposentados, investiram nas aeronaves que povoavam os céus de Roraima prestando serviços.

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Ao retornar a Boa Vista pude testemunhar a quantidade destes aviões sobrevoando o aeroporto formando círculos com várias aeronaves, com duas, três e até quatro camadas aguardando autorização de pouso. Boa Vista era, na época, o maior mercado de combustível para aviação de pequeno porte do Brasil.

Provavelmente este estado de Roraima que conheci não deve mais ser o mesmo. A distância continua tão grande que não consigo avaliar os efeitos de um fluxo migratório, mas as belas paisagens que vi do alto ainda estão na minha memória.(Foto: www.mprr.mp.br)

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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